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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

António Variações: A variação do padrão

04.09.19, Triptofano!

Eu não vou adaptar-me a Lisboa, Lisboa é que vai-se adaptar a mim!

A minha opinião sobre o filme do António Variações

Podem não ter sido exactamente estas as palavras que foram usadas, mas foi esta a mensagem que mais me marcou quando ontem fui ver o filme sobre a história de António Variações.

António foi alguém completamente disruptivo, alguém que pegou nas normas da sociedade da sua época e atirou-as para o lixo, não tendo medo de ser ele próprio numa incansável busca pela sua voz e pela oportunidade de os outros a ouvirem.

É fantasticamente deprimente pensar que há 40 anos atrás houve alguém que deu o primeiro passo para a verdadeira expressão individual, e hoje, quando olhamos ao redor, vemos cada vez mais pessoas exactamente iguais umas às outras, com a estranha necessidade de serem cada vez mais cópias umas das outras, renunciando, ou nem sabendo que ela existe, à incomparável felicidade de ser-se único.

Mas o que mais me incomoda, aquilo que faz com que tenha uma urticária crónica, é o cinismo palpável que este filme atrai.

Claro que não posso generalizar, porque as generalizações são piores que as palas que se usam para os cavalos olharem sempre em frente, mas é ridículo que muitas das pessoas que são atraídas pela diferença retratada no filme não a conseguem sequer aceitar no dia-a-dia.

É uma espécie de desconexão da realidade, onde bate-se palmas de pé ao homem que variou o padrão mas é-se capaz no minuto a seguir de deixar comentários rancorosos nas redes sociais à pessoa que anda de cabelo azul e verde no meio do Chiado. Onde a homossexualidade é vista como uma história de verdadeiro amor mas o amigo ou filho ou colega é um lambe piças do pior que devia ser posto num barco sem fundo rumo ao incerto. 

É triste perceber que a diferença e a genialidade de ser-se único só é verdadeiramente aclamada quando se já está morto.

Mais triste ainda são todos aqueles que avidamente à procura da diferença magnética de alguém que foi ele próprio, não conseguem perceber que ao viverem no medo de não serem aceites por aquilo que realmente são, já estão mortos muito antes de terem morrido!

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