Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

20
Nov18

A importância de ser visível


Volta e meio ouço alguém dizer, ou leio em algum sítio, que não percebe a questão da visibilidade dos homossexuais.

 

Que não compreendem porque é que existe uma marcha do Orgulho Gay quando não existe uma marcha do Orgulho Heterossexual.

 

E que não faz sentido que as pessoas tenham de andar para aí a fazer o Coming Out já que a sexualidade deve ser algo de privado e não esfregado na cara das outras pessoas.

 

E eu gostava muito, mas muito mesmo, de poder concordar com essas pessoas.

 

De dizer que a marcha gay era algo obsoleto, que assumir a orientação sexual a todo o mundo era só para vender revistas, mas infelizmente não posso.

 

Simplesmente porque apesar de tudo continua a ser de extrema importância ser-se visível.

 

Hoje, quando acabei de nadar, encontrei no balneário o grupo de seniores do costume, que habitualmente falam de política, ou do tempo da guerra colonial, ou de piadas sem grande piada mas que fazem com que todos se riam com mais ou menos vontade.

 

Só que desta vez o tema eram os paneleiros.

 

Que nunca se deviam casar, que não tinham nada contra eles (felizmente que neste país maravilhoso nunca ninguém tem nada contra ninguém, o que seria se tivessem...) mas que não deviam andar a exibir-se em público, que andar aos beijos ou de mão dada era só mesmo para provocar as pessoas, que agora andam todos a assumir-se como gays e é mais moda do que outra coisa, que já existia um lobby contra os heterossexuais....

 

Conclusão, ninguém tem nada contra os homossexuais desde que basicamente eles não existam publicamente, que se faça tudo às escondidas e que com alguma sorte ainda tenham casamentos de fachada e as aventuras desviantes sejam feitas pelas sombras.

 

É por isto que é tão importante a visibilidade homossexual.

 

Não é uma questão de querer esfregar na cara dos outros a nossa sexualidade, mas sim de saber que temos o direito de optar entre mantermos a nossa vida pessoal privada ou decidir que a queremos viver publicamente.

 

Não é termos de nos sujeitar às decisões de terceiros sobre como é que vamos viver a nossa vida, não é voltar à era da clandestinidade homo-amorosa.

 

Assumir a homossexualidade é uma forma de garantirmos que não chega um extremista que de um momento para o outro silencia por completo a nossa voz.

 

É não darmos espaço e força a quem vive incomodado com a nossa existência em vez de se preocupar com a sua vida.

 

E o orgulho gay não é orgulho em ser-se homossexual.

 

É orgulho em ser-se diferente numa sociedade que tendencialmente não aceita a diferença e não se ter medo de existir em toda a plenitude.

 

É não baixar a cabeça quando se ouvem comentários ignorantes que apenas tem o intuito de ferir e humilhar.

 

É sorrir com toda a força do nosso ser e ter pena, ter pena de todos aqueles que sofrem da doença chamada ignorância, doença para a qual há cura, mas muito poucos estão dispostos a receber tratamento!

3 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D