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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Big Fish: O restaurante que me fez apaixonar por Sake

20.06.19, Triptofano!

Big Fish em 10 segundos: Apaixone-se como nunca pensou ser possível por sake, comece a refeição com um espectacular Tuna Tartare, celebre os Santos com o Sweet Pepper Sardine e acabe em beleza com uma sobremesa que é um verdadeiro vulcão de orgasmos!

Big Fish

Durante estes meus 30 e poucos anos de existência vivi convencidíssimo que o sake era uma bebida forte, agressiva, assim parecida com a aguardente de medronho que os meus tios da província me obrigavam a beber sempre que os visitava, com a desculpa que o menino da cidade precisava de ter pêlos rijos no peito! 

O mito foi-se entranhando em mim porque toda a gente que eu conhecia me dizia que realmente o sake era algo difícil de beber, e nem o filme do 007 onde o James Bond bebe um copo desta bebida tradicional do Japão foi suficiente para me fazer mudar de ideias.

Minha gente, andei enganado durante este tempo todo!

Foi preciso visitar o Big Fish, um restaurante dedicado à gastronomia havaiana situado no Cais do Sodré, para descobrir que o sake não é todo igual e que existem algumas variedades que são de beber e chorar por mais.

O Takara Sparkling Mio, um super refrescante espumante de sake, é a escolha certa se quiserem conversar animadamente sobre malas, vernizes ou a colega badalhoca do escritório que só foi para o ginásio para se enrolar com o instrutor de Body Combat!

Takara Sparkling Mio

O Suppai Umeshu não é tão fervilhante como o Mio, mas este sake doce com um belo equilíbrio acídico proveniente da maceração de ameixas bebe-se muito bem e acompanha perfeitamente uma conversa sobre a última série que viram no Netflix ou um debate sobre se os parabenos são ou não coisas do demónio.

Suppai Umeshu

O Otora Junmai é o sake da minha imaginação que me fez pensar que todos os sakes fossem assim: forte, agressivo, ideal se estiverem a preparar um assassinato e quiserem uma dose extra de coragem (porque sejamos sinceros, a única coisa que conseguiriam matar depois de três copos do Sparkling Mio seria talvez a vossa dignidade, depois de mandarem promessas de amor eterno ao vosso ex-namorado...)

Otora Junmai

Mas nem só de sake vive o Big Fish!

O Mai Tai de abacaxi e amendoim além de fantasticamente delicioso é o delírio para todos aqueles que gostam de tirar fotos para o Instagram com o hashtag #zerowaste visto que a palhinha é feita de cana de bambu (confesso que às vezes se torna complicado chupar em condições mas por este cocktail vale a pena ficar com os músculos da cara bem exercitados) além de poder funcionar como arma do crime se a pessoa que pretendemos assassinar for alérgica ao amendoim.

Mai Tai de abacaxi e amendoim

O Sasuke é um chá preto de cacau e cardamomo incrivelmente reconfortante que eu amei de paixão, bom para estados contemplativos como aquele momento em que percebem que não deviam mandar mensagens ao vosso ex-namorado quando estão alcoolizados!

Caso não queiram ir de propósito ao Big Fish experimentá-lo podem-no encontrar à venda na Companhia Portugueza do Chá!

Sasuke - Chá preto de cacau e cardamomo

Se calhar estão a pensar que eu visitei o restaurante só para tentar ter uma cirrose hepática antes dos 35, mas no Big Fish também existe muita e boa comida.

Mas antes de falar sobre ela queria dar-vos a conhecer alguns detalhes que achei deliciosos acerca deste restaurante, como o facto de toda a louça que é usada ter sido concebida especificamente para o espaço pelo Studio Neves, ou o maravilhoso que é podermos sentar-nos num dos 20 lugares do balcão e podermos estar quase em cima dos Chefs enquanto eles preparam a comida que nos vai aconchegar o estômago, ou mesmo a fachada em vitral colorido a simular escamas que nas horas de sol cria um ambiente cromático digno de figurar em qualquer feed de Instagram!

Louça feita pelo Studio Neves

Vitrais a simular escamas

A refeição começou com um snack que é não mais que uma forma inteligente de reduzir ao máximo o desperdício. 

O arroz que sobra na utilização dos pokes é desidratado e serve como cama para deliciosos pedaços de peixe que se encontram junto à espinha, criando um amuse-bouche simples mas muito saboroso.

Um verdadeiro snack #zerowaste

No campo das entradas adorei conhecer o Tuna Musubi, muito idêntico a uma peça de sushi com atum, que é inspirado na sanduíche rápida com o mesmo nome, típica da street food havaiana, onde o atum Yellowfin, o dip de wasabi e as ovas de peixe-voador (que descobri chamarem-se Tobiko) não tiveram sequer chance de lutar contra a minha boca escancarada que devorou esta bela combinação num nano-segundo.

O Tuna Musubi a ser preparado!

Tuna Musubi

Agora o Tuna Tartare, com ovo de codorniz e abacaxi do Havai na brasa foi uma autêntica apoteose na minha cavidade bucal, melhor que.....não vou fazer comparações ligeiramente classificadas para maiores de 18 porque esta entrada merece todo o meu respeito de tão boa que era!

Tuna Tartare

Para prato principal veio o Poke Big Fish.

