Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

19
Jan18

Desafio das 52 Semanas - Semana 3


20822269_WYkWp.jpeg

 

Semana 3 - Coisas para se fazer no Calor

 

Eis uma questão pertinente. Coisas para se fazer no Calor!

 

Depois de muito pensar, acho que a melhor coisa para se fazer no calor do momento é respirar fundo e morder a língua - ninguém disse de que calor é que se estava a falar, certo?

 

Desta forma evitamos dar uma resposta torta e conseguimos controlar a vontade urgente de pregar um banano na pessoa que está à nossa frente.

 

Dou-vos um exemplo concreto.

Estou eu feliz e alegre no meu local de trabalho à espera de clientes.

Tudo corre bem, o dia está perfeito, não há nenhum cheiro a esgoto estranho vindo da vizinhança e a senhora das limpezas não me passou com a esfregona por cima dos sapatos como é costume.

 

Nada pode correr mal.

 

Chega um cliente, tira a senha, mesmo após nós praticamente gritarmos que não há necessidade, visto que não há ninguém à espera para ser atendido, e espera pacientemente que nós toquemos no botãozinho para chamar o número dele, mesmo, reforço, não havendo mais ninguém para ser atendido.

 

Depois do seu número ser chamado, avança e saca de uma daquelas novas receitas electrónicas que podem ter desde um medicamento a 28.

 

Perguntamos o que quer aviar. O que está aí! é a resposta - e nós aqui já começamos a sentir um pequeno formigueiro nos pés.

 

Genéricos ou de marca é a pergunta que se segue. Quero o que o médico passou. , e aquele pequeno formigueiro já se começa a transformar num calorzinho que se espalha pelas pernas todas, é como se estivéssemos a desenvolver varizes internas.

 

Explicamos que o médico passou a receita pela substância química e que o cliente é livre de escolher o medicamento genérico ou de marca.

Pois eu quero o que costumo levar. e retorce os lábios, como se eu, mero empregado de balcão é que fosse um imbecil por não ter poderes adivinhatórios - tenho de me lembrar de mandar um e-mail para a faculdade para eles incluírem no novo plano curricular um semestre inteiro com a Maria Helena ou a Maya.

 

Tem ficha aqui connosco, pergunto eu, de forma a tentar agilizar o processo. Claro que tenho ficha!, e eu começo a procurar pelo nome do cliente e não encontro nada.

Pergunto se já alguma vez comprou connosco aqueles medicamentos e Ah não aqui nunca comprei, mas as farmácias não estão todas ligadas uma às outras?

Mordo a língua e digo que não, que as farmácias são privadas, não pertencem ao Sistema Nacional de Saúde, por isso obviamente que não vão estar todas ligadas umas às outras, tal como as sapatarias e as lavandarias não o estão.

 

Olhe pois eu não me lembro do nome do que costumo tomar, sei que há um comprimido amarelo, outro branquinho redondo e um branquinho comprido, se me trouxer as caixas eu reconheço. 

 

Explico que se o cliente levar genéricos pode acontecer ser de um laboratório que eu nem sequer tenha na farmácia por isso era mais fácil se ele se lembrasse da porra do nome que figura na caixa, ajudava-me assim um bocadinho, e nesta altura já estou a suar que parece que entrei na andropausa, as unhas a fincarem-se-me nas mãos e a minha vontade de dar um grito a aumentar exponencialmente a cada segundo que passa.

 

Trago todas as caixas de todos os laboratórios que tenho para cima do balcão.

 

Depois de muito virar e revirar, abrir e fechar embalagens, o cliente lá consegue encontrar os laboratórios que costuma fazer.

Eu digo-lhe com uma voz muito suave que para a próxima vez seria mais fácil se trouxesse os nomes ou os bocadinhos das caixas.

Na outra farmácia não é preciso este trabalho todo, informa-me, mais uma vez, transferindo a responsabilidade da sua incompetência e desorganização para mim, empregado de segunda categoria que já tem os vasos capilares das bochechas totalmente dilatados.

 

Faço a conta, e informo que tem a pagar X.

E nesse momento, naquele momento em que tudo deveria acabar, o cliente escandalizado diz que Não pode ser, que os valores que estão na receita são muito mais baixos. Veja, aqui diz que no máximo o preço deste medicamento é 1.20€ e você está-me a pedir 3.40€. Está-me a querer enganar!

 

Nesse instante é como se o universo entrasse em pausa, o meu cérebro está a raciocinar a mil de forma a conseguir controlar os impulsos do meu corpo, os meus olhos estão secos das labaredas de fúria que os estão a consumir internamente, e no calor do momento só me apetece mandar para a merda o raio do cliente que me está a chamar aldrabão e pregar-lhe uma ampulhetada que o vire ao contrário, de forma a ele perceber o verdadeiro significado da música da Ana Malhoa!

 

Mas tenho uma carteira profissional para defender e uma família para sustentar, por isso ignoro os gritos (sim já se passou a fase da conversa, agora o cliente está a gritar para quem o queira ouvir que eu sou um aldrabão e lhe quero roubar dinheiro certamente para o por ao bolso), respiro fundo e mordo a língua quase até fazer sangue, e calmamente explico-lhe que os preços que estão na receita são os dos genéricos mais baratos, se ele quer optar por outro laboratório terá que pagar a diferença.

 

Continua a barafustar mas lá paga, dizendo Na minha farmácia habitual não há estas confusões, nunca mais vou voltar aqui, pega nos sacos e sai porta fora.

 

E eu fico orgulhoso de mim, por saber que no calor do momento, consegui-me controlar.

 

Até ao dia.....

16 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Follow

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D