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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Despedi-me!

01.01.21, Triptofano!

Depois de uma década a ser orgulhosamente e apaixonadamente Farmacêutico Comunitário decidi que era altura de colocar um ponto final nesta fantástica e muitas vezes insana aventura. Bem, talvez um ponto final seja demasiado extremista, porque nunca sabemos o que é que o futuro nos reserva, por isso direi que coloquei um ponto e vírgula, a tender mais para o lado do ponto do que da vírgula.

Foram 10 anos de alegrias, de tristezas, de superações e de conquistas. 10 anos em que tentei ser todos os dias o melhor profissional que podia, escutando, sorrindo, ajudando, cuidando e muitas, mas muitas vezes, emocionando-me.

Foram centenas e centenas de horas em pé atrás de um balcão, a ouvir histórias de vida, histórias de quem a doença lhe tentou tirar tudo de um dia para o outro, histórias de quem conseguiu ser mais forte que o malfado destino e superar-se. Essas centenas de horas fizeram-me crescer não só como profissional mas também como ser humano, e se por vezes na altura não lhes dava valor, hoje agradeço a todas elas por terem-me transformado na pessoa que sou - imperfeita sem dúvida, mas muito melhor do que quando comecei a trabalhar.

Despedi-me não porque tivesse entrado em conflito com a empresa. Despedi-me não porque tivesse encontrado outro local onde trabalhar. Despedi-me porque senti que era altura de soltar as raízes e procurar outros solos de onde tirar alimento. Despedi-me porque se ficasse onde estava nunca saberia onde poderia chegar.

Muita gente olhou para mim de lado, como se fosse um miúdo mimado que lhe tivesse apetecido deixar de trabalhar, numa altura pandémica onde tanta gente perdeu o emprego e faria tudo para ter um trabalho estável e bem remunerado. Lamento com toda a humildade os que ficaram desempregados contra a sua intenção, mas cada um de nós tem de lutar por encontrar a sua verdade, e esta foi a altura que eu escolhi para procurar a minha.

Deixar a Farmácia para trás, no último que saí dela sabendo que não iria voltar, foi um misto de sensações. 

Uma tristeza funda por deixar utentes, colegas, amigos, para trás, como se os estivesse a abandonar.

Uma ansiedade barulhenta por não ter planos, como se tivesse saltado de um avião e deixado propositadamente o pára-quedas esquecido debaixo do banco.

Mas sobretudo uma alegria avassaladora por ter tido a coragem de sair da minha zona de conforto para explorar o que existe no mundo.

Despedi-me do trabalho, mas sinto que fechei um contrato com a vida. Agora é descobrir que novas aventuras me esperam.

2 comentários

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    Triptofano!

    02.01.21

    Muito obrigado Anónimo do coração 
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