O poke (significa "pedaço" em havaiano) é um prato havaiano de forte influência japonesa, que lembra sushi desconstruído, onde um dos segredos é uma correcta proporção entre o arroz e a proteína. Não é ser um mar de arroz para dois pedaços de peixe nem metade de um peixe inteiro com 5 ou 6 grãos de arroz.

E o Poke Big Fish atira-nos deliciosamente à cara esse equilíbrio, onde flutuam delicadas mas sinuosamente perigosas ondas de sabor provindas do atum Yellowfin, do arroz Yumenishiki, do pepino japonês que responde pelo nome de kyuri, da cebola doce, do cebolo, da alga wakame, do Hawaiian sauce e da cebola crocante! (se não sabem ficam a saber que eu adoro cebola crocante, por isso no meu aniversário podem ir comprar um balde gigante ao IKEA que eu vou adorar-vos para sempre)

Único problema deste poke?

Conseguir comer o arroz com pauzinhos! Felizmente que todos os anos a ver o Doraemon serviram para alguma coisa que não apenas um medo irracional de algum rato me poder comer as orelhas, e por isso posso orgulhosamente dizer que até me safei bastante bem nesta tarefa.

A cabeça do atum Yellowfin

O arroz Yumenishiki

Poke Big Fish

Também como prato principal foi-nos apresentado o Sweet Pepper Sardine, um poke criado para celebrar os Santos Populares e pensado especificamente em pessoas como eu que adoram sardinha mas dispensam ter de ficar uma hora e quarenta na fila à espera de uma enquanto ficam impregnadas de fumo até ao último poro e são pisadas cento e vinte quatro vezes no espaço de dez minutos.

A combinação de sardinha, pimentos assados, tomate cherry, cereja e coentros com uma broa de milho crocante a acompanhar pode parecer o resultado de um ataque SOS ao frigorífico onde tudo o que foi encontrado foi atirado para dentro da taça.

Mas o fantástico do mundo da cozinha é que por vezes as coisas mais impensáveis são as que resultam melhor, e este Sweet Pepper Sardine foi quase tão apoteótico como ver a Ana Malhoa no arraial de Benfica.

O Sweet Pepper Sardine a ser preparado

Sweet Pepper Sardine

Se há termo que eu adoro quando vou a um restaurante é o de pré-sobremesa, porque significa que ainda vai haver sobremesa!!!

A pré-sobremesa do Big Fish foi uma malassada com creme de batata doce de Aljezur, que foi uma verdadeira surpresa para mim porque nos Açores as malassadas que comi tinham um aspecto mais semelhante ao das filhoses.

Aqui, este doce que foi levado pelos portugueses para o Havai, assemelha-se a uma bola de Berlim, sendo que o creme de batata doce torna-a incrivelmente pesada, mas acreditem, é tão saborosa que vale muito a pena o esforço. (vá eu não fiz muito esforço mas vocês já sabem que eu um autêntico aspirador)

Malassada com creme de batata doce

O rico interior da minha malassada

Agora a sobremesa, a sobremesa minha gente não foi um orgasmo, foram orgasmos múltiplos à velocidade da luz, foi uma sessão de sexo tântrico, foi uma verdadeira ovação clitoriana e eu nem clitóris tenho!

O Chocolate Kilauea, com chocolate 70% do Equador, wasabi, iogurte e sal negro do Hawaii, é um tributo ao vulcão havaiano com o mesmo nome, famoso por estar em actividade há 29 anos, e é simplesmente uma das melhores sobremesas que comi até hoje.

Começando pelo prato que faz lembrar uma rocha vulcânica, e acabando no caramelo e no pó de carvão activado que decoram o prato (e eu que sou totalmente contra o uso de carvão na comida mas aqui nem quis nem saber...sou um vendido eu sei!), o Chocolate Kilauea é um suspiro profundo a cada colherada, é uma lágrima de felicidade que se escapa do olho a cada pedaço que engolimos, é simplesmente um bocadinho de perfeição ao alcance da nossa boca.

O que me tirou realmente do sério, aquilo que me fez questionar a sanidade da humanidade, foram duas moças ao pé de mim que saíram do restaurante e deixaram a sobremesa a meio!

Tive de me controlar para não ir ter com elas e pregar-lhes um tabefe no semblante, porque ter a oportunidade de provar um pedaço do divino e deixá-lo ao abandono é das maiores heresias que alguém pode fazer.

Também tive de me controlar para não ir acabar a sobremesa das moças mas depois lembrei-me que elas podiam ter herpes ou alguma coisa do género e preferi jogar pelo seguro!

Chocolate Kilauea

A única pequena coisa que eu mudava no Chocolate Kilauea (e não vou falar sobre o carvão activado) é o facto de haver algumas ligeiras semelhanças em termos de aparência a um cocózito de um canídeo, mas pronto, já percebi que é um problema aparentemente transversal a vários espaços de restauração lisboetas!

Quando já pensava que não vinha mais nada fui surpreendido com uma pequena simpatia, uma ganache feita com sake, que tinha um sabor muito desafiante, diferente de tudo o que já tinha provado antes, não tendo conseguido decidir-me se gostava ou não.

Esta ganache foi um fim misterioso para o meu palato

Se nunca provaram sake então tem mesmo que vir ao Big Fish para se apaixonarem como eu por esta bebida. E aproveitam para conhecer uma parte da maravilhosa gastronomia havaiana, que vos vai deixar com as papilas gustativas aos saltinhos de contentamento!

Big Fish

 

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