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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Destralhei e Sobrevivi

27.01.20, Triptofano!

Aqui a minha pessoa, como já escrevi anteriormente no blog, tem um pequeno (assim pequeníssimo quase inexistente) problema com mandar coisas fora.

Um prego enferrujado encontrado no chão em 1999? Guardo porque nunca se sabe quando é que pode ser preciso pregar um quadro e apanhar tétano ao mesmo tempo!

Uma factura do supermercado de 2003 quase já sem tinta? Guardo porque sabe-se lá se aqueles Doritos que eu comprei no Feira Nova (quem é que ainda se lembra deste supermercado?) não podem vir a causar-me uma inflamação intestinal quase 20 anos depois e sem ela não posso pedir nenhum reembolso do valor dos aperitivos de milho!

O engraçado é que eu não preciso de muito para viver. Se me dissessem que no próximo ano ia ter que subsistir apenas com uns ténis e uma mantinha para tapar as minhas miudezas eu era homem para não me preocupar, porque verdadeiramente não necessito de muitas coisas na minha vida. O problema é que não consigo desligar-me das coisas que já tenho em casa, e muitas vezes também não consigo deixar de trazer tralha especialmente se for grátis mesmo que eu não precise dela para nada.

Todas as coisas que eu vejo ou possuem um valor sentimental ou eu acho que podem ser úteis ou simplesmente já estão em minha casa há tanto tempo que mais cinco menos cinco anos também não vai fazer diferença certo?

Só que eu não vivo sozinho, e o Cara-Metade é completamente o oposto de mim, ou seja é uma verdadeira máquina de destralhar, o que obviamente leva a que volta e meia tenhamos algumas discussões, porque ele quer deitar fora uma garrafa de plástico fora e eu choro baba e ranho porque quero ficar com ela para fazer sumos verdes saudáveis (algo que muito provavelmente não vai acontecer) ou porque eu choro baba e ranho porque ele quer deitar fora uma coisa que é dele mas a mim custa-me aceitar que ele vá pôr na reciclagem o manual de instruções de um frigorífico que ele comprou antes de vivermos juntos e agora já nem sequer tem.

Destralhar para mim é complicado, mexe-me com os nervos e faz-me começar a hiperventilar, só que compreendo que para ter uma casa minimamente habitável volta e meia é necessário.

Por isso, este domingo, depois de me ter mentalizado durante hora e meia e enfiado um calmante para o bucho, comecei a destralhar o escritório com a ajuda do Cara-Metade.

Atacámos as caixas e caixotes de aparelhos electrónicos que guardamos durante um mês ou dois caso haja alguma avaria, mas que acabam por ficar esquecidos durante anos a fio. Confesso que se por um lado senti-me nervoso a ver quantidades industriais de papelão e esferovites e plástico a sair de casa, por outro foi uma vitória e uma sensação de alívio colocar tudo aquilo na reciclagem.

Porque sejamos honestos, o que é que eu ia fazer com 10 paletes de esferovite? Um disfarce para o Carnaval? (oh catano, agora que penso nisso se calhar até tinha sido boa ideia...) No fim de contas, ter a casa livre de tralha, com espaço para a energia circular livremente é muito melhor do que acumular coisas que sei que dificilmente irei usar.

Mas o que me mexeu verdadeiramente com os nervos foi que depois dos caixotes o Cara-Metade quis organizar as gavetas dos medicamentos. Sim, porque eu não tenho uma gaveta de medicamentos, tenho várias, onde as coisas estão ligeiramente ao molho e fé em deus e dificilmente se encontra alguma coisa.

Por isso, o meu maravilhoso marido, comprou no Ikea um móvel pequenino com gavetinhas para organizarmos a medicação, e, ao mesmo tempo, deitarmos fora coisas que já tivessem passado demasiado do prazo ou que nunca fossemos usar (como um suplemento para a intolerância à lactose que nunca tomei porque nunca desenvolvi tal intolerância).

Descobri que tenho demasiados medicamentos, digamos que possuo anti-diarreico suficiente para entupir um elefante durante uma semana, o que me fez conseguir mandar algumas coisas (poucas) para a reciclagem, porque não faz sentido guardar milhares de comprimidos para um eventual cataclismo Zombie.

Confesso que foi-me mais difícil mandar os comprimidos fora do que o cartão, mesmo aqueles que já tinham expirado em 2014, mas consegui e senti-me novamente livre. O facto de também ter deitado fora embalagens exteriores e bulas e cortado blisteres gigantes que já só tinham um comprimido também me fez sentir como se tivesse ganho uma pequena batalha.

É verdade que a guerra do destralhanço ainda agora começou, mas pelo menos até ao momento sobrevivi!

2 comentários

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    Triptofano!

    28.01.20

    O problema é que só assim uma vez em cada meio ano é que sou arrebatado pelo sentimento de destralhe, por isso tenho que aproveitar e mandar tudo o que puder para a reciclagem
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