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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

19
Out18

As Receitas Manuais deviam ser Abolidas


O aparecimento da receita electrónica na dinâmica médico-farmacêutico-utente veio facilitar em muito a vida dos farmacêuticos, que rejubilaram quando descobriram que não iriam ter de passar horas do seu dia agarrados a uma receita a tentar deslindar os hieróglifos lá rabiscados.

 

Incrivelmente, parece que a maior parte dos médicos de Portugal deve ter tido uma cadeira na faculdade de como desaprender a escrever de forma perceptível, já que é quase um milagre quando aparecer uma prescrição com uma letra legível, que não deixe margens para dúvidas.

 

Apesar de ser incrivelmente divertido (not) andar a perguntar a todos os colegas que medicamento é que davam se fossem eles, fazer de detective comparando as letras do nome do utente com as do suposto remédio, e passar longos instantes a jogar uma espécie de Forca  - ora se isto começa por um P e acaba em Til e depois tem um 20 à frente o que é que pode ser? - , a receita electrónica veio diminuir drasticamente o número de erros de aviamento, tanto no medicamento em si como na sua dosagem.

 

Infelizmente ainda há receitas manuais, porque vai haver sempre uma falência informática, ou um domicilio, ou um médico que não se adaptou às novas tecnologias e não o podemos por de parte - mas se fosse um farmacêutico a não saber utilizar o computador será que a ele deixavam cortar os códigos de barras das caixinhas e fazer as comparticipações à mão?

 

E existem as receitas dos seguros, onde os médicos revivalistas dão asas à sua liberdade artística.

 

 

Prescrição Médica

 

A imagem acima foi de uma prescrição que recebi hoje. Uma caixa de 6 unidades de enoxaparina a 40 mg.

 

Fiz o registo, dei ao medicamento ao utente, e só quando já lhe estava a entregar o talão é que ele diz que acha que a caixa está diferente.

 

Que aquela é de 40 e que a mulher está a fazer 100 mg.

 

O meu primeiro pensamento foi que o utente estava a fazer confusão. A dosagem de 100 é muito pouco frequente de ser prescrita e na receita estava claramente um 40.

 

Para não haver dúvidas o senhor foi a casa buscar a caixa antiga. Para meu espanto era mesmo de 100.

 

Agora o que é que teria acontecido?

 

O médico tinha baixado a dose? Aquele 40 na receita era afinal um 100? Ou será que o primeiro aviamento é que foi feito erroneamente?

 

Decidi ligar para o médico.

 

Uma hora de telefone para saber que o médico não estava, que ninguém podia aceder à ficha dele e que as únicas pessoas que me podiam ajudar eram da seguradora, só que não atendiam e entrariam em contacto comigo o mais cedo possível.

 

Referi que era uma situação urgente - não tive nenhum contacto durante todo o dia.

 

Em desespero de causa telefonei para a senhora que estava a fazer a medicação. Fiz-lhe todas as perguntas possíveis e imaginárias, desde o peso (que tem uma grande influência nesta medicação) até ao seu historial clínico.

 

No fim fiquei convencido que ela estava correctamente a fazer a dosagem de 100 mg, era o que tinha feito no hospital, era o que médico lhe tinha passado da primeira vez, era o correcto para o peso dela e a utente não se lembrava do médico ter dito que iria haver alguma alteração na dose (o que na realidade era bastante improvável de acontecer).

 

Agora pergunto-me, se o marido da senhora na altura da compra não tivesse reparado de quem era a culpa por ter sido dispensado o medicamento incorrecto?

 

Minha por não ter trazido a bola de cristal, ou do médico que não quis demorar mais 3 segundos e fazer números perceptíveis para a visão humana?

 

Quantos erros médicos é que não existirão por causa desta política do facilitismo, onde os outros supostamente têm a obrigação de perceber a letra do senhor doutor...

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