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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

A Confissão

10.05.19, Triptofano!

Sei que vão ficar chateados comigo, desapontados, desiludidos, com vontade de enviar-me vírus daqueles que congelam o ecrã do computador de uma pessoa e fazem aparecer uma avestruz aos gritos, mas tenho de confessar-vos uma coisa.

Eu, aquela pessoa que está sempre a motivar-vos para cuidarem da vossa saúde, já não ia ao médico de família há mais de uma década, o que significa nada de análises nem electrocardiogramas nem nada de nada.

Posso estar aqui a morrer aos bocados por dentro que não faço a mínima ideia, simplesmente porque sempre senti-me bem e ignorei algo muito importante que é a prevenção!

Como já escrevi aqui no blog tive uma crise de costas há uns tempos que fez com que ficasse de cama um bom par de dias, e apesar de já ter recuperado não fiquei a 100%, porque se passo muito tempo de pé começa-me a doer a perna esquerda juntamente com uma sensação de formigueiro e dormência.

Por causa disso resolvi ir ao centro de saúde (a última vez que lá entrei nem 20 anos devia ter), tendo marcado uma consulta de recurso pela Internet, porque médico de família é mentira.

Não posso falar mal do processo, consegui uma consulta em tempo útil e atenderam-me bastante rápido, sendo que não tive esperar mais que 10 minutos desde o momento em que entrei no centro até que me sentei no gabinete médico.

Agora a consulta médica é que não foi aquilo que eu esperava. Não é que não tenha sido boa, mas fez-me recordar porque é que evito ir aos médicos.

Obviamente que existem excepções, mas sinto que ir ao médico é o mesmo que ter um parto difícil, as coisas não fluem, nós é que temos quase de puxar pelo profissional de saúde quando devia ser ele a conduzir a conversa e a deixar-nos mais à vontade.

Saí do consultório com um electrocardiograma, uma TAC à coluna e uma mão cheia de análises, além de um medicamento para a dor na perna, medicamento este que eu quase tive de propor ao médico que me passasse, porque por ele ia fazer os exames e até lá aguentasse a dor.

Agora aquilo que eu não percebo são as análises que ele me passou.

Colesterol, glicémia, hemograma, ácido úrico, nada de triglicéridos nem tiróide, mas o mais escandaloso foi que não equacionou sequer passar-me um rastreio a doenças sexualmente transmissíveis.

Bolas, eu sei que infelizmente a maior parte dos médicos acha que a partir dos 60 anos as pessoas morrem para a sexualidade, o que é uma grande idiotice, mas eu dizer-lhe que não faço análises há anos, estar na casa dos 30, e ele nem sequer passar-me o despiste do HIV para mim é escandaloso.

Felizmente que existem associações que fazem este tipo de testes de forma gratuita, porque já percebi que não podemos contar a 100% com os médicos do SNS.

E sim, eu podia ter pedido para ele passar-me as análises e certamente ele não se negaria, mas não deveria ser da obrigação do profissional e para bem da saúde pública rastrear todos os utentes?

2 comentários

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    Triptofano!

    10.05.19

    Acho ridículo, nos dias de hoje, em que tanto se batalha para todas as pessoas serem conhecedoras do seu estado serológico, que ainda tenha de ser o utente a pedinchar para que lhe passem o exame para o HIV.
    Preferem poupar dinheiro nos testes mas depois gastarem o dobro ou o triplo em medicação para o tratamento da infecção!
    Perder o médico de família também é algo muito normal, a zona onde eu estou registado é uma das mais populosas de Lisboa, por isso muita gente não tem médico de família, os meus pais incluídos
    Os médicos são humanos como nós, e todos temos bons e maus dias, mas é uma profissão onde é preciso e deveria haver sempre uma dose extra de paciência e carinho para os utentes - mas infelizmente para ser-se médico é preciso média e não vocação propriamente dita
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