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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

11
Abr18

Andar na rua de fato-de-banho é crime?


Como sabem, continuo valentemente a ir à natação, mesmo naqueles dias em que acordo e já estou a sofrer por antecipação por ter que deixar o quentinho dos lençóis e ir enfiar-me numa piscina para fazer exercício.

 

Dependendo do meu horário no trabalho ou vou logo de manhãzinha, ou apareço no recinto ao fim do dia.

 

Um destes dias, em que fui nadar no período da tarde na última hora disponível, vi a minha vida a andar para trás.

É que eu sou uma pessoa que confia plenamente nas suas capacidades mentais, mas trinta e tal anos depois já deveria saber que essas supostas capacidades são muito reduzidas.

 

Chego aos balneários, equipo-me, e descubro que o meu cadeado última geração de alguma forma que eu nunca cheguei a compreender conseguiu memorizar um código diferente daquele que eu usava todos os dias!

 

Se eu podia ter voltado a por o código antigo? Podia!

Mas obviamente que não o fiz. Olhei para o código novo e pensei, pedaço de bolo (piece of cake), e lá fui eu todo lampeiro nadar.

 

Estava eu muito bem a exibir o meu estilo aquático e a contar piscinas (que eu tenho de contar as piscinas para perceber a quantas ando), quando chego para aí à décima e penso - Espera lá qual era o código mesmo?

 

303 - de certeza que era 303! Mas seria 303? Começo a ficar em pânico, e só me apetece sair da piscina para ir verificar a combinação. Mas controlo-me e digo, Calma Triptofano, de certeza que é 303.

 

Só que não era!


Quando saio da piscina depois de completar a minha actividade física diária, vou expectante em direcção ao cadeado. E ele não abre.

E eu vejo a minha vida a andar para trás.

 

E volto a por 303. E o cadeado volta a não abrir. E ponho 304. 302. 403. 404. E nada abre. E já estou há cinco minutos a lutar contra o cadeado.

 

Nos balneários já quase não há ninguém, e as poucas pessoas que restam olham para mim de soslaio.

 

Volto para a piscina a ver se vejo alguém que me possa ajudar - provavelmente não devo ser a primeira pessoa que se esqueceu da combinação do cadeado!

 

Não há ninguém na piscina, mas não consigo perceber se não há mesmo ninguém ou se pelo facto de estar sem óculos e não ver um palmo há frente da cara é que eu não consigo ver a potencial salvação dos meus problemas.

 

Para piorar não tenho roupa nenhuma fora do cacifo, nem uma toalha. O telemóvel também está lá dentro, mas podia pedir o telemóvel de alguém emprestado e ligar ao cara-metade para me vir trazer nem que fosse um roupão. Só que ele está num jantar de amigos bastante longe de onde me encontro.

 

Começo a equacionar sair da piscina e ir a pé para casa só de fato-de-banho. Descalço. A apanhar frio. Sujeito a ser assediado por velhinhas que colocaram demasiado creme hormonal na vagina. Ou preso por ser demasiado sensual.

 

Mas mesmo que fosse para casa depois como é que eu entrava? Tocava à campainha do vizinho e pedia-lhe exílio enquanto o cara-metade não chegasse?

 

Volto ao cadeado.

Bolas, nem que ficasse ali a noite toda a experimentar combinações ia conseguir abrir o raio do bicho.

 

De repente faz-se luz.

030.

E ele abre-se. E eu suspiro de alívio. Nunca mais me hei-de esquecer do raio da combinação.

 

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