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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Inspira, expira e não te esqueças de viver.

16.05.21, Triptofano!

A vontade de voltar aqui ao blog e escrever era muita. Mas então qual a razão que me levou a ficar tanto tempo afastado?

Mesmo agora que transformo os meus pensamentos em letras e palavras, sou acometido por uma névoa cerebral, por uma dor aguda sobre as minhas órbitas e uma inoperância das minhas mãos, como se subitamente elas tivessem ficado adormecidas por uma incomodativa artrose que teima em dar sinal sempre que tento que os dedos me respondam.

Se tivesse sido infectado pela COVID-19 diria que eram resquícios de tão indesejada doença. Poderia também lançar as culpas na vacina, mas como deixei de trabalhar na farmácia não tive direito (e bem, visto não estar em risco acrescido de infecção) à inoculação.

Encontro-me numa fase que talvez só me lembre de ter vivenciado com tanta intensidade quando comecei este blog, que foi uma verdadeira terapia, um sopro de tranquilidade na minha alma inquieta, que nunca verdadeiramente deixou de ser inquieta. Todos temos bichos papões, mas existem aqueles que teimam em não ficar escondidos debaixo da cama.

É evidente - o que não significa que seja mais fácil de contrariar, resolver ou lidar com - que o meu problema é esquecer-me de viver. De parar para inspirar. Para expirar. Para inspirar de novo. É talvez difícil de explicar porque o que sentimos é algo muito nosso e modelado por todas as nossas vivências, mas sei que a forma como vivo não é a forma como a vida me daria mais felicidade. Talvez tenha de seguir instruções precisas e não vaguear pelo vento da inquietação e da dúvida do amanhã.

Há muitas novidades na minha vida. Novidades que merecem ser contadas. Celebradas. Mas que não sinto que esteja a dar a atenção devida.

A casa está pronta, terminada, totalmente habitável. Faltam detalhes claro, como os candeeiros ou a mobília de umas divisões. Mas a casa que eu e o Cara-Metade comprámos e mandámos remodelar é um lar. Um lar com, além de outras coisas boas, uma varanda e uma churrasqueira e uma mesa para comer com a brisa de final do dia a banhar a careca (continuo careca isso não há forma de dar a volta).

Voltei a trabalhar. Na realidade já trabalho há quase 4 meses, o que significa que fiquei muito pouco tempo sem emprego. Apareceu uma oportunidade irrecusável e agora trabalho na área da farmacovigilância, em teletrabalho. Estou em casa todo o dia, o que tem os seus prós e os seus contras, mas aparentemente tenho sentido mais os contras do que os prós, especialmente ao nível  do meu perímetro abdominal, visto que descobri recentemente que atingi os 3 dígitos na balança. Assustador eu sei.

A universidade corre bem. Acabei com sucesso todas as cadeiras do primeiro semestre, e até tive alguns dezanoves. Agora estou a meio do segundo semestre e só me apetece dormir sempre que pego em alguma matéria. Ou sou eu que estou com menos paciência ou são as unidades curriculares que são mais chatas. Gostava de fechar os olhos e descobrir que já estava na dissertação. Por falar em dissertação, talvez vá fazer um projecto de investigação na universidade, mas sem certezas. Chegamos a um ponto da vida em que só ficamos verdadeiramente entusiasmados quando as coisas acontecem, para evitar tristezas.

Há uma nova habitante no lar. Além da Priscila, a última das porquinhas-da-índia, já que a Escovinha tornou-se em mais uma estrela brilhante do céu, há agora a Dona Custódia Bacalhau, Dona Custódia para os amigos, uma cadelinha que veio do abrigo há coisa de duas semanas, e é o doce mais doce de sempre, sempre pronta a dormir aninhada e a lamber mãos e todas as outras áreas anatómicas que encontre. Estou feliz que ela esteja connosco. O Cara-Metade tem um sorriso ainda mais luminoso. Espero que ela também esteja feliz com esta nova vida.

Estou contente e satisfeito por ter escrito estas linhas. Na minha cabeça há um plano para nos próximos dias continuar a escrever. Algo que me obrigue a não esquecer de viver. Veremos se o conseguirei cumprir.

 

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