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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

21
Fev18

A difícil tarefa de fazer rir


Uma das grandes vantagens de ser farmacêutico é volta e meia ser convidado para umas formações originais por parte da indústria farmacêutica.

 

Ontem, após a apresentação da praxe dos produtos de um certo e determinado laboratório, eu e mais meia centena de colegas de profissão, fomos brindados com um espectáculo de Improvisação.

 

Marco Martin e Marco Graça, dos Instantâneos, vestiam a camisola da Planeta Impro, uma companhia espanhola de improvisação teatral, que terá contratado os dois actores e entregado-lhes em mão a difícil tarefa de fazer rir.

 

Sim, porque fazer rir alguém desconhecido é muito mais complicado que fazer chorar. Uma história triste facilmente encontra identificação por parte da audiência, já que nós enquanto povo temos a "extraordinária" capacidade de menosprezar o que de bom nos acontece e empolar o que de mau nos bate à porta.

 

Fazer rir, com uma piada inteligente, sem recorrer à piada fácil, preconceituosa, carregada de palavrões, é uma arte. Colocar um sorriso na cara da pessoa sisuda e cansada de um longo dia de trabalho é um dom.

 

Infelizmente ainda há muitos que consideram que quem domina este ofício do fazer rir é um mero tontinho sem outras capacidades intelectuais - mesmo que não o digam directamente é recorrente este tipo de pensamento. É como se ser actor de comédia fosse menos digno ou menos complicado que representar uma história dramática passível de causar desidratação por excesso de choro.

 

No improviso, o nível de dificuldade aumenta porque não há guiões, não há nenhum ponto a sussurrar as deixas esquecidas. Tudo sai da imaginação dos artistas que pisam o palco e enfrentam dezenas de pares de olhos expectantes.

 

Marco e Marco saíram-se fenomenalmente bem, roubando de forma descarada gargalhadas à plateia. Mas as coisas podiam ter sido ainda mais bem sucedidas, se quem assistia tivesse tido um papel mais cooperante.

 

Em vários momentos foi-nos pedido o auxílio na construção do espectáculo - afinal se é um espectáculo de improviso alguém tem de criar o material para se improvisar acerca de.

Escrever histórias complicadas passadas na farmácia, relatar frases engraçadas que nos tenham marcado, descrever os piores e os melhores clientes que poderíamos ter, ser chamado ao palco para lançar palavras aleatórias de forma a mudar o rumo da história improvisada - foram essas algumas das tarefas com que nos desafiaram.

 

E eu fiquei na dúvida se Marco e Marco tinham findado o espectáculo interiorizando a ideia que a classe farmacêutica era monótona e aborrecida. Porque, salvo algumas excepções, a maior parte das interacções não tinha piada, dificultando em muito a vida dos profissionais do riso.

 

Não sei se as pessoas se levam demasiado a sério, se tem medo que uma piada lhes possa denegrir a imagem de profissional respeitável, ou o que raio aconteceu, mas fiquei ligeiramente desapontado com os meus colegas.

 

A certo momento questionaram-nos porque é que tínhamos escolhido o curso - de forma a criar uma nova improvisação. E as respostas foram politicamente correctas, desde o mudar a vida das pessoas ao bem da comunidade, parecia que estava era num concurso para eleger a nova Miss Universo.

 

Nesse momento não aguentei e gritei do meu lugar um "Para comprar antibióticos sem precisar de receita!".

Todas as pessoas se riram. Pareceu-me que Marco e Marco soltaram um suspiro de alívio.

 

E eu fiquei feliz por mostrar que havia farmacêuticos que também sabiam fazer rir!

 

P.S: Sou um farmacêutico responsável e apenas compro antibióticos com receita médica, o exemplo era meramente ficcional 

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