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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

26
Dez17

Encontra alguém que goste de conduzir


Se fosse para descobrir alguém que não gostasse de conduzir então eu estaria na linha da frente, acenando com os dois braços freneticamente.

 

A minha carta de condução é tão usada, mas tão usada, que já tem uma camada de pó daquelas que a pessoa passa o dedo e chega-se-lhe um vómito à boca quando vê o resultado.

 

Felizmente ainda existe gente neste mundo que adora estar atrás do volante, e geralmente são essas pessoas, como é o caso da MJ, que são cravadas por pessoas como eu para ir a algum sítio onde os transportes públicos não chegam! (quer dizer eu nunca pedi boleia à MJ mas acho que ela não me ia deixar apeado pois não?)

 

~

 

"Ele há com cada estória!...

 

Aqui há uns anitos, uma menina -  moi-même -,  que adorava, e adora, conduzir,  ia, muito feliz e contente, rua fora, a conduzir o seu belo carrito. Rádio ligado, música com o volume levemente, só levemente, alto, e lá ia ela. A determinada altura começa a ouvir umas buzinadelas muito, muito simpáticas.

 

 

Primeiro uma. Olha, e vê pelo espelho retrovisor um “piqueno” a esbracejar. O dito cujo já tinha tentado ultrapassá-la, mas ela, a menina, não lhe tinha permitido tamanho atrevimento, logo, a “música” deveria ser consequência desse facto. Dar importância àquilo? Era o que mais faltava, pensou a menina.

 

 

Passados uns segundos, um outro ultrapassa-a mas, agora, numa buzinadela em fúria. A menina, condoída, pensou que a buzina tinha “colado”, e ficou cheia de pena do condutor.

 

Uns segundos de paz, e…

 

… e agora era uma dama que, do alto do seu  jeep, além de buzinar como se não houvesse amanhã, parecia querer engolir a menina que, para mal dos pecados dela, menina, a outra estava num plano muito superior, o que tornava tudo muito mais ameaçador e preocupante.

 

De um momento para o outro, o número de buzinadelas aumenta substancialmente. E a menina cada vez mais intrigada: mas por que diabo iam todos a embirrar com ela? Até o carrito ia “nervoso”, coitado, de vez em quando parecia “estrebuchar”. Não admirava, com aquele desatino!…

 

 

Até que, de repente, alguém mete a cabeça, furioso, na janela do lado do pendura que, por mero acaso ia aberta – a menina é encalorada – e grita: ó sua estúpida, não vê que…

 

Sua estúpida? Ó cavalheiro, veja lá como é que fala, tenha modos…, assim disse a pobrezinha já à beira de um ataque de nervos.

 

Perante isto, sai do seu amado carrinho, olha, e nem queria acreditar: sem reparar no carro, só vê a fila que quase chegava ao início da Rua de S. Bento – sim, esse foi o cenário desta aventura – uma rua compridinha, como muitos de nós sabe.

 

Sim, estúpida, continua, então não vê que tem um pneu no chão?

                                       

Meu caro, disse a menina muito ufana, lamento informá-lo, não tenho um, tenho os quatro pneus no chão! Ora onde haveriam de estar, diga lá, no tejadilho? E o rapazito, a um passo de ter uma apolepsia.  

 

Entretanto, começam a juntar-se outros automobilistas solidários – com a menina, ou uns com os outros?

Mistério! – e começam a dizer coisas, muitas coisas. Que não podia continuar a marcha com o carro assim, que era um perigo, que a jante ia ficar estragada também em consequência de rodar nos carris – daí o “nervoso” que o carrito já tinha manifestado: o “estrebuchar”, aquilo era demasiado para ele! – que o pneu já não tinha conserto possível, etc., etc.

 

Aos automobilistas, e como era mais do que óbvio, juntam-se mirones, muitos mirones que também começam a opinar.

 

roda.jpg

Fig. 1

Fonte: Google (não há testemunhos reais do sucedido)

 

 

A menina vê, finalmente, o estado do pobre pneu - veja-se Fig. 1 – mas nem quer acreditar!

 

 

Sem nunca perder a calma, sem nunca dar parte de fraca, pensa que o melhor é “negociar”. Então, lá foi dizendo que ligava os quatro piscas, que ia muito, muito devagarinho e que estacionaria no Largo do Rato, dado haver por lá, muito provavelmente, mais espaço, logo, tornar-se-ia mais fácil o escoar do trânsito.

 

Depois de muito “negociar”, e depois de ter conseguido a façanha de entupir o trânsito, no mínimo, até à Calçada da Estrela, Av. D. Carlos e arredores, a menina lá conseguiu que a deixassem continuar a marcha a “um” à hora.

 

 

Conclusão: a “brincadeira” pesou, e muito, no bolso da menina, mas que a dita se divertiu bastante, lá isso é verdade.

 

 

Isto, porque a menina adora conduzir. Ontem, como hoje.

 

 

Amanhã? Ui, isso já era saber muito!..."

 

~

 

Por causa de estórias como esta é que tenho nos meus planos voltar a conduzir lá para 2046, e com sorte nessa altura já fomos invadidos por motoristas robotizados marcianos e não vou precisar de me preocupar mais com essa tarefa. Muito obrigado por teres participado neste desafio MJ, certamente que fizeste muitos amigos nesse dia!  Não se esqueçam de visitar o blog da MJ aqui, um local que se define com as palavras sensibilidade e bom gosto, e se tiverem curiosidade de ler as restantes histórias é só ir aqui!

 

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