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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

19
Fev18

Blogger: Uma profissão stressante


Há uns dias atrás li num site que quando se tem um blog os visitantes são os nossos clientes e devemos tratar deles da melhor forma possível, de forma a aumentar a probabilidade do seu regresso e porque também nós ao visitarmos o espaço de outra pessoa gostaríamos de ser bem tratados.

 

Mesmo para aqueles que encaram um blog de uma forma não profissional e que não ambicionam um retorno económico do mesmo, ser blogger é uma actividade que exige tempo, dedicação, algum suor e muito epitélio dos dedos gasto por pressionar repetidamente as teclas de um computador ou smartphone.

 

Mas pode ser também uma gigantesca fonte de stress se não conseguirmos gerir as nossas expectativas ou colocarmos objectivos demasiado exigentes nos nossos próprios ombros.

 

Quando comecei a escrever disse para mim mesmo que iria postar todos os dias, sem falhar um que fosse. Inicialmente esta regra serviu para não me desmotivar com este espaço virtual, visto já ter começado no passado outros diários digitais e passado pouco tempo votado-os ao abandono.

Porém, aos poucos, esta regra que eu impus a mim mesmo começou a consumir-me por dentro. Por mais atarefado que tivesse sido o meu dia ou por mais cansado que pudesse estar, tinha que obrigatoriamente publicar algo naquele dia, fosse o que fosse, porque eu tinha decidido que seria assim. E se o fim do dia se estivesse a aproximar perigosamente e eu ainda não me tivesse sequer sentado à frente do monitor os meus níveis de stress escalavam e certamente que a minha pressão arterial acompanhava a subida.

 

Até que chegou o dia que não consegui.

Adormeci rendido ao cansaço de um dia particularmente difícil e quando acordei já passava da meia-noite e não tinha postado nada. Senti-me derrotado, desesperado, com vergonha da minha pessoa. De uma imposição que eu tinha colocado a mim mesmo. Tinha conseguido tornar o escrever num blog uma actividade de carácter obrigatório e punitivo, em vez de prazenteiro e libertador.

A partir desse dia tornei-me muito mais brando comigo, e agora posso postar várias vezes por dia ou nenhuma, afinal não tenho nenhum contrato assinado com a blogesfera!

 

Outra situação que causa bastante stress em quem bloga é o reconhecimento. Seja pelo número de visitantes/visualizações seja no caso da plataforma do Sapo, pelos Destaques.

 

99% de nós escreve porque ambiciona que outros leiam o que escrevemos. Afinal se uma árvore cair no meio floresta e não fizer barulho terá realmente caído? É o mesmo com a nossa escrita, se publicarmos um post que nunca ninguém leu será que ele realmente existiu?

 

Pode ser frustrante quando dedicamos horas a um post, aperfeiçoando-o, dando o melhor de nós àquela meia dúzia de parágrafos e depois os resultados serem tão fracos.

 

Já não falo dos comentários ao mesmo, porque muitos podem ler e pouco dizer, mas quando vemos as visitas/visualizações e descobrimos que elas são pouco mais que a soma dos nossos próprios refresh da página e das visitas da nossa mãe para saber se continuamos vivos, pode ser desmoralizante.

 

O mesmo acontece com os Destaques do Sapo. A maioria ambiciona figurar nestes porque é um trampolim de projecção que dificilmente de outra forma teria. Os números de visitas/visualizações sobem em flecha e muitas pessoas que não sabiam que existíamos começam a seguir-nos e a apreciar o nosso trabalho.

 

Porém ser Destaque é algo que nem sempre acontece nem existe uma forma matemática para figurar entre a mais ou menos meia dúzia escolhida diariamente, e pode ser desanimador parecer que o nosso empenho não é reconhecido.

 

Mas para mim, pessoalmente, a situação que causa mais pressão, é o responder a comentários e o visitar os outros blogs.

 

Acho que ninguém quer ser aquela pessoa que se acha boa demais para comentar o blog dos outros. Ou que nem se dá ao trabalho de responder aos comentários que recebe porque tem mais que fazer.

 

Só que às vezes não dá.

 

Não dá para ter um trabalho, uma vida social, uma vida pessoal e ainda conseguir criar material original para o blog e depois responder a comentários e visitar os outros blogs.

 

E às vezes não apetece. 

 

Não apetece ligar o cérebro, não apetece pensar em respostas articuladas e compostas, porque uma pessoa tem vergonha de colocar apenas um smile quando alguém nos deixou um comentários com mais de 140 caracteres.

 

E esta mistura de não dá com não nos apetece causa culpa. Uma culpa enorme, gigantesca, sufocante. Porque há pessoas que o conseguem fazer, que visitam o nosso espaço todos os dias, que comentam, e repetem este ritual em mais 10, 20, 50 blogs. E nós pensamos porque é que não podemos ser assim.

 

E a nossa caixa de correio vai ficando cada vez mais cheia. E já temos comentários de Dezembro sem resposta (como é o meu caso) e só apetece fechar os olhos e esperar que eles desapareçam como que por magia. E mesmo que nos apeteça apagar todos e começar do zero eles não vão desaparecer do blog. Eles estão lá, sem resposta, pairando no ar, lembrando-nos do quão pouco elegantes somos e de como não damos valor a quem perdeu tempo connosco.

 

A culpa ainda é maior relativamente ao visitarmos o espaço dos outros. Há alturas que nem na diagonal temos energia para ler mais um parágrafo que seja, e dias depois descobrimos que aquela pessoa que nos desejou força quando estivemos mal dos intestinos perdeu o emprego, ou alguém querido, ou fez anos. E nós voltamos-nos a sentir mal, cheios de remorsos, e juramos que vamos passar a ler toda a gente que nos segue todos os dias, mas isso só nos vai causar mais stress porque não tardará a que voltemos a falhar.

 

Ser blogger é uma profissão stressante, pelo menos é como eu a vejo.

E vocês, partilham da mesma opinião? Como é que gerem este stress de origem virtual mas com um impacto tão real?

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