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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

30
Jan18

A minha verdadeira vocação profissional


O meu pai, antes de se reformar, pertencia à Polícia de Segurança Pública, trabalho ao qual se dedicou de corpo e alma durante muitas décadas.

 

Foi um trabalho árduo, que lhe custou centenas de horas de sono a fazer gratificados de forma a poder trazer algum rendimento extra para casa. Com o passar dos anos foi subindo na carreira hierárquica, sempre por mérito próprio e graças a um empenho incrível nos estudos, o que lhe permitiu ter um final de carreira mais tranquila.

 

Nem ele nem a minha mãe nunca me incentivaram a seguir a carreira policial. Que era um trabalho desgastante, que eu poderia ter boas condições de vida noutra profissão de menos risco, e por isso acabei por seguir a área das ciências.

 

Mas hoje compreendo que eles já sabiam era do rabeta do filho que tinham em casa e estavam a ver se me conseguiam proteger das tentações. Esta iluminação veio após ver o videoclip da Valesca Popozuda - Viado, que me mostrou que estou no caminho errado.

 

Pessoal, por favor vejam o vídeo, tirem o som se não quiserem ouvir o voz da Valesca, mas atentem nos detalhes desta mini produção cinematográfica para perceberem melhor do que eu falo.

 

 

 

A minha verdadeira vocação profissional é ser polícia, pelo menos polícia no Brasil. Porque de acordo com o videoclip da Popozuda só há vantagens em seguir esta carreira.

 

Primeiro a Valesca deve receber um ordenado upa-upa. Porque ela acaba por conciliar dois trabalhos num só, ela faz trabalho de policial na rua e é guarda-prisional, o que no fim do mês deve-lhe permitir comprar muitas roupitas sensuais.

Agora como é que a prisão funciona quando ela tem de ir fazer a ronda pela cidade? Pois isso é uma questão para ser abordada noutra altura.

 

Depois, é visível que a moça obteve uma formação rigorosíssima por parte das forças de segurança brasileiras - onde é que já viram cá em Portugal alguém a fazer uma detenção de um perigoso criminoso e ao mesmo tempo, de forma hábil, despir o sacana quase integralmente de forma a perceber se ele não tem nenhuma arma oculta? Não é para todos!

 

Além disso, poderia haver alguma reticência por parte da V. em fazer a inspecção nos balneários, já que é do senso comum que os prisioneiros gostam de enfiar telemóveis e pacotes de doritos nas extremidades mais recônditas, e apenas um profissional empenhado é que se aventura por túneis sem luz em prol do bem comum (todos nós sabemos que os doritos podem esquartejar uma garganta com aquelas pontas afiadas, e depois como é que era?).

 

Muito se fala na inclusão dos prisioneiros na sociedade, e sabemos que infelizmente muitos saem da prisão sem grandes esperanças de reintegração.

 

Mas não é o que o videoclip mostra.

Valesca Popozuda, além de dar o corpo às balas, percebe que há mais na vida do que o trabalho, por isso nas horas de pausa, em vez de ir para o Tinder ou para o Badoo, aposta na vertente social.

 

E faz shows (de referir que eu ficava mais sensual que ela naquela roupita mas pronto) onde dá oportunidade a meia dúzia de reclusos de treinarem os seus passos de dança, de forma a reforçarem as suas competências que podem usar lá fora. Quando forem libertados, estes homens suados de esforço, podem emigrar para Portugal e virem rebolar a pélvis para entreter a multidão enquanto a Rebeca encanta com os seus dotes musicais. Se forem muito bons, mas muito bons mesmo, poderão um dia até estar num palco com a Ana Malhoa - mas isso já é um sonho um pouco mais difícil de concretizar.

 

Quem não tiver pé para dançar, pode integrar o grupo de percussão do presídio, e afinfar no tambor e similares, de forma a poder empregar-se em qualquer fanfarra desse mundo fora.

Infelizmente a minha experiência com a percussão não foi tão interessante como a que é exibida no vídeo musical, o que de alguma forma me tranquiliza, já que não tenho salário para pagar os estragos que faria por martelar com demasiada força devido à excitação que o meio ambiente me provocaria.

 

No entanto, nem tudo é perfeito para a Valesca e eu sei que ela certamente sofre por não ter meios para ajudar os pobres dos reclusos.

 

Primeiro, há certamente uma carência de hidratos de carbono naquele estabelecimento. É impensável que todos os jovens encarcerados estejam magrinhos e musculados por sua própria vontade, o que me faz pensar que eles não sabem o que é uma batata para lá de mês e meio. Ao invés devem ser alimentados com batidos hiper-proteicos o que lhes vai dar cabo dos rins antes de chegaram aos 40.

 

Não é também normal que, entre toda a população residente apenas um ou dois tenham camisolas para vestir. Será que os fundos federais não chegam para tapar os abdominais dos jovens? Ou estaremos perante uma vaga de calor tão arrasadora que a única solução é estar o mais despido possível?

 

Por isso eu aqui lanço um apelo.

 

Vamos organizar-nos em grupos de voluntários. Não há necessidade de termos de ir trabalhar para lá permanentemente (nem pensem em roubar-me a vaga ouviram?), mas podemos fazer uma recolha de fundos para conseguirmos comprar camisolas para levar aos moços.

Ou no caso do problema ser o calor levamos arcas de campismo cheias de cubos de gelo, que poderemos derreter lentamente nos peitorais escaldados daqueles pobres indivíduos esquecidos pela sociedade.

 

Tudo em prol dos direitos humanos!

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