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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

04
Ago18

Alguém me Empresta um Comprimido de Fluoxetina sff?


Atenção: Spoiler!

 

Ontem fui à sessão da meia-noite ver com o cara-metade (o nosso arrufo já está quase totalmente perdoado...ufa!) o Mamma Mia! Here We Go Again.

 

Acho que nunca conheci alguém que gostasse tanto do Mamma Mia como ele, que além de ter assistido ao musical em Lisboa e em Londres, viu o filme umas incríveis nove vezes.

 

Por isso a expectativa para este segundo filme era alta, muito alta.

E claro que ele gostou, mas não gostou assim tanto como o primeiro, mas mesmo assim cantou, dançou, chorou um bocadinho que eu bem vi, enquanto que eu, fã em quantidades muito mais moderadas, estava a deprimir na cadeira ao lado.

 

Passo-vos a explicar porquê!

 

Primeiro que tudo, a Donna, personagem interpretada por Meryl Streep, que é a alma do primeiro filme, está morta.

 

Não está de férias, não foi para um retiro na Índia, não foi raptada por extraterrestres, está morta, enterrada possivelmente cremada com as cinzas espalhadas no mar.

 

E isso é deprimente como tudo, porque uma pessoa pensa que vai ver um filme alegre em que irá mandar pipocas pelo ar enquanto faz uma interpretação sentida do Dancing Queen e depois espetam-lhe na fuça que a personagem que mais gostamos esticou o pernil.

 

Ainda por cima não dizem como é que ela morreu.

 

Se fosse esmagada por uma árvore a salvar uma família de cabrinhas uma pessoa chorava mas ficava com aquela sensação de ah que mulher de coragem, mas assim ficamos a remoer se arrancou uma cutícula, aquilo infectou e quando deu por ela já estava com uma septicemia descontrolada.

 

Além da morte da Donna todo o resto do filme está carregado de momentos depressivos. É a tempestade que dá cabo do hotel, são os casais que se encontram separados e a questionar o futuro das suas relações, é a Donna adolescente que dá o pito a três desconhecidos e acaba por ter um filho junto a um cavalo, não sei, tudo é demasiado pesado para o meu frágil sistema nervoso central.

 

Incrivelmente a única pessoa que não parece muito abalada com todo o drama é a mãe de Donna, interpretada pela Cher, que perdeu a filha mas certamente toma um anti-depressivo de oitava geração porque parece não estar nem aí!

 

Segundo, se eu vivesse no universo paralelo do Mamma Mia estava completamente lixado. 

 

É porque toda a gente sabe cantar e dançar e fazer coreografias espectaculares assim sem qualquer aviso.

Eu com os meus dois pés esquerdos e a minha voz de cana de açúcar rachada provavelmente ia-me ser visto fechado numa gruta durante o resto da minha vida.

 

Questiono-me se neste universo paralelo do Mamma Mia não haverá uma espécie de Hunger Games para cantar e dançar, onde todos aqueles que não forem bem sucedidos são eliminados de forma a não estragar a espontaneidade dos momentos musicais que aparecem quais cogumelos selvagens no tronco de um carvalho.

 

Terceiro, Sophie, a filha de Donna, finalmente vai inaugurar o hotel que era a visão da mãe desde que se mudou para a ilha.

 

Isto pode parecer muito bonito e tal, a filha vai realizar o desejo da mãe falecida, mas se tivermos em conta que passaram vinte cinco anos desde que a Donna começou a trabalhar no hotel, é impossível não pensar no que é que ela andou a fazer nestes anos todos?!?!

 

Mas será que demora assim tanto tempo para converter um espaço não tão grande num hotel? Será que ela descobriu as maravilhas dos métodosanticoncepcionais (e nã o, o coito interrompido não conta) e em vez de trabalhar nas remodelações andou a ampliar a sua vagina com uma série de estocadas consecutivas?

 

O pior é quando começamos a pensar se os nossos projectos e sonhos vão ser assim, arrastados interminavelmente pelo tempo e só quando morrermos é que chega alguém que num abrir e fechar de olhos os realiza, esfregando-nos na cara que afinal a culpa das coisas não andarem era nossa.

 

Quarto, a Cher parece mais nova que eu.

 

Sim, é verdade que ela não mexe a cara. Sim, ela parece que sofreu vinte AVC's seguidos. Sim, não há grandes diferenças entre ela e uma boneca insuflável, até os lábios são idênticos.

Mas no fim eu já estou aqui cheio de rugas de expressão e ela está lisinha, imaculada, perfeita.

 

Será que o segredo é esticar tanto a pele que as rugas dão a volta e ficam no rabo onde ninguém as precisa de descobrir?

 

É por estas quatro principais razões que terminei de ver o Mamma Mia! Here We Go Again completamente deprimido.

 

Já revolvi a minha caixa dos medicamentos e não encontrei nada que me pudesse ajudar. Não há nenhuma alma caridosa que tenha um comprimidozinho de fluoxetina que me possa dispensar sff?

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