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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

17
Set18

Desabafos sobre o trabalho


Ultimamente tenho andado bastante desmoralizado com o trabalho, principalmente depois de ter voltado de férias, quando percebi ainda mais claramente que a minha situação laboral actual afecta mais do que eu gostaria o meu estado de espírito.

 

A situação que se passou hoje, e que eu vou partilhar convosco porque preciso mesmo de desabafar, pode até ser um bocado tonta, ou idiota, ou uma coisa pequenina que eu devia menosprezar, mas foi algo que me afectou e que sinto que se não exteriorizar vai acabar por crescer dentro de mim e infectar-me com energias negativas.

 

Como devem saber, eu gosto de cosméticos.

Sejam mais virados para o segmento de perfumaria ou mais medicalizados, eu verdadeiramente gosto da área da dermocosmética.

 

A farmácia onde eu estou, apesar de ser grande em termos de dimensões, não trabalha grandes linhas de cosmética.

Temos três marcas com as quais trabalhamos mais ou menos regularmente e tudo o resto se o cliente quiser tem que ser encomendado.

 

Para mim torna-se mais complicado obter mais conhecimentos com estas limitações.

Claro que posso ler artigos e navegar na Internet e tudo e tudo e tudo, mas é diferente quando trabalhamos com uma marca e criamos uma relação com o delegado e temos amostras para conhecer as texturas e fragrâncias dos produtos.

 

Assim acabo por estar limitado à boa vontade de amigos farmacêuticos em todo o país que me vão pontualmente pondo a par das novidades e tendo a simpatia de me responder às dúvidas que vou tendo.

 

Mais que uma vez insisti com o patronato que a farmácia não devia ficar estagnada. Que se devia apostar em mais marcas, em mais opções, em atrair e fidelizar mais clientes.

 

A resposta que sempre obtive foi que a zona onde nos inserimos não possui potencial económico, que as pessoas não vão gastar dinheiro em produtos de cosmética caros, e mesmo que o façam vão preferir ir à farmácia do centro comercial porque a predisposição para gastar é diferente do que quando se vai a uma farmácia de bairro.

 

Posso compreender que a introdução de uma linha de cosmética seja um investimento, mas criar limitações e entraves para um potencial crescimento não me parece a atitude mais correcta.

 

Hoje, estava muito bem na minha rotina, quando chega uma cliente habitual.

Conversa para aqui, conversa para ali, diz-me que quer mudar de linha de cosmética. Aparentemente estava a usar Darphin, que é uma linha não muito barata.

 

Percebi que havia potencial - e para mim haver potencial não é espetar com as coisas mais caras e siga para bingo.

É saber que aquela pessoa está um pouco mais receptiva em investir algum dinheiro em produtos de qualidade que sejam adequados para ela.

 

Recomendei-lhe o Nuxellence Éclat e o Detox (os meus produtos preferidos da Nuxe e que um dia hei-de falar aqui no blog), o Filorga Skin Absolut de Noite (contendo extracto de meteorito este creme é preto mas quando aplicado muda logo de cor) e a minha actual perdição, o Filorga Scrub and Mask.

 

A senhora adquiriu os produtos todos e como bónus ainda me levou uma mochila de maternidade da Uriage para oferecer como prenda.

 

O mais espectacular nesta venda, que ficou na casa dos 350 euros, foi que os dois produtos da Filorga tive que os encomendar, ou seja, a senhora confiou em mim para lhe encomendar os cosméticos que eu achei que a iriam mais beneficiar.

 

Até aqui tudo bem.

Tudo bem se eu não estivesse à espera de validação por parte do patronato.

 

Eu sei que não devo esperar validação por parte dos outros, eu sei qual é o meu valor e o que consigo fazer, e sei que também é o meu trabalho e não devo estar sempre à espera de pancadinhas nas costas por cumprir com as minhas obrigações laborais.

 

Mas bolas, o meu salário não é mau (há tanta gente bem pior) mas não é bom para ser um factor de motivação por si só, por isso eu esperava ingenuamente que houvesse algum reconhecimento por uma venda tão boa numa zona supostamente economicamente tão má.

 

Não queria fogo-de-artifício nem um feriado em minha honra, simplesmente algum reconhecimento pelo trabalho, darem-me algum benefício da dúvida quando digo que existe potencial escondido nos nossos clientes mas que não o trabalhamos.

 

O que recebi foi um ah sim eu vi a venda, seco, desinteressado, como se tivesse vendido um teste de gravidez ou um comprimido para a diarreia.

 

Recebi um livre-passe de desinteresse acerca do meu perfil comercial, vender ou não vender cosmética de topo é exactamente igual.

 

Li numa página de recrutamento que um patrão que tenha um bom funcionário vai fazer tudo para não o ver desmotivado.

 

Só posso concluir que devo ser um péssimo funcionário.

 

É que são precisos gestos tão simples para motivar alguém mas ao mesmo tempo são gestos igualmente simples que fazem uma pessoa pensar se alguém dá realmente valor ao trabalho que nos sai do corpo todos os dias!

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