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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

A Nossa Responsabilidade Virtual

12.11.17, Triptofano!

Antigamente, quando não existia Internet, as pessoas ficavam nas suas caves a destilar ódio contra a sociedade sozinhas.

Hoje em dia, com a facilidade de comunicação que a tecnologia nos trouxe, é mais fácil para essas pessoas rancorosas encontrarem outras, organizarem-se e criarem verdadeiros festivais de ódio virtuais.

 

Todos nós temos direito à nossa opinião, a liberdade de expressão é sim um direito, mas onde é que está a nossa responsabilidade virtual?

A partir de que momento é que começámos a considerar aceitável a utilização do insulto nas redes sociais ou em qualquer outro fórum?

 

O discurso de ódio, contra minorias, maiorias ou pessoas singulares parece que se tornou algo banal - é quase normal uma pessoa emitir uma opinião pejorativa contra alguém apenas porque lhe apetece, ou simplesmente porque outras pessoas o fizeram, e assim o efeito de grupo acaba por escudar a fragilidade individual de quem escreve protegido por um monitor.

 

Mas se na vida real, aquela onde tropeçamos nas pedras da calçada e temos de correr para apanhar o comboio, a maioria se abstém de proferir alarvidades fonéticas, porque é que quando emergem no ecrã de um smartphone, ou de um tablet, se transformam?

 

Antes o álcool era a coragem líquida, agora parece ser a tecnologia a fonte dessa bravura, que torna as pessoas numa espécie de touros enraivecidos prontos a atacar um pano vermelho.

 

Pessoalmente, acho que para muita gente, a transição tecnológica foi feita com demasiada rapidez, o que impossibilitou o desenvolvimento da responsabilidade virtual, uma espécie de ética de circuitos e chips.

 

Se na rua alguém ofender outra pessoa cara a cara, talvez se habilite a levar uma resposta menos simpática ou mesmo um afago facial com mais força.

Mas na Internet, a não ser que rastreiem o nosso IP, estamos seguros para dizer o que quisermos, para ofendermos o quanto nos apetecer. E não percebemos que do outro lado do monitor existe alguém real.

 

Não é um holograma, não é uma inteligência artificial, é uma pessoa de carne e osso que lê as nossas palavras. E que as sente. E normalmente quem escreve "liberta-se", quem lê fica marcado.

 

Escrevi este post depois de ontem ter feito uma maratona a ver Black Mirror.

Para mim uma das melhores séries que já vi, primeiro porque os episódios são todos desconectados, ou seja, não é preciso ver por ordem. Segundo, faz-nos pensar.

 

Pensar em como é que a tecnologia está a avançar mas nós enquanto seres humanos continuamos tão básicos, tão rudimentares, tão pequeninos.

Atrevo-me a dizer que regredimos à mesma velocidade que a tecnologia avança.

 

Em vez de estarmos cada vez mais em contacto com a nossa parte espiritual, a desenvolver a nossa ligação energética com os outros seres humanos, perdemos o nosso humanismo ao sabor das redes wi-fi, enquanto olhamos apenas para o nosso umbigo e nem nos apercebemos que já não somos indivíduos, somos apenas mais um acéfalo comandado por uma ligação virtual.

2 comentários

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    Triptofano!

    13.11.17

    Cara Marquesa eu é que te agradeço a questão que tu levantaste!
    Quando escrevi o texto pensei no acto de libertação como basicamente um descarregar de frustrações, uma espécie de prazer sádico em libertar o ódio usando o teclado como instrumento de tortura, para depois fechar o tampo do computador e fingir-se que nada aconteceu, que as palavras que se escreveram não tiveram qualquer impacto.
    Mas o que escreves é completamente verdade, a derradeira liberdade é sermos felizes com a pessoa que somos e aceitarmos e respeitarmos a felicidade das outras pessoas! Porque será tão difícil para algumas pessoas serem livres?
    Um beijinho
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