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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Festival do Bocejo 2019

17.02.19, Triptofano!

Não há dúvida alguma que Portugal tem uma mão cheia de intérpretes que realmente sabem cantar, mas infelizmente parece que apenas conseguem ter destaque quando pegam nas canções tornadas famosas por outras pessoas.

 

A primeira semi-final do Festival da Canção 2019 foi maioritariamente uma orgia de bocejos, que se fosse enfiada numa cápsula acabaria com as insónias de muita boa gente diminuindo o consumo tresloucado de benzodiazepinas.

 

Algo que os compositores convidados pelo Festival da Canção ainda não conseguiram compreender é que estão a criar para a Eurovisão, não para passar na rádio quando estamos presos no trânsito ou como música de fundo do bar onde decidimos ir dar a facada final ao nosso fígado.

 

Na Eurovisão nem sempre ganha a melhor voz, mas normalmente ganha a interpretação que conseguiu chegar ao imaginário de mais pessoas.

 

Salvador Sobral ganhou porque alcançou o coração de todos. Jamala por razões maioritariamente políticas. Conchita pela mobilização LGBT. A música de Loreen ainda hoje faz vibrar quem a ouve. Lordi pelos monstros. Ruslana pelas danças selvagens. Secret Garden pela ausência de letra. Os Abba porque bem, são os Abba e jogam noutra divisão.

 

Mas o importante é perceber que a Eurovisão é mais do que música, é sentimento, é burburinho, é entusiasmo, interesse, novidade, impacto e alguma loucura.

 

As músicas podem ser muito bonitas, estar cheias de palavras e frases com significados merecedores de figurarem num livro de filosofia, mas se não conseguirem transmitir a mensagem de pouco valem.

 

Até podem ser mais animadas, mas se forem exactamente iguais a milhentas outras que andam por aí não vão conseguir ter destaque algum, acabando por ficar esquecidas algures no canal auditivo dos ouvintes.

 

E peço desculpa, mas mesmo escolhendo um intérprete com uma voz extremamente poderosa, uma canção da Disney a não ser que seja a sucessora da Frozen possivelmente terá sucesso no Canal Panda, mas não na Eurovisão.

 

Dito isto, nesta primeira semi-final só vi uma canção com potencial para nos representar internacionalmente, e foi a do Conan Osíris.

 

Eu estava com medo não de partir o meu telemóvel mas sim o televisor quando a actuação começou, mas algo neste ser intergaláctico do espaço que capturou metade da alma do António Variações e a fundiu com a sonoridade cigana fez-me ficar rendido.

 

Se é diferente de tudo o que estamos habituados a ver? Sim.

 

Se está ali na fronteira entre o genial e o surto psicótico? Completamente!

 

Se deixou alguém indiferente após a actuação? Nem pensar.

 

Agora o que eu gostava mesmo que fosse revelado é como é que o júri vota para chegar aos pontos que dá a cada artista.

 

Algo me diz que se viesse a público alguns jurados iriam ter os seus telemóveis partidos.

 

 

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