Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Gratidão pelo menos bom

Ou a mentalidade de mochila

03.01.21, Triptofano!

Sempre odiei trabalhos de grupo. Não tanto por causa da parte do trabalho em si, mas por causa da parte do grupo. 

Compreendo que trabalhar em grupo faz-nos desenvolver ferramentas que não conseguiríamos através do trabalho individual, só que em todo o meu percurso académico acabei sempre em grupos onde havia alguém que não fazia rigorosamente nada.

E o maior problema, aquilo que realmente me faz perder anos de vida e ganhar rugas à conta dos radicais livres criados pelo meu estado de stress, não é a existência de alguém que não faz nada, é haver uma pessoa que se responsabiliza por fazer parte do trabalho e depois ignora todos os prazos ou entrega algo colado a cuspo com um grande sorriso, como se estivesse a apresentar uma dissertação digna de um Nobel. 

O que me deixa fora de mim é existirem indivíduos que vivem a mandar areia para os olhos dos outros - correndo o risco de uma pessoa desenvolver uma conjuntivite - e a comportarem-se como se os outros fossem atrasados mentais e não os topassem a quilómetros de distância.

Quando entrei no Mestrado acreditei sinceramente que isso não iria acontecer, que ia estar com pessoas responsáveis, com outro tipo de mentalidade, de postura na vida, de foco....só que não.

Tenho uma Colega que não faz rigorosamente nada. Ou melhor, pergunta o que há para fazer, naquela de se fazer interessada, e depois ou não entrega o trabalho ou apresenta algo que até um aluno do ensino básico faria melhor. 

Confesso que isto mexeu comigo, mexeu comigo de tal forma que houve noites que tive pesadelos sobre o assunto tal era o estado de stress com que andava. Tudo porque tento fazer o melhor para não prejudicar as pessoas que estão comigo num grupo, para que o meu trabalho não fique abaixo das expectativas que tinham para mim, e dar de caras com uma pessoa que tem a chamada mentalidade de mochila - está à espera que todos a levem às costas - mexeu no meu íntimo de uma forma que eu não estava pronto.

Até que me propus fazer algo que não é fácil admito, mas que tem dado bons resultados, que é mostrar gratidão pelo menos bom.

Em vez de esgotar a minha energia a ficar chateado e irritado com alguém cujas atitudes eu não posso controlar, decidi ser grato pela oportunidade de crescimento pessoal que posso retirar das atitudes menos boas desta pessoa.

Ou seja, em vez de arrancar cabelos por ter alguém que não faz a sua parte do trabalho, sou grato porque tenho a oportunidade de mostrar que tenho capacidade de adaptação, resiliência e força de vontade para pegar no que ela não fez e fazer eu. Sou grato ao universo por desafiar-me com algo que me tira horas de sonos é verdade, mas que no fim deixa-me extremamente contente comigo mesmo.

Às vezes em vez de nos focarmos nas injustiças temos de nos concentrar nas lições que podemos tirar delas. Claro que fica sempre um sentimento amargo lá no fundo, mas acreditem que a serenidade que se obtêm é extraordinariamente reconfortante.

3 comentários

Comentar post