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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Desafio de Escrita dos Pássaros #17 - Ácido Gama-Hidroxibutírico

10.01.20, Triptofano!

João chupou mais um golo do seu cocktail através da palhinha de metal reutilizável.

Sentado num canto do bar que passava música da moda no volume máximo era perfeitamente perceptível que era um rapaz tímido.

Vinha ali para tentar ganhar coragem para falar com alguma das raparigas que dançava na pista de olhos fechados, equilibrando um copo na mão e que volta e meia se ria escancaradamente de alguma piada que certamente não teria tanta piada assim.

Tinha terminado o curso de Ciências Farmacêuticas há meia dúzia de anos, e desde aí que trabalhava como responsável de gestão de medicamentos de uma rede de lares do Estado, tendo apenas feito uma interrupção de meio ano para fazer voluntariado num país da África profunda.

Adorava o trabalho que fazia mas sentia que não era o suficiente para ser útil à sociedade, por isso ao fim da tarde ocupava duas horas numa linha de apoio ao suicídio, ajudando quem queria morrer a ver uma forma diferente de se viver.

Aos sábados passava as manhãs a mimar os cães do canil da zona e a correr com eles de língua de fora, enquanto que os domingos eram para a limpeza de matas e de praias. Gostava de pegar no carro, abrir as janelas e rumar a uma zona que não conhecia, onde artilhado de luvas de plástico e um saco do lixo tamanho XXXL, dedicava-se a recolher o lixo que outros tinham feito.

Naquela noite ainda não tinha ganho coragem para falar com ninguém, mas uma voluptuosa rapariga loura sentou-se a pouca distância dele. Parecia que estava desconfortável, talvez pelo vestido demasiado apertado ou pela maquilhagem pesada, mas fosse o que fosse fê-lo sentir empatia pela solitária moça.

Respirou fundo, esperou que os seus olhares se cruzassem e nesse momento abordou-a:

- Olá, desculpa a intromissão, mas tens uma aura violeta, é muito raro ver alguém assim espiritualmente tão elevado.

A rapariga ficou sem resposta, a olhar para ele com um misto de espanto, medo mas também interesse.

-Peço desculpa novamente - disse João - mas é que consigo ler as auras e a cor da tua é tão rara que não pude deixar de te abordar. Permites-me que te ofereça uma bebida?

A jovem loura mexeu-se desconfortavelmente. Se por um lado era visível que estava curiosa para saber mais sobre a aura violeta por outro era notório que não tinha gostado da ideia de aceitar uma bebida de um estranho.

João já estava habituado a essa reacção. Afinal hoje em dia todo o cuidado era pouco.

- Olha, não tenhas medo, eu ofereço-te a minha e peço outra para mim. Vês, - disse enquanto sorvia mais um golo pela palhinha de metal - é totalmente seguro.

O rosto da rapariga relaxou-se num grande sorriso e estendeu a mão para aceitar a bebida, na qual João tinha colocado uma nova palhinha metálica tirada do bolso.

"Para salvar o ambiente e para não te preocupares com as minhas partículas de saliva" explicou ele com um sorriso tímido.

Enquanto ela sorvia a bebida, o líquido arrastava pequenas partículas de GHB que estavam depositadas no interior da palha. Era uma questão de 20 minutos até a jovem começar a ficar mais desinibida e sensível ao toque. Nessa altura o seu cérebro iria entrar em modo de hibernação, impedindo que se lembrasse de tudo o que pudesse acontecer.

Era aí que João a levaria para a casa-de-banho do bar e a violaria agressivamente, sem se preocupar em que ela pudesse dar luta.

O crime perfeito pensou ele, não conseguindo evitar sorrir abertamente por ser tão eficiente.

Afinal, seria a quarta só naquela semana!

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