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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

A minha visita ao Oftalmologista

24.07.19, Triptofano!

Há 32 anos que vou ao mesmo oftalmologista, sendo que foi este médico que me operou ainda bebé a um quisto que tinha num olho.

De dois em dois, ou de três em três anos, lá vou eu para perceber se estou mais míope ou se me apareceu alguma coisa nova na vista (da última vez descobri que tinha astigmatismo).

O processo nunca muda.

Cumprimentar o senhor doutor que está sempre na mesma o que me faz desconfiar que ele anda a dar no botox ou a ingerir caixas e caixas daquele suplemento do Cogumelo do Tempo.

Enfiar a cara numa maquineta que faz um barulho tipo metralhadora em slow-motion enquanto olho para um barquito que vai ficando mais ou menos focado ao mesmo tempo que ouço a respiração pesada do senhor doutor, que nunca sei se é um sinal de que ele devia cortar no tabaco ou que descobriu que estou a um passo de ficar cego e depois só posso ver pornografia em braille.

No fim, sentar-me de frente para aquele famoso quadro com as letras de vários tamanhos e ir experimentando lentes para decidir com qual eu vejo melhor.

Um pequeno aparte antes de terminar a história, é engraçado como é que o nosso cérebro armazena informações.

Quando o médico estava a trocar-me as lentes a mão dele roçou na minha cara, e a minha rede neuronal reconheceu aquele toque como familiar, provavelmente de quando ele me operou quando era bebé.

Ou talvez eu esteja a tentar romantizar a coisa e devesse era tomar qualquer coisa que controlasse esta libido que eu tenho por homens mais velhos.

Mas voltando às lentes: a minha mãe sempre que eu lhe digo que vou ao oftalmologista inferniza-me para que eu demore o tempo que for preciso para compreender com qual lente vejo melhor.

Se for 1 minuto é 1 minuto, se forem 10 são 10.

Para não ter vergonha de pedir ao senhor doutor para pôr e tirar e pôr e tirar e pôr e tirar as vezes que forem necessárias! (no momento em que acabei de escrever esta frase compreendi o quão depravado ela pode soar...)

Decidi que iria acatar o conselho da senhora minha mãe e ia levar o meu tempo.

A primeira lente foi fácil, a diferença era enorme. A segunda também foi canja, porque aquele C do início afinal era um E.

Agora a terceira e a quarta é que foram mais complicadas porque não notava grandes diferenças. Resolvi focar-me na primeira letra da linha que era um H, mas que eu via com uma das pernas de cima desfocadas.

O estranho é que não havia lente que me fizesse ver melhor o raio do H.

As outras letras todas estavam nítidas, mas aquele H continuava com a perna desfocada.

Pedi umas dez vezes para o senhor doutor ir trocando as lentes para eu compreender com qual via melhor, e das dez vezes fiquei assim com a boca meio aberta, com um ar de dúvida estampado na cara, sem conseguir tomar uma decisão.

Quando finalmente o médico pergunta-me se eu estava com algum problema respondo-lhe que o problema é o H, que não consigo ver com nitidez uma das pernas!

Ah, não olhe para essa letra - responde-me ele - o quadro é antigo e uma das pernas já está desbotada....!

 

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