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Triptofano

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Daisuki ou o Pânico no sushi all you can eat

26.08.19, Triptofano!

Daisuki em 10 segundos: Descubra um restaurante de sushi all you can eat calmo e tranquilo com uma decoração de muito bom gosto, inicie a refeição com um excelente temaki, prove as peças envoltas em papel de arroz mas não faça a empregada ter um enfarte com um pedido gigantesco!

Daisuki

A palavra japonesa Daisuki não tem uma tradução literal. Tanto dá para um gosto imenso de ti como amigo ou para um estou de tal forma apaixonado por ti que não consigo controlar o meu esfíncter urinário.

No meu caso, depois de visitar o Daisuki, um restaurante de sushi em Carnaxide mesmo ao lado do Yó Nashi Sushi Bar, o sentimento que ficou foi mais ali na friend-zone, sendo que faltou muito pouco para a paixão, mas, infelizmente (ou felizmente!!) no presente momento em que escrevo este post ainda consigo controlar a minha libertação de gotículas de urina.

Mas houve um momento, um pequeno detalhe na minha visita ao Daisuki, que ficou registada na minha memória e que irá acompanhar-me durante muitos anos, e que será o meu cartão de visita para todos os que me perguntarem a opinião sobre o restaurante.

Daisuki

Não é o facto dos empregados serem maravilhosos, incrivelmente simpáticos e com uma vontade inegável de proporcionarem a melhor experiência ao cliente possível.

Também não se trata da fantástica decoração que remete ao imaginário asiático, suave e elegante, com detalhes verdadeiramente deliciosos, como o bule para o molho de soja ou a forma trabalhada do wasabi que é servido, obtida através do uso de um saco de pasteleiro com boquilha frisada.

Daisuki

Relativamente ao aspecto visual do restaurante tenho que fazer um pequeno parêntesis.

Apesar de ser espaçoso e as mesas estarem suficientemente afastadas para proporcionar um muito apreciado sentimento de privacidade, a grande dimensão do restaurante e o facto de não estar cheio de clientes acaba por transmitir uma vibração de cantina.

Pode parecer antagónico dizer isto, mas a verdade é que mesmo a decoração sendo maravilhosa, acaba por ficar meio perdida a flutuar na vastidão do restaurante, não havendo a criação de zonas mais intimistas que seriam benéficas para um sentimento de maior acolhimento por parte do cliente.

Daisuki

Daisuki

Daisuki

Agora aquilo pelo qual irei sempre relembrar o Daisuki foi a cara de pânico/horror/incredulidade da empregada quando lhe entreguei o meu pedido do all you can eat. 

Passo-vos a explicar melhor.

A refeição no Daisuki começa com uma entrada, que pode ser uma sopa miso ou um temaki. 

Eu e o Cara-Metade escolhemos o temaki, para mim de salmão e para ele de atum picante.

Saboroso, bem recheado, com uma alga crocante, o temaki foi um bom início de refeição.

Daisuki

Depois veio um combinado (e um pratinho com algumas outras preças) visualmente muito apetecível carregadinho de peças para fazer aquele primeiro aconchego no estômago.

Estão a ver o Usain Bolt a correr os 100 metros? Pronto, eu e o Cara-Metade ainda somos mais rápidos a enfiar peças de sushi para dentro do bandulho.

Daisuki

Daisuki

Daisuki

Ao terminarmos aparece-nos uma empregada extremamente sorridente com a lista de repetições do all you can eat, onde bastava colocar uma cruzinha naquilo que queríamos que viesse para a mesa, sendo que cada cruzinha correspondia a duas peças.

Daisuki

Eu confesso que não sou muito bom a tomar decisões, por isso basicamente pedi ao Cara-Metade para colocar uma cruzinha em quase tudo, exceptuando as espetadas e um ou outro tipo de sashimi, só para não dar aquele ar de esfomeado.

