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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

15
Set18

As 5 Coisas Mais Estranhas que Comia quando era Criança


Eu e o Cara-Metade estamos juntos há 4 anos, e 4 anos são tempo suficiente para termos desenvolvido uma grande cumplicidade e estarmos à vontade um com o outro.

 

Já chegámos àquele ponto de equilíbrio em que certo estímulo nos faz dizer a mesma coisa em simultâneo, que compreendemos o estado de espírito um do outro apenas com um olhar e que quando estamos com vontade de libertar um daqueles peidos pantufa mortíferos já nem nos damos ao trabalho de nos levantar do sofá e correr para a casa-de-banho!

 

Porém, ainda há situações que me deixam encavacado.

 

Ontem, estávamos nós no carro, e o Cara-Metade começou a comentar sobre um programa de rádio onde alguém tinha dito que quando era novo gostava de comer Nesquik à colherada.

Pois que para ele era completamente impensável fazer-se isso, e que tipo de pessoa é que vai comer Nesquik à colher.

 

Silêncio sepulcral no carro.

 

É que eu sou uma das pessoas que na minha infância atacava o Nesquik. 

 

Este monólogo do Cara-Metade - que eu permaneci calado em semi-vergonha até chegarmos a casa - fez-me pensar em que comidas estranhas me passavam pela boca quando eu era criança.

 

Recordei-me de 5.

 

Achocolatado em Pó Nesquik

 

Como já referi, eu era uma das pessoas que enfiava colheres de chocolate em pó da Nesquik goela abaixo.

 

Na realidade eu não o fazia por gulodice, mas porque sempre fui uma criança muito atenta e ouvia a propaganda sobre a riqueza do Nesquik em ferro e minerais e vitaminas e pró-bióticos de cadeia simples em posição cis barra trans e não queria que me faltasse nada durante o crescimento.

 

Por isso toca de ficar com a boca e os dentes e a língua toda castanha, tudo em prol do meu saudável desenvolvimento físico e cognitivo.

 

Contras da Ingestão de Nesquik:

 

Além da boca acastanhada, era péssimo quando a colher, em contacto com a humidade da boca, começava a criar uma pasta que depois tínhamos de raspar com a unha e a certo ponto já se nos colava tudo na boca e nem conseguíamos engolir e  havia o risco de fazermos uma pneumonia por aspiração.

 

Também chato era quando estávamos com uma colher cheia de Nesquik e de repente, Atchim, um espirro monumental que enchia-nos a casa de pó castanho.

 

Foi por causa disso que nunca iniciei uma carreira nas drogas.

 

Imaginem estar muito bem a preparar-me para snifar uma linha e dar um espirro gigantesco?

É que o preço da cocaína é ligeiramente mais alto que o do chocolate em pó.

 

Açúcar Amarelo

 

A minha mãe sabia quando eu tinha atacado o açucareiro porque eu, criança com pouco ou nenhum futuro para ser um génio do crime, deixava sistematicamente a colher com uma camada de açúcar cristalizado devido ao contacto do mesmo com a minha saliva.

 

Na realidade a minha ingestão compulsiva de açúcar começou com o branco, mas a minha mãe, numa tentativa de ser saudável, passou a usar o amarelo, que ainda me despertou mais o vício.

 

É que no açúcar amarelo encontram-se aqueles torrõezinhos, e como é bom trincar um deles e sentir a descarga de energia percorrer o nosso corpo.

 

Contras da Ingestão de Açúcar Amarelo:

 

Aumento da probabilidade de desenvolver diabetes juvenil, com risco acrescido de cegueira e amputação de variados membros.

 

Mas o pior era quando deixava açúcar espalhado pela banca da cozinha e no dia a seguir tinha um invasão de formigas.

 

Massa Crua

 

Se havia coisa que eu adorava quando era criança era massa crua.

 

Era uma autêntica máquina de devorar massa, de tal forma a velocidade com que dava ao dente.

 

Se naquela altura o Youtube já estivesse a bombar e a minha mãe soubesse fazer o upload de um vídeo de certeza que me tinha tornado num fenómeno viral e nos dias de hoje em vez de estar aqui a escrever no blog estava a beber Daiquiris enquanto uns moços me abanavam com uma folha de bananeira.

 

A minha predilecção era para o esparguete, muito mais facilmente mastigado pela minha dentição de leite, mas não recusava um bom desafio, como macarrão ou umas temíveis conchas.

 

Contras da Ingestão de Massa Crua:

 

Ficar com todos os espaços entre os dentes carregados de massa, o que nem era assim algo tão mau, era como se fosse um escudo arcaico contra as bactérias nefastas e evitava ter de se usar pasta de dentes.

 

Era apenas desagradável quando enfiava o esparguete boca a dentro com demasiada ganância e espetava um no palato.

 

Doía, mas nem isso era impeditivo para continuar a minha peculiar dieta.

 

Lascas de Bacalhau Salgado Seco

 

Ir ao supermercado com os meus pais era um delírio para mim, não porque eles me fossem comprar jogos ou chocolates mas porque ia ter a possibilidade de estar perto do bacalhau salgado seco.

 

E enquanto há pessoas que pegam nele, avaliam o peso, a cor, o ângulo entre a cauda e a barbatana lateral e o tamanho da hipotenusa do triângulo interno, eu não, eu simplesmente vibrava em tirar às escondidas lascas de bacalhau e chupá-las quase entrando em êxtase.

 

Quando não conseguia tirar uma lasca contentava-me em passar a mão pelo bacalhau e lamber os dedos salgados.

 

Contras da Ingestão de Lascas de Bacalhau Salgado Seco:

 

Primeiro que tudo ficava com uma sede descomunal, nem vinte minutos depois já estava mais seco que um carapau deixado ao sol durante oito horas consecutivas.

 

Havia também a probabilidade de ser apanhado pela polícia e ir para um reformatório durante alguns anos, argumento que a minha mãe usava para me dissuadir de praticar tal vilania e só muitos anos depois é que vim a descobrir que não era verídico.

 

Conchas (as que se encontram no mar, não as de massa)

 

Atenção, eu não comia o conteúdo das conchas.

Mas também não as andava a mastigar, afinal a natureza colocou-me dentes na boca e não uma trituradora de papel.

 

O que eu fazia quando ia à praia era dedicar-me a apanhar conchas de todos os tamanhos e feitios enquanto a rebentação me molhava os pés.

 

Só que enquanto as outras crianças as usavam para fazer colares ou para completarem uma colecção que já ia em mais de 1846 exemplares (dos quais 1842 eram praticamente iguais) eu lambi-as.

 

Gostava de sentir o sabor salgado na minha língua, do cheiro do mar a invadir-me as narinas e de ter um pico de iodo na corrente sanguínea.

 

Contras de Lamber Conchas:

 

O primeiro senão era a probabilidade de vir uma onda maior e me levar enquanto estava à procura das belas das conchas e ter que rezar para que aparecesse uma Pamela Anderson versão portuguesa com uns flutuadores para me salvar de morte certa.

 

Depois o perigo de uma dessas jóias do mar ter um bicho lá dentro e me dar uma valente beliscadela no lábio.

 

Por fim, termos de ouvir os nossos pais a discutir em surdina qual é que seria o melhor anti-psicótico para nos misturarem no leite.

 

 

E vocês, quais são aquelas coisas estranhas que comiam quando eram crianças?

 

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