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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Desafio de Escrita dos Pássaros #7 - Flor de Patchouli

25.10.19, Triptofano!

Brazilino adorava trabalhar na Flor de Patchouli, a melhor loja de maquilhagem, beleza e perfumaria de Sacotes Velho.

Brazilino não era bicha, era um doutor bicha, com um postdoc tirado no Frágil, a Harvard da gayzice, onde passou noites inteiras a fazer playbacks emotivos das canções da Madonna e da Britney.

Apesar de lhe estar estampado na cara que gostava de pila, havia sempre uma cliente ou outra que ainda tentava seduzi-lo, como aquela que fingiu ter um orgasmo quando ele lhe esfregou um creme de argão e bolota do Alentejo na pele ressequida dos cotovelos.

Brazilino já não se espantava com tais avanços do mulherio porque desde que tinha ido ver um concerto do Ney Matogrosso e no fim elas correram loucas para agarrar o artista, ele compreendeu que o mundo estava irremediavelmente perdido. Brazilino não se deu ao trabalho sequer de levantar da cadeira, toda a gente sabe que pão com pão não faz sandes e a médica dele tinha-lhe aconselhado uma dieta hiperproteica.

A Flor de Patchouli era propriedade do Tó Alberto, um antigo militar que tinha aberto o negócio na esperança de seduzir Yuliya, a russa-ucraniana-ameríndia lá da terra, portadora de duas meloas rijas a apontar para o céu, que todos os dias massajava com uma combinação de óleo de amêndoas doces e azeite virgem extra.

Tó Alberto queria mamar das meloas de Yuliya, mas ainda nem sequer lhes tinha conseguido dar um apalpão.

Além da paixão assolapada pela russa-ucraniana-ameríndia, Tó Alberto tinha um problema sério de jogo. Todos os dias ia para a frente da churrasqueira da esquina apostar qual era o frango que estava a rodar no espeto que ficaria com a pele estaladiça primeiro. Acabou por ficar completamente endividado e com uma infecção por E.coli que o deixou com uma valente caganeira durante duas semanas.

Sem um tostão no bolso Tó Alberto deixou de poder pagar aos fornecedores da Flor de Patchouli, o que levou a que acabasse por ficar sem produto na loja para vender.

Em desespero lembrou-se de uma tia-avó que vivia em Odivelas e fazia compotas de abóbora com amêndoa. Diziam as más línguas que a velha senhora tinha aprendido na Tailândia uma técnica de esterilizar os frascos de vidro metendo-os dentro da vagina e fazendo um gradiente negativo térmico, mas supostamente eram só boatos.

Na semana seguinte Brazilino recebeu uma quantidade gigantesca de compotas que precisava de vender, caso contrário iria parar ao fundo de desemprego. Como era um homem de desafios decidiu aceitar aquele.

A primeira utente do dia era a Dona Mitó, Constança de nascimento, uma socialite irrepreensível, tirando aquela vez em que comprou um vestido na Feira do Relógio e quis-lhe colocar uma etiqueta a dizer Dolce e Gabbana mas como estava com uma enxaqueca demoníaca por causa da voz da Cristina Ferreira acabou por cozer uma a dizer Dolce Gusto

Braziiiiii querido, preciso da sua ajuda, arranje-me uma máscara para o meu cabelo que mais parece palha de aço.

Brazilino não entendeu, o cabelo da Dona Mitó estava lindo, hidratado, sem pontas espigadas, uma autêntica maravilha.

Não é para esse cabelo querido, é para o lá de baixo, tenho o pêlo da senaita tão áspero que cada vez que o Cajó me vem fazer um minete reclama que fica cheia de dermatite na cara, é que ele tem uma pele de bebé o meu amor.

Ouviu-se um latido de confirmação vindo da mala da Dona Mitó, onde praticamente residia a Nena, a cadela porta-chaves que a acompanhava para todo o lado.

Brazilino viu ali a sua oportunidade.

Pediu um momento e foi ao computador do escritório fazer um rótulo. Ele era óptimo na informática, não fosse ter 4 perfis falsos no Grindr para sacar fotos nuas de gostosos, apesar de uma vez terem ameaçado fazer queixa dele por causa de Catfish. Brazilino ignorou porque ele nem gostava de peixe-gato, no estômago dele só entrava de maruca para cima.

Em menos de um fósforo ficou o rótulo feito.

Desafio dos Pássaros

Foi um sucesso!!!

De três em três dias a Dona Mitó vinha comprar um saco cheio de máscaras capilares, e num instante todo o stock foi vendido.

Brazilino foi escolhido como empregado do mês, o que pouco adiantou porque era o único a trabalhar na Flor de Patchouli. Tó Alberto recuperou financeiramente e inscreveu-se num programa de 12 passos para deixar de apostar nos frangos. Yuliya continuou com as meloas firmes. A tia-avó foi parar ao Amadora-Sintra de urgência com a vagina dilatada porque tentou esterilizar dois frascos ao mesmo tempo. A Dona Mitó estava mais feliz que nunca, toda minetada, sem causar dermatite na cara de anjo do Cajó.

Quem se lixou nesta história toda foi a Nena, a cadela porta-chaves que de tanto lamber compota acabou diabética!

7 comentários

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    Triptofano!

    03.11.19

    Enquanto te tiveres de preocupar com o PAN e não com o IRA o meu escalpe está seguro
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    Sarin

    03.11.19

    O grupo de guerrilha irlandês? Porque te quereriam fazer mal?
    Os outros, os arruaceiros que vandalizam para salvar animais, a esses é entregá-los à polícia: podem salvar animais sem recurso à violência, mas ao optarem por esta merecem repúdio, não apenas desprezo.
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    Triptofano!

    03.11.19

    Talvez o meu blog já esteja internacionalmente famoso, sabe-se lá! Fico a questionar-me é porque é que ainda não ganho um dinheirão com publicidade!
    Quanto às técnicas que o IRA de Sintra usa para salvar animais sou honesto quando digo que não sei o suficiente para poder falar sobre o assunto, mas sei que as pessoas que mal tratam animais não podem viver numa realidade paralela onde podem fazer tudo de forma impune!
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    Sarin

    03.11.19

    Defendo a Justiça, exijo Justiça.
    Abomino os actos de "justiça popular", porque sumários, sem contraditório e sem equidade.

    A Justiça não cresce sobre injustiças: salvar os animais em risco, sim, mas com métodos invasivos proporcionais à urgência. Porque há outros meios que devem ser exigidos, nomeadamente ao Ministério Público e à Segurança Pública.
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    Triptofano!

    04.11.19

    E esses outros meios funcionam em tempo útil?
    Qual a forma de parametrizar a urgência de uma situação e como perceber se métodos invasivos que se possam usar são adequados ou não?
    É que às vezes parece que vivemos numa linha muito ténue entre o certo e o errado, por mais abstractos que estes conceitos possam ser!
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    Sarin

    04.11.19

    E onde o doce de abóbora nos levou! É das pevides, só pode :D
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