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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

21
Set18

Actualização do Ponto de Situação Laboral


Como muitos de vocês sabem, há uns dias desabafei aqui sobre como me sentia fracamente motivado no emprego e que isso estava a mexer psicologicamente comigo.

 

Eu sou daquele tipo de pessoas demasiado transparente.

 

Isto é, se estiver chateado com alguém vai-se ver a léguas que eu estou chateado.

Gostava de ter a capacidade de fazer um sorriso, criar conversa e não deixar transparecer os meus sentimentos mas não sou de todo capaz.

 

Eu sou aquela pessoa que imaginem que está a preparar-se para fazer uma reclamação e mentalmente visualiza a forma como vai abordar o tema. Ora eu não consigo manter essa conversa fictícia na minha cabeça, eu faço imensas caretas, os meus lábios mexem-se de acordo com as palavras que imagino, todo o meu corpo vibra de uma forma diferente consoante a energia que eu mentalmente estou a projectar.

 

Isto tudo para dizer que apesar de eu achar que não estava a passar uma vibe de desmotivação (apesar de estar) devia ser mais que óbvio que afinal devia estar a transpirar essa vibe por todos os poros do meu ser (atenção que continuei a trabalhar arduamente e não me deitei a dormir, mas certamente que a minha alteração energética era palpável).

 

Ontem o meu patronato veio-me perguntar se estava tudo bem.

 

Por um lado fiquei satisfeito com essa aproximação, por outro instalou-se em mim um bocadinho de pânico, porque já estava a imaginar que a conversa ficasse pesada e não queria mesmo piorar a forma como me sentia no trabalho.

 

O meu primeiro impulso foi mentir com todos os dentes que tenho na boca e dizer que estava tudo bem, espectacular, sem qualquer problema.

 

Mas depois pensei, então eu ando a queixar-me e depois quando tenho a oportunidade de ser escutado acobardo-me?

 

Mandei tudo cá para fora.

 

Tudo de uma forma ponderada, reflectida, sem alterações de voz nem crises sentimentais. Fui assertivo e tentei o meu melhor para fazer críticas construtivas e não julgamentos de valores ocos e sem pertinência.

 

Disse com todas as letras que por vezes me sentia desmotivado, que às vezes não sabia se valia a pena esforçar-me se o reconhecimento era igual tanto para os que se esforçam como para aqueles que não o fazem.

 

Partilhei as minhas dúvidas sobre se aquele era o meu caminho, mas disse claramente que não pensava mudar de área profissional, apenas duvidava se aquele espaço físico era o correcto para mim.

 

Abordei assuntos como reuniões de equipa e divisões de tarefa que foram prometidos há meses e mesmo anos e nunca foram cumpridos, e o impacto que isso tem numa pessoa.

 

E falei do salário.

 

Que tinha noção da realidade económica da empresa mas que tinha ainda mais noção da minha realidade, e que o dinheiro que levo ao fim do mês para casa em comparação com outros colegas da minha idade que trabalham em outras farmácias é muito menos, uma diferença de 5 centenas de euros.

 

No fim da conversa (sim, que a outra parte também falou, não foi um monólogo) relembrei-me que o patronato também é um ser humano como eu e possui o direito de errar.

 

Porém não deixei de sentir que é obrigação dele motivar os funcionários e estar atento às disparidades que possam existir.

Sim pode errar, mas essa permissão para o erro não invalida as suas obrigações.

 

Os temas que eu abordei, como o salário e as responsabilidades com divisão de tarefas, tudo isso ficou no ar, com algumas promessas e um grande talvez, o que para mim é melhor que um redondo não.

 

Porém não me iludo, porque no passado já se falou e debateu muita coisa que nunca viu a luz do dia.

 

Tenho expectativas que a minha situação melhor mas estou a fazer uma gestão cuidadosa delas, de forma a se elas não se concretizarem o impacto não seja estrondoso.

 

A minha decisão interna está tomada.

 

Nos próximos meses vou dar o litro como nunca dei.

Vou suar motivação de tal forma que hei-de acabar o dia com a bata encharcada.

Vou colocar de forma inequívoca em cima da mesa a minha capacidade enquanto funcionário.

 

Tudo isto sem esquecer que o grande objectivo do meu trabalho é ajudar as pessoas a resolverem os seus problemas, seja uma constipação, um fungo na unha ou um excesso de flacidez no rosto.

 

Se no fim de tudo nada tiver mudado, ou se a mudança tiver sido insignificante comparativamente com o aumento da minha dedicação, então será altura de mudar.

 

Sem medos, sem arrependimentos, sem enésimas questões a assaltar-me a mente.

 

Só devemos criar raízes onde verdadeiramente somos felizes.

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