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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Dezembro Começou | Onde anda o Triptofano?

01.12.20, Triptofano!

Ontem foi o dia em que tive de entregar as chaves do apartamento que habitei durante 6 anos com o Cara-Metade em Benfica, e o plano era começar Dezembro a viver na casa que adquirimos em Queluz, sendo que a compra do imóvel foi um passo gigantesco na nossa relação (agora só falta mesmo adoptar um canídeo e avançar para o casamento com a Ana Malhoa como cabeça de cartaz, mas tudo a seu tempo que financeiramente fiquei arruinado e a Ana certamente que não faz shows de borla, mesmo eu sendo o seu fã mais devoto).

O problema é que decidimos fazer uma renovação completa do apartamento de Queluz, com paredes a ir abaixo, paredes a serem construídas, buracos a serem feitos no chão e no tecto, quantidades industriais de pó e muito barulho que está a endoidecer a vizinha de baixo que coitada está em teletrabalho, e de certeza que mesmo nunca me tendo visto já tem uma boneca de vudu preparada para a minha pessoa.

A empresa de construção disse-nos que iam fazer o melhor para conseguir ter tudo pronto em 2 meses, o que na verdade significa que iam fazer o melhor para terem tudo pronto antes de 2022, já que os dois meses terminaram e a obra está longe de estar finalizada. Falta chão, faltam vidros, falta pintar, trabalhos de electricidade e a montagem de uma cozinha e de um roupeiro adquiridos no IKEA.

Basicamente falta tudo para que a casa possa ser habitável, porque nem sanita agora existe e eu recuso-me a ter que usar um penico. Posso ter-me agachado durante dois meses no Uganda mas usar um penico em Queluz é um golpe demasiado grande para a minha dignidade.

Ora sem casa em Benfica e sem casa em Queluz restou-me apenas uma solução viável: ir para casa dos meus pais viver durante tempo indefinido.

Verdade seja dita que viver com os meus pais é quase como estar num hotel, já que não tenho que me preocupar nem com roupa, nem com comida, nem com por o despertador para acordar a horas.

Mas é um hotel com as suas peculiaridades.

Começa com o facto de ser obrigado a comer duas peças de fruta a cada refeição, já que a senhora minha mãe acredita piamente que eu estou a um passo de me quinar com escorbuto.

Depois existe a questão da casa-de-banho, onde a lavagem corporal tem que ser feita num ângulo específico em relação à torneira da banheira de forma a evitar uma possível inundação da divisão devido a uma construção aparentemente defeituosa de um rebordo. Garanto-vos que a teoria da relatividade é bem mais simples do que compreender os argumentos da senhora minha mãe, mas aos 33 anos de idade já aprendi que mais vale concordar com ela do que tentar refutar.

Por fim há a questão do frio, que simplesmente me congela os ossos. Há certas alturas em que me questiono se estou em Sintra ou na Sibéria, tal é o ar gelado que faz com que tenha de andar todo o dia envolto num cobertor, só com o nariz de fora para aquela inalação de oxigénio básica.

Fora estes pequenos detalhes, viver com os meus pais tem o seu que de bom, é como regressar à adolescência. Claro que tenho receio de poder passar-lhes Covid e também é verdade que  a copulação ficou muito mais dificultada, porque nunca se sabe quando a minha mãe vai bater à porta a questionar se queremos iogurte ou leite com as torradas, mas no fim do dia o saldo é muito positivo, especialmente porque estou junto daqueles que mais amo!

 

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