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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

De onde surgiu a ideia que as vacinas causavam autismo?

30.04.19, Triptofano!

O mais recente surto de sarampo nos Estados Unidos da América vem relembrar o quão importante são as vacinas e que todos devem ser vacinados de forma a podermos erradicar o máximo número de doenças possíveis.

 

Não faz sentido em pleno 2019 haver mortes por sarampo (ter em conta que o vírus do sarampo é altamente contagioso e pode causar cegueira, surdez, danos cerebrais e mesmo a morte) simplesmente por desinformação das pessoas, que acham que as vacinas desencadeiam tudo e mais alguma coisa, desde autismo até ao desenvolvimento de relações poli-amorosas com peças de mobiliário do IKEA.

 

De onde surgiu a ideia que as vacinas causavam autismo?

 

Antes que venha alguém para aqui com aquele tipo de comentário de que o corpo é meu e eu faço o que eu quiser com ele, não se esqueçam que estamos a falar de uma questão de saúde pública. 

 

Se as únicas pessoas que sofressem com vírus e bactérias chatas fossem as que não tivessem sido vacinadas por decisão delas (não estou a falar das crianças que não tem culpa e são arrastadas pelas loucuras dos pais) então tudo bem, sem qualquer stress.

 

Só que caso ficassem doentes não podiam desenvolver o Síndroma Noiva do Daesh, ou seja, o Serviço Nacional de Saúde também não iria ter que ser chamado a arcar monetariamente com os custos da irresponsabilidade destas pessoas.

 

Se quisessem ser tratadas então seria mais que justo que tivessem de pagar a totalidade dos custos do seu bolso!

 

O problema é que 10% dos casos confirmados no actual surto de sarampo nos Estados Unidos ocorreram em pessoas que haviam recebido uma ou duas doses da vacina, o que mostra que, como qualquer outra vacina, a imunização contra o sarampo não é 100% eficaz.

 

Por isso é que é tão importante a chamada imunização em massa, ou imunidade de grupo, que é uma forma de protecção indirecta que previne contaminações em pessoas muito jovens ou debilitadas para serem vacinadas, ou naquelas que mesmo estando vacinadas podem correr o risco de desenvolver a doença.

 

Como é que se consegue esta imunização em massa?

 

Com 95% da população a receber a pica no braço ou no rabiosque, conforme a preferência do cliente!

 

Agora toda a gente já ouviu ou leu alguma "notícia" sobre a alegada relação entre o autismo e a vacina contra o sarampo, a parotidite epidémica e a rubéola (VASPR).

 

Como é que este mito se desenvolveu e continua a galopar qual cavalo desenfreado pelas redes sociais fora?

 

1998 - É publicado na conceituada revista The Lancet um artigo da autoria de Andrew Wakefield e colegas, descrevendo os casos de 12 crianças britânicas com doença intestinal e autismo.

Na interpretação destes casos, era sugerida uma relação com a VASPR, que tinha sido administrada a todas as crianças.

Embora as fragilidades do estudo fossem apontadas desde logo, o artigo recebeu significativa atenção mediática e gerou um movimento anti-vacinação, não apenas no Reino Unido mas internacionalmente.

Estudos epidemiológicos realizados na década seguinte não encontraram qualquer relação entre a VASPR e o autismo.

 

2004 - A investigação do jornalista britânico Brian Deer relevou que Wakefield tinha falsificado dados clínicos e apontou falta de ética no tratamento das crianças e conflitos de interesse deste médico e investigador.

Ainda em 2004, a maioria dos 12 co-autores de Wakefield retratou-se pela interpretação avançada no artigo.

 

2010 - Em Fevereiro, os editores da The Lancet retratam-se do artigo nos anais da revista.

Em Maio, na sequência de um dos inquéritos mais longos da sua história, o organismo regulador da profissão médica no Reino Unido (General Medical Council) considera provada a acusação de má prática grave contra Wakefield e aplica-lhe a pena de expulsão.

 

 

Por isso minha gente, as vacinas não causam autismo como não causam o desenvolvimento de neurónios extra (que muita gente bem precisava desde que funcionassem em condições) nem de nenhum braço suplente a sair das costas.

 

A única coisa que as vacinas fazem é proteger as pessoas de doenças que já deviam estar erradicadas há muito tempo, por isso não se deixem levar pela desinformação que circula por aí e tomem a decisão mais acertada.

 

Vacinem-se, por vocês e por todos os outros! 

 

 

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