Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Coming Out

07.08.17, Triptofano!

Muito se fala sobre o coming out dos jovens perante os pais, os amigos, os colegas de escola. É um processo que pode ser mais ou menos complicado, mais ou menos demorado mas que necessita de ser controlado na íntegra por parte de quem precisa de revelar ao mundo uma parte de si para se sentir em paz e harmonia com o universo. Não deverão ser terceiros a fazer o coming out de alguém por mais boas intenções que tenham. É um caminho que deve ser feito sozinho mas sempre com a garantia de uma mão amiga caso haja troços escorregadios no percurso.

 

 

No entanto algo que pouco se fala é do coming out na idade adulta. E quando falo em idade adulta refiro-me aos quarenta, cinquenta e todos os outros anos com terminação em "enta". Falo de indivíduos que viveram um modelo de relacionamento heterossexual toda a sua vida, que têm filhos e até netos. Pessoas cuja família não tinha a ideia pré-concebida que seriam heterossexuais como no caso dos jovens, mas sim famílias que cresceram a acreditar que a orientação sexual daquela pessoa era a normativa.

 

ozark.jpg

 

Em Ozark, mais uma cativante série com que o Netflix nos presenteia, a história principal é acerca de uma família que precisa de fugir para o meio do nada e começar de novo para evitar ser chacinada pelos tentáculos do tráfico de droga.

Mas nenhuma série se faz apenas de uma história principal, são sempre fulcrais as redes que se montam com as histórias laterais. E é numa dessas histórias que encontramos o caso do coming out na idade adulta, ou melhor dizendo, a ausência dele. Um homem nos seus quarentas, com filhos adolescentes que de um momento para o outro descobre que a verdadeira felicidade não é tão impossível assim de alcançar, apenas tem que aceitar que se encontra na forma de outro homem. Mas como enfrentar a família e os amigos, principalmente quando fez todos acreditar numa mentira que construiu por medo de ser ele próprio?

 

Às vezes é preciso criar um cataclismo de ondas antes de poder aproveitar a serenidade do mar.

 

 

3 comentários

  • Imagem de perfil

    Triptofano!

    11.08.17

    Há realmente um enorme caminho a percorrer no que toca a direitos, porque todas as pessoas independentemente do sexo, idade, religião ou orientação sexual deveriam ser iguais aos olhos da lei, mas na prática as coisas não acontecem assim.
    No passado quando não havia sequer a possibilidade de dois homens ou duas mulheres viverem em união de facto se um deles morresse a casa onde os dois habitavam ia para a família daquele que fosse titular da mesma e não do parceiro - situações injustas que tem sido alteradas com o passar dos anos.

    Se me permite a pergunta o que é que a impede de lhe ser indiferente o seu filho ter uma namorada ou um namorado? Prende-se com alguma projecção no seu filho relativamente ao seu próprio futuro ou existe alguma outra razão?
  • Sem imagem de perfil

    naomedeemouvidos

    11.08.17

    Obrigada pela sua resposta.
    Acho que não lhe sei dar uma resposta clara. É absurdo, não é? O que deve contar, independentemente do amor ser homossexual ou heterossexual, é que esse amor seja vivido de forma plena e honesta, com respeito por si mesmo e pelo outro. Acho que, na minha cabeça, ainda existe algum preconceito. De qualquer forma, há uma coisa a que sei responder. Não espero nada do meu filho, excepto que viva de forma honrada, como eu e o pai lhe tentamos transmitir, dia a dia. Tenho muito claro que os filhos não são propriedade dos pais e, acima de tudo, quero que o meu seja feliz, seja qual for o caminho que escolher. Nisso, conto, felizmente, com o apoio do meu marido que é a pessoa mais honesta que conheço, no que diz respeito às opções individuais.
    Gosto muito de ler o que escreve, já agora
  • Comentar:

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.