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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Boteco Dona Beija

18.02.19, Triptofano!

Boteco Dona Beija em 10 segundos: Aposte nos sumos naturais, tenha sorte com a caipirinha, delicie-se com os dadinhos de tapioca ou a coxinha, mas não espere encontrar aquela energia singular brasileira.

 

Boteco Dona Beija

 

Quando visitei o Rio de Janeiro há uns anos atrás fui com medo.

 

Medo porque mal anunciei a minha viagem, tive mil e uma vozes a dizer que eu era maluco, que ia ser assaltado, estuprado, assassinado, vandalizado e mais alguns actos nada positivos para a minha pessoa.

 

Mas a realidade foi outra completamente diferente.

 

É verdade que há zonas perigosas, tal como existem em Lisboa.

 

É verdade que há carteiristas, tal como existem em Lisboa.

 

E, obviamente que tem de se ter cuidado, talvez um pouco mais do que aquele que se tem que ter em Lisboa, mas nada que torne impraticável visitar com relativa descontracção a cidade maravilhosa.

 

E existe uma coisa fantástica no Brasil que nos faz esquecer por completo o medo, que é a energia das pessoas.

 

A energia é tão radiante, tão envolvente, que faz com que todas as células do nosso corpo vibrem de alegria.

 

Quando visitei o Boteco Dona Beija, em pleno coração do Marquês de Pombal, estava à procura dessa vibração tão singular, dessa sonoridade visual simplesmente deslumbrante.

 

Eu queria encontrar um cruzamento entre Carmen Miranda e Ney Matogrosso, mas dei por mim preso no videoclip da Melancholic Ballad dos Fingertips.

 

Para ser um boteco brasileiro não basta ter comida brasileira, passar futebol brasileiro e ter empregados a falar português do Brasil.

 

É preciso identidade, e o Dona Beija carece de uma falta gritante da mesma.

 

Quando entrei e vi as mesas com cadeiras baloiço fiquei deslumbrado pela sensação de leveza, apesar de não me atrever a lá sentar não fosse arrastar metade do tecto comigo, mas foi somente e apenas isso.

 

Boteco Dona Beija

 

Tanto podia ser um espaço brasileiro como de outro país qualquer, já que o estilo industrial urbano era rei e senhor, sendo que os únicos apontamentos com cor eram um salpico de quadros que quase pediam licença para estarem expostos.

 

Boteco Dona Beija

 

No Boteco Dona Beija o atendimento cumpre com o necessário, mas não é especialmente simpático nem direccionado para a satisfação do cliente.

 

Mas falemos sobre as opções do menu que eu tive a possibilidade de provar!

 

Os sumos naturais, tanto o de manga como o de morango, eram absolutamente fantásticos.

 

Boteco Dona Beija - Sumo Natural de Morango

 

No que toca às Caipirinhas, parece-me que é uma autêntica questão de sorte. 

 

A de morango e coco, com batida de coco, cachaça e morango, estava muito bem equilibrada sendo uma delícia de beber.

 

Boteco Dona Beija - Caipirinha de Morango e Coco

Boteco Dona Beija - Caipirinha de Morango e Coco e Sumo Natural de Manga

 

A de laranja e framboesa é realmente uma combinação improvável, mas ao contrário do que o menu afirma não é simplesmente viciante, a não ser que tenham uma predilecção gustativa por coisas amargas.

 

Uma bebida que se esperava doce e agradável de beber revelou-se difícil de terminar, tal era a dominância do amargo da laranja.

 

Boteco Dona Beija - Dadinhos de Tapioca e Caipirinha de Laranja e Framboesa

 

No departamento de comida os dadinhos de tapioca não desiludiram.

 

Feitos com massa de tapioca e um recheio de queijo coalho quanto mais houvessem mais eu teria comido.

 

Não percebi foi o empratamento com aquele chip de mandioca perdido, que parece que caiu no prato por engano, mas o pior é afirmarem que o molho sweet chilli que vem com os dadinhos é geleia de pimenta quando não tem nada a ver! (deixo-vos fotos da suposta geleia de pimenta servida e uma outra de um restaurante próximo para verem a grande diferença que existe!)

 

Boteco Dona Beija - Dadinhos de Tapioca com a Pseudo Geleia de Pimenta

Geleia de Pimenta de outro restaurante

 

Também viciante estava a coxinha de galinha, sem dúvida o salgado mais famoso do Brasil. Com um recheio simpático e uma crosta de massa grossa bem típica da coxinha, este salgadinho foi devorado até à última migalha.

 

Mas mais uma vez o problema encontrou-se nos detalhes.

 

A coxinha é servida numa cama de catupiry caseiro, só que o sabor deste requeijão cremoso é tão marcante que na nossa boca infelizmente só fica o sabor do lacticínio.

 

Boteco Dona Beija - Coxinha de Galinha em cama de Catupiry caseiro

 

O Boteco Dona Beija promete o peito cheio de um Brasil colorido, um sonho vibrante, um imaginário distante, mas aquilo que entrega acaba por nos deixar desapontados.

 

É como irmos de propósito visitar o Sambódromo e ele estar fechado para reparações!

 

Boteco Dona Beija

 

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