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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

29
Set17

Eu e o Salão Erótico de Lisboa


Há uns anos atrás, eu e a minha companheira de viagem/melhor amiga de faculdade, a Rachel, decidimos que íamos visitar o Salão Erótico de Lisboa.

 

Do nosso grupo de amigos éramos os únicos na altura que não tinha falsos puritanismos e que não nos iríamos importar de ver gente nua a rodopiar em varões, senhores algemados a levarem tau-tau na piloca e dildos do tamanho do meu antebraço.

 

Depois de algum tempo a vaguear pelo espaço, paramos mesmo em frente dum mini palco onde estava uma senhora a fazer um show de strip. Vemos o show e quando este chega ao seu fim, o responsável pelo espaço pega no microfone e pede a colaboração de um casal da audiência para vir ao palco e participar numa performance interactiva.

 

Olhei com curiosidade para ver quem eram os corajosos que se chegavam à frente quando começo a ouvir um Nós aqui!! Nós aqui!! mesmo colado ao meu ouvido. Olho para o lado e para meu absoluto terror era a Rachel que o gritava, com a mãozinha no ar.

 

Fiquei em pânico, nós não éramos um casal, eu era homossexual, aquilo só podia ser uma brincadeira/pesadelo.

Tentei de fininho afastar-me mas quando dei conta as pessoas tinham aberto um círculo à nossa volta por isso era impossível escapar. A menina que tinha feito o show anterior desce muito sensual do palco, pega-nos pela mão, e entre as ovações do público leva-nos para o palco onde nos senta num sofázinho.

 

Naquele momento eu colocava seriamente a hipótese de simular um coma para me tirar daquela situação, mas decidi aguentar, visto que a Rachel estava hiper-excitada, e pronto também devia ser só ver uma dança.

 

Começa a música, a jovem inicia a sua movimentação de ancas, interage comigo, interage com a Rachel, até que a certo ponto me manda tirar a t-shirt.

E eu pronto olhem no momento nem questionei e tirei-a.

O público ao rubro ao ver a minha ausência de abdominais.

A música continua e o senhor do microfone sempre a incentivar o audiência com frases feitas a roçar o ordinário até que decide que era altura de apimentar a situação.

Entra outra bailarina exótica. A primeira senta-se em cima da Rachel e ficam ali num roça roça, ao que o senhor do Micro diz, Triptofano (sim ele sabia o nosso nome) a Rachel é uma mulher disposta a tudo.

E eu só pensava bom para ela, tirem-me mas é daqui; enquanto a nova bailarina senta-se ao meu colo, agarra-me pelos cabelos, revira-se, põe as pernas nos meus ombros, faz o twerk eu sei lá mais o quê.

O público delira.

 

Até que chega o momento que ainda hoje eu não tenho explicação para ele. Eu podia-me ter recusado mas sei lá, acho que o meu cérebro estava em paragem funcional.

 

A menina levanta-me, olha-me e diz, tira as calças!

 

E eu tirei!

 

Minha gente nos dias de hoje eu tenho roupa interior bem sexy, assim justinha da Calvin Klein, que não me deixa passar vergonhas, mas naquele dia eu levava uns boxers largueirões com peixinhos. Agora imaginem um calmeirão de 1.87 com uns boxers de peixinhos com uma stripper ao seu lado! 

 

Mas as coisas ainda iam piorar. O homem do micro estava tão vermelho que podia ter um AVC a qualquer instante, a Rachel estava a ser apalpada por todos os lados, eu só a pensar que não podia ficar totalmente nu no palco, nem devia ter a depilação feita sequer; a menina olha para mim e rosna-me, põe-te de quatro como um cão.

 

E eu pus.

 

E não era porque estava excitado.

Acho que ia fazendo chichi com o medo!

Ela monta-se em mim e dá-me palmadas no rabo.

Ouço os gritos da audiência, olho na direcção dela (algo que ainda não tinha feito até então) e vejo horrorizado umas cinquenta objectivas de máquinas fotográficas e telemóveis na minha direcção. Tinha-me tornado uma estrela.

 

Quando a nossa performance acaba visto a roupa ainda com as pernas a tremer e anunciam que fomos o melhor casal do dia; iríamos receber uma estadia grátis no Algarve para uma semana. As pessoas por quem passamos felicitam-nos, dizem que fomos incríveis.

A Rachel vai ter ao encontro de um rapaz que lhe devolve a câmara dela. Fico ainda mais em choque. Não tinha sequer percebido que no caminho para o palco ela tinha encontrado um amigo que a pedido dela registou toda a nossa performance.

Havia provas.

Fotos que eu espero só verem a luz do dia daqui a muitos anos.

 

No dia seguinte regresso à loja onde estava a estagiar. A senhora das limpezas vem ter comigo. Dá-me um pequeno tapa na bunda com um risinho e diz-me. 

 

Oh Dr. Triptofano você gosta que elas mandem em si não é?

 

Fiquei sem pinga de sangue!

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