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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

14
Set18

Eu e os Trabalhos Manuais


Eu até podia vir aqui dizer que me safava bem, que tinha jeito para a coisa, que de vez em quando até realizava um projecto artisticamente surpreendente.

 

Mas só que não!

 

Eu sou aquela pessoa que deve ter tido uma piquena-micro isquemia cerebral quando saiu disparado da vagina da mãe porque as minhas mãos não obedecem às ordens do meu cérebro.

 

Imaginem eu a desenhar um coração.

A parte direita do mesmo fica linda, perfeita, um amor. A parte esquerda parece que foi desenhada por um utente com Parkinson a quem lhe faltou a medicação! (ah, off the records, parece que o sinemet 25/100 - medicação usada para o Parkinson - vai estar esgotado até fins de Outubro, toca a falarem com os vossos médicos...)

 

Uma das minhas primeiras recordações de infância foi eu choroso dizer à minha mãe que estava triste, mas triste do coração.

 

Tudo porque na escolinha estávamos a decorar uns chapéus para as marchas populares e tínhamos de recortar e pintar umas imagens de comboios.

 

Escusado será dizer que a professora me informou que o meu trabalho estava uma autêntica bosta, anulando-me automaticamente qualquer auto-estima que ainda pudesse desenvolver.

 

Se fosse nos dias de hoje provavelmente a minha mãe teria ido reclamar com tão insensível professora, há 20 e tal anos atrás limitou-se a dizer para não me preocupar, que ela também não tinha jeito para a coisa.

 

Este episódio ensinou-me algumas coisas.

 

A primeira foi que eu não tinha realmente jeito para artes visuais.

 

Mesmo quando eu visualizava algo fantástico na minha cabeça era preferível nem sequer perder tempo a tentar, o resultado ia ser pavoroso.

 

Houve uma vez que imaginei o quão fácil seria fazer um anel com um cachucho gigante em barro, bastava por as tiras de barro de certa forma, unir a outras, rezar para que a gravidade desaparecesse durante umas horas e tchanã, uma nova Joana Vasconcelos tinha nascido.

 

O anel de diamante nunca viu a luz do dia mas fui um quase-orgulhoso pai de um pseudo-cagalhão espalmado.

 

A segunda coisa foi que já em tenra idade tinha talento para a dramatização.

 

Que podia ter chorado um bocadinho, fungado, ter dito que a professora era uma nazi dos sentimentos infantis, mas não, disse que estava triste do coração - das outras vezes devia ter estado triste da perna ou do umbigo.

 

Basicamente passei ao lado de uma brilhante carreira de representação e/ou estrela de um daqueles reality shows da TVI onde o pessoal atira tachos à cabeça uns dos outros.

 

Ainda tive esperanças, por volta dos meus 20 e tal anos, que fosse ser finalmente uma estrela, quando namorei com o moço responsável pela selecção dos actores para os Morangos com Açúcar.

 

Alimentei essa ilusão até ao dia em que ele me disse que gostava particularmente de mim porque sabia que eu não estava com ele por interesse só para entrar na novela.

 

Foi nesse momento que eu realizei que ia morrer pobre e sem me tornar uma celebridade porque os meus pais tinham feito o favor de me incutir valores e ensinado a não ser uma sanguessuga social (obrigadinho por nada pais!!!!).

 

A terceira coisa que aprendi com o episódio do chapéu e dos comboios foi que a discriminação começa logo desde pequeno.

 

Aparentemente a minha cabeça é de tamanho XXL, algo perfeitamente normal visto que a minha massa encefálica é assim enorme (cof cof), mas o que não é normal ou aceitável é que a professora, a mesma que disse que eu era uma nódoa nos trabalhos manuais, tenha feito pouco de mim por eu ser cabeçudo.

 

Que ai e tal uma criança com uma cabeça tão grande como é que pode ser e béu béu béu whiskas saquetas....

 

Pois que era cabeçudo e que continuo a ser cabeçudo, que tenho sempre de comprar o tamanho maior de chapéu e que provavelmente a minha mãe levou uns 25 pontos quando eu nasci, mas era preciso a professora ridicularizar uma característica anatómica, algo que eu obviamente não poderia fazer nada para mudar a não ser enfaixar-me com ligaduras elásticas e comprimir ao máximo a minha caixa craniana?

 

Não desejo mal a essa fofinha professora, mas se ela sofrer nos dias de hoje com hemorróidas também não vou ficar particularmente entristecido.

 

Este post está-se a transformar mais num Traumas de Infância do que num Eu e o meu pouco jeito para Trabalhos Manuais, mas quando eu o resolvi escrever era basicamente para vos mostrar uma coisa.

 

Trouxe da Tailândia uma prenda para uma amiga.

Claro que podia ter simplesmente entregado em mão dentro de um saquinho de plástico e toca a andar

.

Mas não, aqui a minha pessoa pensou em fazer algo mais artístico, colocar dentro dum saquinho de papel e atar com um pedaço de ráfia.

 

Uau, que loucura, estão vocês a pensar, mas para mim já foi o suficiente para me deixar cheio de suores e com os dedos a tremer.

 

Não sou mesmo nada jeitoso nestas coisas, o saco ficou todo mal dobrado, não conseguia sequer enfiar a ráfia pelos buracos, enfim um desastre autêntico.

 

Deixo-vos uma foto para perceberem a dimensão da minha incapacidade (e para mentirem e dizerem nos comentários que afinal não sou assim tão desprovido de talento!)

 

Mais alguém por aí que também seja uma nulidade em trabalhos manuais?

 

As minhas fracas capacidades para trabalhos manuais!

 

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