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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

A Morte de O.Puro

08.10.19, Triptofano!

Olá amig@s do Trip!

Espero que todos estejam bem e que continuem fielmente a seguir as novidades que ele vos vai deixando por aqui!

Hoje, e a seu pedido, cabe-me a mim fazer algo de – ao mesmo tempo – habitual e absolutamente novo aqui no blog. É uma espécie de uma crítica gastronómica que dispõe para o futuro, ou melhor, que fica para memória futura.

Há dias, visitei o Restaurante O.Puro em Alcochete, onde fui propositadamente desde Lisboa. E bem que vos digo que servirá para memória futura uma vez que O.Puro fechou portas tem cerca de uma semana.

É muito pouco habitual (será a primeira vez!?) escrever-se aqui sobre um restaurante que fechou portas entretanto e, não por uma questão de preguiça na redação da crítica, mas antes porque O.Puro publicou o seu fecho, a meu ver, numa consciente tomada de decisão e sensatez. Vamos a factos.

O Restaurante O.Puro ficava na Rua do Diário de Notícias, bem no centro de Alcochete, ali ao pé do Barrete Verde. Bafejado pelas suas boas energias, era um restaurante com gente jovem, desta onda bio, empreendedora, sustentável e respeitosa para com os produtos que transforma, e ainda com muitas promessas para cumprir e sonhos para alcançar.

Em tudo havia uma técnica culinária inacreditavelmente desenvolvida, sólida, e alinhada com os princípios do O.Puro.

Parece-me até que foi esta técnica e o que por ela se cobrava, a localização, o arrojo de sabores que anunciaram a morte do O.Puro. Teriam os Alcochetanos capacidade de investir em cultura gastronómica? Seriam eles os clientes a atingir com o conceito? Aqui bem às portas de Lisboa, teria este restaurante vingado na capital? Não deixa de ser um interessante estudo de caso.

Mas, à comida, rapazes…! O.Puro trabalhava com ingredientes da época, vinhos biodinâmicos (e que carta de vinhos…), tinha um mural de plantas vivas e mudava a carta regularmente.

Comecei a refeição com uma trilogia de pães, todos eles de fermentação natural. Beterraba, espelta e trigo barbela que haviam de se encher de manteiga de mostarda, outra de flor de sal e outra de mojito (com traços muito suaves e agradáveis de hortelã). O Azeite Virgem Extra de Trás-os-Montes, com notas adstringentes de frutos secos, anunciavam, qual corneta real, a chegada de um momento ímpar. Mas… há sempre um mas.

O.Puro

Como entrada (e aqui há que fazer uma ressalva ao bom gosto da louça utilizada no O.Puro), optei por um Brulée de tomate, com queijinho do bom na base, e um incrível tomate confitado servido por cima, originando um arraial de sabores na minha boca e onde a mistura de tudo só melhorava ainda mais o prato

O.Puro

Passado ao prato principal, a corneta perdeu o fôlego. Escolhi um lombo de vaca fumado com gnocci de batata violeta, mostarda e pipocas que, diga-se, deixou um pouco a prometer. Apesar do ponto certo da carne, que mostra domínio da peça, faltava algum tempero e o sabor a fumado era bastante evidente para o sabor que a peça já tinha, o que a desequilibrava nalguma medida.

O.Puro

Para a sobremesa, acabar como comecei. Um triffle de Mojito (espuma de coco, granita de hortelã e um biscuit) agradavelmente fresco e com todos os sabores do Mojito presentes foram o pré-fecho ideal da refeição.

O.Puro

Para finalizar, faltava o café. Já que o lombo fumado tinha deixado algumas dúvidas, resolvi em dar mais uma chance ao fumado e pedir um café, também ele, fumado. O sabor era agradável mas, pronto, não passava muito de um café.

Para a história fica uma refeição com muita solidez culinária, numa localização que pouco aproveitou e reconheceu o potencial do O.Puro. Parece-me até que – e fruto de outras visitas passadas – Alcochete está a perder fôlego na atratividade e fixação de restaurantes. Lá para os lados do O.Puro é o terceiro restaurante a fechar num curto espaço de tempo.

Alterações de gostos?

O Cara Metade

 

Restaurante O. Puro Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

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