Foi quando a empregada veio buscar o pedido que o momento mais hilariante da noite aconteceu.

Ela olhou para o pedido e vi nos olhos dela o pânico a instalar-se. O verdadeiro horror ao ver tantas cruzinhas assinaladas.

Tentando manter a compostura ela virou-se para mim e avisou-me sorridente que cada cruzinha equivalia a duas peças.

E eu disse que sim, que tinha a noção disso, ao que ela pergunta-me admirada se já tinha vindo ali antes, sendo que eu respondi que não, que era a minha primeira vez, mas que conhecia bem o potencial da minha barriga.

Com um sorriso prestes a desmoronar-se para dar lugar a gritos de verdadeiro horror a empregada foi rapidamente entregar o pedido, tendo antes feito questão de mostrar a todos os colegas o quão alarve eu era!

Daisuki

Confesso-vos que enquanto esperava pelo sushi comecei a ficar ligeiramente preocupado, porque pelas minhas contas não era assim tanta comida como isso, mas pronto, a matemática nunca foi o meu forte e ainda podia vir um atum inteiro para a mesa cortado em pedaços ou coisa do género, mas não!

Vieram realmente alguns pratos mas nada de extraordinário, o que me fez acreditar que a empregada é que era assim muito fraquita de estômago.

Daisuki

Daisuki

Daisuki

Quanto ao sushi em si, bem, não vou detalhar cada peça que comi porque de outra forma só saía daqui amanhã, mas quero que saibam que no geral há muita qualidade.

O arroz utilizado no sushi é bom, a frescura do peixe é inegável e o tamanho das peças é o correcto para uma boa degustação.

O Daisuki aposta mais num sushi de fusão, tendo uma fantástica consciência ambiental, utilizando apenas variedades e espécies que não correm risco de sobrepesca, nomeadamente o atum rabilho, mas sim espécies com pesca sustentável.

Agora se há peças fantásticas, sendo que as minhas preferidas foram aquelas envoltas em papel de arroz (o mesmo usado nos crepes vietnamitas) que adicionou toda uma outra dimensão e textura crocante ao conjunto, há algumas que podem ser melhoradas de forma a que a experiência gastronómica ainda seja mais sublime.

Encontrei algumas peças onde a manga estava demasiado verde sendo ligeiramente difícil de trincar, outras cujo sabor estava demasiado amargo para o meu gosto devido a um excesso de algo que pareceu-me ser óleo de sésamo, e infelizmente a sugestão do Chef foi um verdadeiro desastre ao nível das papilas gustativas, já que era como se tivesse comido um cubo de Compal de manga envolto em manteiga (sim, era assim de estranho...).

Daisuki - Sugestão do Chef

Porém, apesar de haver peças menos boas, volto a dizer que no geral a refeição foi muito, mas muito agradável, sendo que quando terminei o meu pedido do all you can eat ainda pensei voltar a pedir tudo outra vez só para provocar um enfarte à empregada, mas estava tão cheio e a rebolar que não fui capaz.

Em termos de preço, para ser completamente honesto, acho que o Daisuki seria perfeito se fosse uns dois euros mais barato por cada all you can eat.

A qualidade do sushi justifica ser mais caro do que por exemplo o Maizakura mas não creio que esteja ao mesmo nível que por exemplo o Koi!

Para terminar, queria fazer-vos uma sugestão.

Quando pedirem a vossa bebida arrisquem no chá de arroz e pipoca, que pode ser servido quente ou frio.

O sabor a pipoca que é devido ao arroz queimado que é servido no chá é algo de agradavelmente diferente, e acho que vão gostar de provar!

Daisuki

Se estão à procura de um restaurante de sushi all you can eat calmo e tranquilo, visitem o Daisuki! E não se esqueçam de que podem sempre sorrir por dentro quando virem a empregada a ficar com mais um cabelo branco depois de receber o vosso pedido!

Daisuki

 

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