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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

05
Fev18

A melhor sopa que alguma vez comi


Lisboa está na moda. Na realidade Portugal está na moda.

 

E graças a este estatuto recém-adquirido de país celebridade a oferta gastronómica mais que duplicou. Em cada espaço livre multiplicam-se os restaurantes, as estrelas Michelin reproduzem-se, há cada vez mais Chefs de renome e o termo cozinha de autor passou a estar na boca de todos.

 

Comer já é muito mais do que a satisfação de uma necessidade básica. É uma experiência, e todos andamos à procura daquela refeição que nos vai ficar na memória durante meses a fio, quiçá anos.

 

Nos restaurantes os pratos apresentados cada vez tem elementos de complexidade maior.

Espumas, esferas, fumos, truques de ilusionismo, cozinha molecular, sous-vide, fusões culturais, minimalismos maximizados no sabor, tudo vale para atrair e impressionar os clientes. 

 

O que acaba por criar um fosso similar ao que existe no Brasil entre as classes sociais; há os restaurantes de topo onde facilmente deixamos numa noite meio salário mínimo, e os mais simples e carteira-friendly que são classificados como espaços para enganar a fome, e onde ninguém espera nenhuma iguaria digna de recordação.

 

Mas fazer generalizações é perigoso, e prova disso foi que a melhor sopa que alguma vez comi na vida foi num restaurante que não aparece em guias especializados nem é taggado em múltiplas fotos no Instagram.

 

O Restaurante de Aplicação da Escola Profissional Alda Brandão de Vasconcelos no Hotel Sarrazola House é um local despretensioso, simples mas acolhedor, onde alunos do décimo ao décimo segundo ano de diversos cursos profissionais colocam em prática os conhecimentos adquiridos nas aulas.

 

Todas as terças e quintas-feiras servem almoços, mas na primeira sexta-feira de cada mês há um jantar temático.

 

Entre amigos deliciei-me com vários pratos carregados da identidade cultural argentina, num regime buffet.

 

No meu prato desfilaram empanadas tucumanas, locro de galinha (um prato tipicamente comido no 25 de Maio), chipá de provolone com tomate confitado, choripán com compota de cebola roxa e aioli, pionono, alfajor (uma bolacha recheada com doce de leite) e pastafrola (uma tarte de marmelada), tudo acompanhado com um aromático chá de erva mate, tão típico daquela região.

 

Mas o melhor foi a sopa. A Sopa de Puchero não é apenas uma sopa, é uma refeição completa por si só. Com uma base de legumes, é enriquecida com pernil, morcela e acelga, sendo acompanhada por maçaroca de milho grelhada.

 

WP_20180202_21_07_48_Pro.jpg

 

E não fui apenas eu que me rendi aos sabores de um prato que costuma ser catalogado como desinteressante - quantos de nós não torcem o nariz quando alguém sugere uma entrada de sopa num restaurante?

 

Os meus amigos adoraram, sorvendo cada gota até ao final. Uma delas, genuína não-apreciadora de morcela, não cabia em si de espanto pelo facto de tal enchido lhe saber pela vida. Até a bebé que nos acompanhava largou um grande sorriso ao provar meia colher de tamanha iguaria.

 

Diz o Chef que o segredo é o facto da água que se usa na confecção do prato ser a mesma da cozedura das carnes, o que enriquece o prato em termos de deslumbramento do palato.

 

Para mim o amor e a dedicação também devem ter um papel fulcral no resultado final.

 

Mas o mais importante é descobrir que as maiores surpresas podem vir dos locais menos esperados, e que as melhores experiências não necessitam obrigatoriamente de ser as mais publicitadas.

Sarrazola House Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

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