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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

07
Dez17

A minha prenda de anos


Todos os anos o cara-metade queixa-se que é um castigo oferecer-me uma prenda. Isto pelo facto de eu basicamente nunca nutrir o desejo por algo em especial.

 

Este ano não foi diferente, sendo que faltava ainda um mês para a data e já ele me perguntava o que eu queria. Invariavelmente a minha resposta é que não precisava de nada, já tinha tudo o que me fazia falta.

 

Obviamente que de vez em quando sonho com um novo computador ou telemóvel, mas além de serem itens extremamente caros na verdade não preciso de nenhum deles, os que tenho ainda estão para as curvas e nos tempos em que vivemos não há cá espaço para caprichos.

 

Só que o cara-metade queria mesmo oferecer-me uma prenda, por isso depois de muita insistência da parte dele e de muito pensar da minha parte, disse-lhe que havia algo que eu achava piada mas nunca tinha tido a oportunidade de comprar. E essa coisa era um cockring.

 

Para quem não sabe o que é, o cockring é basicamente um anel para o pénis, que é colocado na base do mesmo. Pode ser feito de vários materiais (borracha, metal, cabedal) e tem diversos objectivos, sendo o mais comum o prolongamento da erecção e aumento da sua rigidez. 

 

Para mim, simplesmente achava piada em ter um, felizmente as minhas erecções estão saudáveis e recomendam-se mas também nunca neguei uma ajuda extra.

 

O cara-metade torceu um bocadinho o nariz, especialmente quando eu lhe disse que era preciso fazer umas medições para poder acertar no tamanho do anel, e eu convenci-me que ele iria pesquisar por outra prenda. Ainda para mais, como nos dias que se seguiram ele não apareceu ao pé de mim com nenhuma fita métrica mais seguro fiquei que ele tinha optado por outra solução.

 

Ora qual o meu espanto quando, no dia dos meus anos, ele presenteia-me não com um, não com dois, mas com três cockrings feitos de metal. Tudo isto para não ter trabalho em tirar-me as medidas (homens são mesmo uma espécie preguiçosa!).

 

 A minha primeira impressão dos bichos foi que eram mais pesados que eu tinha pensado, na realidade quase que dava para ir jogar à malha com eles e meter inveja aos velhotes que estão sempre ao pé do mercado em galhofeiras competições.

 

Estava eu a tentar perceber qual seria o tamanho correcto para mim quando o cara-metade começa a debitar-me a informação que a senhora da loja onde ele os foi comprar lhe tinha passado.

 

Primeiro, para segurança dos meus genitais, só podia usar o anel no máximo durante vinte minutos de cada vez.

Confesso que fiquei um pouco desapontado, porque uma das minhas fantasias, chamemos-lhe assim, era ir trabalhar com ele posto.

Não me perguntem porque é que eu gostaria de o fazer, acho que era fofinho sei lá. Mas pronto, vinte minutos muitas vezes não me dá sequer para chegar ao comboio, quanto mais ao trabalho.

 

Em segundo, se enquanto o tivesse posto sentisse um dos testículos a ficar muito frio ou notasse que ela estava a obter uma tonalidade azul tinha que o retirar imediatamente, porque senão poderia ficar sem ele.

E caso não conseguisse logo tirar o anel, a melhor forma seria colocar água fria ou mesmo gelo na zona genital para diminuir o inchaço.

 

Ora uma coisa que acho que todos os homens não querem pensar é na hipótese de ficarem órfãos de testículo. Porque pronto, eles estão ali pendurados, sem chatear ninguém, porque raio haveria de um deles cometer suicídio e deixar o outro abandonado à sua sorte?

 

Ainda estava eu a pensar em como seria o procedimento para me retirarem um testículo morto por hipotermia quando o cara-metade me diz que para colocar o anel é necessário primeiro muita lubrificação.

Começa-se então passando um testículo, depois o outro e no fim pega-se no pénis, e como se ele fosse uma lampreia escorregadia faz-se com que ele passe através do aro.

 

Pois minha gente, neste momento da descrição toda a minha excitação em experimentar o novo brinquedo foi-se.

Porque eu gosto muito do meu pénis, tenho apreço por ele, afinal é um companheiro de vida.

E olhar para ele como se fosse uma lampreia escorregadia não dá para mim.

Por muito que tente é uma imagem que não encaixa.

E pensar nele como uma enguia oleada também não é a melhor solução.

 

Se ainda fosse como um Calippo de morango derretido a coisa talvez ainda passasse, mas assim não compro a ideia.

 

Fiquei muito agradecido ao cara-metade por me ter oferecido aquilo que eu queria, eu é que me apercebi que afinal se calhar estou muito velho para o mundo fetichista.

Ou talvez devesse ter pedido para ele me comprar um daqueles de cabedal com botõezinhos.

Pelo menos tinha a certeza que se a minha lampreia começasse a deixar de respirar sempre conseguia resolver o assunto sem ter que ligar para o INEM.

 

 

112 qual é a sua emergência?

 

 

 

Ah pois e tal, é que eu acho que sufoquei acidentalmente a minha piloca....

 

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