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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Como se já conseguisse respirar

19.03.18, Triptofano!

 

Hoje foi o início de um novo ciclo para mim.

 

O ser humano tem muito destas coisas, destas pequenas celebrações pessoais, quais ritos de passagem que marcam a transição de um ano lunar para outro.

 

Eu não sou excepção, ou parte de mim não fosse inegavelmente humana, enquanto a outra, bem a outra ainda estou na dúvida sobre que origem terá.

 

Mas dizia eu que hoje celebrei comigo mesmo o início de uma nova era, uma nova fase da minha vida que espero me traga mais sabedoria, mais abertura de mente e espírito, e sobretudo, mais cautela.

 

Certamente que todos os que me estão a ler neste momento já passaram por algo semelhante à espiral onde me encontrei preso demasiado tempo. Encontramos alguém na nossa vida com quem temos empatia, e que rapidamente, talvez rápido demais, consideramos nosso amigo.

 

E depois, lentamente, certamente lentamente demais, começamos a perceber que aquela pessoa não é a correcta para nós. Que afinal aquele indivíduo é não mais que uma sanguessuga vampira da nossa energia, que nos drena a vitalidade enquanto esboça um sorriso. Mas nós até percebermos que a relação simbiótica em que nos encontramos não é mais do que uma descarada parasitose tóxica, vamos definhando, e culpando-nos a nós mesmos do estado em que estamos, até finalmente, conseguirmos abrir os olhos.

 

Quando a verdade nos atropela o nervo óptico chegando num micro-segundo ao cerebelo, o sentimento que nos invade é o da incredulidade. Porque no fim de contas o parasita sempre foi parasita, nós, hospedeiro pachorrento e desprovido de maldade, é que aceitámos de forma indirecta a relação unilateral que quase nos levou à exaustão, física, mental, económica (...)

 

E quebrar uma relação desta índole?

Não é fácil!

O rancor tolda-nos a voz. A tristeza cria manchas de humidade nos nossos pensamentos. Os nossos gestos possuem a embriaguez de uma janela perra mal oleada. E a vitimização do outro lado é uma certeza. Porque nós somos os maus da fita. Nós é que estamos a criar mau-estar onde antes só havia bonança. Acabamos por ser presos e decapitados porque ansiamos a nossa liberdade, a porra da nossa liberdade.

 

Hoje é como já conseguisse respirar. Tiraram-me duas placas de cimento de cima do peito, e a minha caixa torácica deixou de apenas comportar um pequeno fio de ar que me permitisse fazer as trocas metabólicas necessárias para a sobrevivência, para se expandir agora em todo o seu fulgor.

 

Já sabia que se tinha ido embora. Com um sorriso cínico na cara. Com promessas por realizar. Com a certeza de que o problema estava nos outros, a eterna vítima. Mas quem sabe fosse mesmo uma vítima, mas apenas de si mesmo.

 

Porém, só hoje, quando a sua ausência foi constatada pelos meus sentidos e me confirmado enésimas vezes que não voltaria, é que senti que voltava a viver.

 

Hoje começou um novo ciclo para mim. E de momento, só isso me interessa.

 

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