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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

04
Jan18

Dramas de quem tem uma bexiga pequena


Para mal dos meus pecados, herdei do meu pai uma bexiga que deve ser pouco maior que uma castanha. 

 

Ele, de forma a evitar estar a urinar de hora a hora, faz uma medicação específica para essa condição, e eu já me vejo daqui a uns anos a seguir as pisadas dele.

 

Por enquanto ainda consigo controlar a situação sem recurso a químicos, mas onde quer que vá tenho de ter sempre um mapa mental de todas as casas de banho disponíveis e da forma mais rápida de como chegar à mesma.

 

A bexiga cheia além de me dar desconforto, deixa-me irritado, resmungão, com muito pouca vontade de dialogar com outros seres humanos.

 

Além que me tolda o prazer de outras acções - se estiver a almoçar e me der a vontade de urinar, é certo e sabido que o resto da refeição vai-me saber ao mesmo do que se estivesse a comer papelão reciclado. É como se todo o resto do cérebro se desligasse a apenas a parte que controla o aparelho urinário se mantivesse em alerta máximo.

 

Como muitos de vocês sabem este ano o meu réveillon foi no Norte, mais concretamente em Matosinhos com muitas passagens pelo Porto.

 

Após ter brindado ao Ano Novo em casa, eu, o cara-metade e duas amigas rumámos em direcção a um bar para continuar os festejos, e para podermos conhecer ao vivo o Carlos e o seu mais que tudo.

 

Relativamente ao Carlos só tenho que dizer bem.

 

Uma jóia de moço! Simpático, afável, cordial, sempre sorridente. Apesar da música dificultar a conversa ele lá ia esforçando-se para entender o que eu dizia, sempre com uma expressão de quem foi abençoado com uma paciência infinita.

 

Mais gostaria dele se não se tivesse armado em mete nojo e se me apresentasse todo pipi vestido com fato e laço - bem sei que devemos entrar no novo ano todos arranjados, mas também não precisava de me fazer sentir mal, eu que estou sempre todo desgrenhado e não rara é a vez que ando com uma meia de cada cor e a camisola do avesso.

 

Quanto ao bar, bem, podia dizer muita coisa mas não me vou alongar em detalhes.

 

Que o local parecia um fumeiro de chouriças parecia, tendo eu a certeza que desenvolvi uma fase inicial de cancro do pulmão só pelas poucas horas que lá passei.

 

Que a música era de qualidade extremamente duvidosa era, e não digo isto por não terem passado a Ana Malhoa - simplesmente o DJ contratado teria saído-se melhor se se limitasse a colocar o Youtube em reprodução automática.

 

Agora o que me irritou, o que me tirou do sério, foi a casa-de-banho.

 

Estava eu muito bem a dançar (ou a ter micro convulsões dependendo do ponto de vista) quando o rum cola que tinha acabado de beber me desce à bexiga.

 

Já me conhecendo fui logo em direcção à casa-de-banho para me aliviar.

 

Quando lá chego, duas portas, uma de senhoras, sem fila, e outra de senhores, com umas cinco pessoas à espera. Vicissitudes de ter ido festejar para um bar gay - um dos poucos locais onde há engarrafamento para a casa-de-banho dos homens e não para a das mulheres.

 

Dou uns saltinhos enquanto estou à espera na fila e decido ir dar uma volta pelo espaço a ver se me consigo abstrair do xixi que está-se a acumular em quantidades perigosas na minha bexiga.

 

Cinco minutos depois volto e já não há fila para meu grande contentamento. Todo despachado abro a porta e deparo-me com um cubículo onde já estão seis pessoas enfiadas, homens e mulheres, a rirem-se que nem umas perdidas.

 

Fecho a porta furioso e vou dar mais uma volta, evitando mandar as pessoas para o raios que as partam.

 

É que se ainda se estivessem a comer, tudo bem, uma pessoa nem sequer é pudica, bastava darem-lhe um jeitinho, dava-se uma mijadela e pronto, podiam continuar a fazer o que bem entendessem.

 

Mas não, simplesmente estavam na galhofeira.

 

Os meus níveis de urina chegam a níveis críticos.

 

Começo a ponderar fazer xixi num canto escuro. Se ainda estivesse num clube fetichista facilmente arranjava alguém que estivesse interessado numa chuva dourada, mas não era o caso.

 

Volto novamente ao WC, e milagre, apenas uma pessoa se encontra lá dentro.

 

Atiro-me para o urinol livre e quando já estou com o pirilau na mão reparo que toda a parede à minha frente é feita de espelho.

 

O que é espectacular para ver se tenho algum bocado de espinafres nos dentes. Mas o que também é péssimo visto que qualquer pessoa que entre pode ver a imagem da minha genitália reflectida.

 

E acho que isso é um bocadinho violação da privacidade alheia.

 

Se alguém me quiser ver o órgão copulador basta pedir, eu até deixo tirar uma foto se fizerem muita questão, afinal pilas há aos pontapés e garanto que a minha não é nenhum fenómeno do entroncamento.

 

Mas não gosto que lhe estejam a tirar as medidas sem me pedir permissão primeiro.

 

É uma questão de princípios.

 

E pior que isso, é o facto de eu próprio me desconcentrar com a imagem do espelho.

 

E começar a pensar na última vez que fiz a depilação. E ficar a olhar muito atentamente para aquele sinal estranho que tenho na glande. Estava ali da última vez? Será uma verruga genital? Poderá ser cancro?

 

E quando dou por ela estou há cinco minutos de pila na mão, com a bexiga cheia e sem conseguir urinar.

Com dois marmanjos a olharem-me por cima do ombro - a cobiçarem-me o urinol!

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