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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Deixem os Cães em Paz!

06.01.22, Triptofano!

Deixem as Crianças em Paz! Ah, desculpem, não era isto que eu queria escrever, mas momentaneamente todo eu fui transportado para os lados da Assembleia da República a gritar furiosamente contra políticos que se davam ao luxo de comer pataniscas de bacalhau enquanto planeavam diabolicamente vacinar as crianças deste país contra o Covid. Na verdade o que eu queria dizer era para deixarem os cães em paz.

Não, ainda não saiu nenhuma recomendação da DGAV para vacinar os canídeos, por isso donos deste país tranquilizem os vossos corações aflitos. Eu sei que já é suficientemente complicado dar aquela vacina contra a tosse do canil que é pela narina acima quanto mais uma vacina do Covid que diabólica como ela é deveria ser, sei lá, pela uretra ou coisa que o valha.

O meu apelo para deixarem os cães em paz - pausa para você caro leitor imaginar-me com um cartaz a descer a Avenida da Liberdade gritando palavras de ordem só envergando uma tangauda, palavra que eu acabo de inventar que junta uma tanga com uma cauda de canídeo - vem pelo facto de ser impossível a uma pessoa passear o seu quatro patas de forma descansada sem que o mesmo seja vítima de assédio.

Não sei quanto a vocês, mas quando eu vou passear a minha cadela, mais conhecida como Dona Custódia Bacalhau, gosto de ir na minha, ou seja, não quero dar cavaco a ninguém. Não quero fazer um sorrisinho ao dono de outro cão que lhe começa a cheirar a Maria Francisca e muito menos quero encetar diálogo sobre as maravilhas das escolas de treino caninas quando estou de rabo espetado para o ar a apanhar um cocó.

Chamem-me anti-social que eu aceito aqui de peito aberto. Sou bicho do mato, sou pessoa que não quer conversas, sou tudo isso e mais alguma coisa. Mas sou sobretudo pessoa que se irrita a valer quando aparece uma pessoa vinda do nada e arregala os beiços para começar a chamar a Dona Custódia, fazendo aquele som que um indivíduo emite quando está com lascas de bacalhau nos dentes e a unhaca não é suficiente para o tirar.

Não gosto que me chamem a cadela, porque a cadela fica irrequieta, porque a cadela é uma vendida que vai com todos, porque a cadela começa a puxar a trela e quando dou por ela já está lançada para o meio da estrada feita louca. Também não gosto que passem pela cadela e façam aqueles comentários diabéticos do costume, do ai ela é tão linda, ai que coisa fofa mas tem um olhar tão triste, ai que ela gosta imenso de mim dá para ver porque eu também tenho cães lá em casa e ela cheirou-os de certezinha absoluta. Pior ainda é quando me mexem na cadela sem pedir autorização e começam a dar festas e beijinhos e carícias que só me dá vontade de pegar numa embalagem de toalhetes e desinfectar a bicha toda, ou, pior dos piores, quando incentivam os filhinhos a dar uma festinha na cadelinha que ela não morde. Primeiro a cadela não morde se o dono disser que não morde, não é olhar para ela e dar uma de Maria Helena que vê o futuro nas cartas e assumir que o bicho não fica stressado e zuca, mordidela na canela. Segundo, todos sabemos como são as criancinhas a dar festas aos animais. Elas não têm a culpa que a motricidade fina não seja coisa que se desenvolva de um dia para o outro, mas às vezes parece mais que estão a bater manteiga do que a dar festas a um canídeo.

Por tudo isto é que eu digo para deixarem os cães em paz, para não assediarem os Bobis e Milus e Snoopies desta vida. O que é que achariam se eu, um matulão de quase metro e noventa, ao passar por um filho vosso começasse a mandar-lhe beijinhos com ar derretido? Ou fosse ter com ele e enquanto lhe fazia cócegas na barriga vos perguntasse qual era a raça dele, porque tinha a certeza que devia ter um quarto de ascendência polaca e um oitavo de polinésia. Ou mesmo se sacasse de uma vacina do bolso e pimba, imunizasse ali a criança no meio da rua sem perguntar se eram ou não a favor da vacinação.

Não iam gostar pois não? Provavelmente ainda telefonavam ao André Ventura para me fazer uma espera quando fosse visitar a minha mãe, visto que são ambos da mesma terra. Ora se eu não faço isso aos vossos filhos, se vocês nem gostam quando aquela tia avó com buço e bafo a aguardente de medronho manda beijoquinhas aos vossos filhos, porque raio é que não podem respeitar a minha cadela?

Vá, digam todos juntos comigo. Deixem os cães em paz!

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