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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

07
Out18

Festival da Sapateira em Santa Cruz


Festival Sapateira Santa Cruz

 

O ser humano é uma verdadeira antítese.

 

Se o Cara-Metade me pedir para sair de casa e ir ao café da esquina comprar uns croissants fresquinhos para o pequeno-almoço, todo eu me transformo em dores e drama, como se me tivessem espetado uma agulha a ferver na sola do pé.

 

Se ele me perguntar se eu quero ir a Santa Cruz ao festival da Sapateira eu vou já estar com metade do corpo fora de casa ainda nem ele acabou a pergunta, não obstante Santa Cruz ser a uma hora de distância de onde vivemos.

 

Comer sapateira à discrição pareceu-me uma excelente ideia, mesmo eu sendo aquele tipo de pessoa que demora hora e meia a conseguir tirar alguma coisa das patas da bicha e que já quase que foi acusado de agressão por ter batido com o martelo num colega de mesa.

 

Ir ao Restaurante-Marisqueira O Polvo é que já não foi uma ideia assim tão boa.

 

O local até parecia promissor, ao pé do mar, com um cheirinho a maresia. O restaurante era visivelmente antigo mas nada que demovesse quem tinha vontade de encher o bandulho com sapateira.

 

Ficámos sentados num anexo ao restaurante, visivelmente desenrascado para este tipo de eventos, onde descobrimos que temos uma capacidade mutante, a de sermos totalmente invisíveis, porque durante vinte minutos ninguém deu pela nossa presença.

 

Depois de descobrirem que afinal éramos pessoas de verdade e não bonecos de cera lá começaram a chegar as sapateiras e cestas com pão, muito pão, tanto pão que era quase possível abrir uma mini-padaria no local.

 

Era óbvio que o intuito era que uma pessoa ficasse tão embuchada com hidratos de carbono que depois não tivesse vontade de atacar o marisco.

 

A sapateira foi uma desilusão.

 

Apesar de parecer fresca, já que às vezes pela carne consegue-se ver quando ele esteve congelada durante eternidades, o sabor era muito banal.

Certamente que tinha sido cozida em água e sal e mais nada, sendo que para ter um sabor apelativo precisava de ter sido cozinhada numa infusão de ervas e aromáticos.

 

O molho de sapateira também não conquistou, além de ser demasiado aguado continha pedaços do coral.

 

As sobremesas podiam ter sido uma redenção do O Polvo, mas hoje em dia já ninguém quer comer uma sobremesa que venha dentro de uma caixinha e tenha sido feita de forma industrial. Para isso vamos ao supermercado e comemos mais por menos.

 

A única coisa que salvou a noite foi a simpatia da empregada que nos recebeu (depois de descobrir que afinal não éramos invisíveis), que apesar de estar ali a fazer um extra revelou que tinha todo o potencial para ser uma funcionária perfeita!

 

Da próxima vez que o Cara-Metade questionar-me acerca de um festival da sapateira, bem, provavelmente irei a correr comprar croissants no café da esquina para ver se ele se esquece de tal ideia.

 

O Polvo - Festival da Sapateira em Santa Cruz

 

O Polvo - Festival da Sapateira em Santa Cruz

 

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