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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

19
Mai18

5 Nomes de Medicamentos que Deveriam ser Repensados


Trabalhar numa farmácia é uma alegria.

 

Os utentes, por eles só, conseguem trocar os nomes de todos os medicamentos, inventar doenças nunca antes imaginadas e colocar as nossas capacidades de adivinhação à prova, entregando-nos comprimidos branquinhos sem qualquer marca ou pedaços de caixa onde apenas figura o lote, esperando que sejamos capazes de descobrir que medicamento é aquele.

 

Às vezes penso em mandar uma carta para a Reitoria de Lisboa exigindo que façam uma reformulação no curso de Ciências Farmacêuticas, passando a ser cadeira obrigatória a leitura da bola de cristal e o arremesso das cartas de Tarot.

 

Assim como assim, tendo em conta a crise do sector, em vez de emigrar, o jovem farmacêutico desempregado poderia ser contratado como assistente da Maria Helena, benzendo todas as quinquilharias que ela compra na loja dos chineses com um soluto de Dakin ou coisa similar!

 

Se uma pessoa tivesse de lidar apenas com a criatividade dos utente, era uma coisa, o grande problema é quando a indústria farmacêutica ajuda à festa e decide apelidar os seus produtos com nomes sugestivos.

 

Eis cinco medicamentos cujos nomes deveriam ser repensados urgentemente:

 

Zumba - Para ser franco já não há problemas com este medicamento, visto que ele foi descontinuado, mas ainda me lembro de me virem pedir o belo do Zumba.

 

Se nos dias de hoje ainda poderia haver dúvidas se o utente estava a referir-se à nova aula do ginásio onde só vai para ver as jeitosas todas suadas, antigamente um homem que viesse pedir um Zumba é porque tinha esperanças de dar umas cambalhotas.

 

Normalmente também comprava uns preservativos e se fosse assim um primeiro encontro, levava no saco (ainda se davam sacos de plástico, não precisava de levar no pacote) um creme depilatório para ficar todo apresentável.

 

Se o creme depilatório fosse adquirido alguns dias depois do Zumba, então é porque além da cambalhota o utente tinha sido contemplado com alguns chatos!

 

Será que o nome deste medicamente foi inspirado na canção da Tonicha?

 

"Ora zumba na caneca, Ora na caneca zumba, O diabo da caneca, Toda a noite catrapumba."

 

Invega - Não há mal nenhum neste nome, isto claro se houvesse a esperança que a maioria dos utentes dedicasse algum tempo a compreender o que realmente está escrito na embalagem.

 

Não há mês que não me apareça alguém a pedir Inveja!

 

E depois é Inveja a 3, Inveja a 6, Inveja a 9 - felizmente que não há dosagens mais altas, porque a inveja é um pecado mortal e com Inveja a 128 certamente que se seria recambiado directamente para o Inferno.

 

Kainever - Mais um medicamento que foi inspirado numa canção, mas neste caso do José Cid.

 

"Cai neve em Nova Iorque, Há sol no meu país, Faz-me falta Lisboa, P'ra me sentir feliz."

 

Podem não acreditar mas já tive um utente a cantar esta canção depois de me pedir um Kainever.

 

Não posso dizer que tivesse uma voz muito má, mas alegro-me pelo facto de não se ter despido como o José Cid fez para a capa do seu álbum. Para azar dele não tinha receita, por isso teve que se contentar com uma valeriana.

 

Janumet - Oh Doutor, Já não meto não senhor, que isto da Diabetes deu cabo do tesão de um homem. Claro que ainda podia ir lá com os dedos, mas as artroses dão cabo de mim. 

 

Típico utente a quem faríamos uma venda cruzada de Zumba e de um anti-depressivo, o segundo para entregar à pessoa que tivesse o infortúnio de ir para a cama com tal personagem.

 

 

Ebixa - Este maravilhoso medicamento para o Alzheimer deveria ser descontinuado o mais rapidamente possível, não pela falta de eficácia ou qualquer outro problema, mas porque ninguém merece ouvir piadas acerca do nome do mesmo.

 

Um dia apresentei o produto a uma senhora, que depois de olhar compenetradamente para o mesmo durante uns dois minutos, fita-me com um ar muito sério e pergunta-me:

 

É bicha????

 

Eu sei que não me devia ofender com este tipo de perguntas, mas se ela quisesse saber detalhes da minha vida privada que viesse ler aqui ao blog, por isso não lhe respondi.

 

Certo é que da vez seguinte já levou com o genérico que foi para não fazer piadinhas acerca do meu jeito efeminado!

 

 

Sabem o que vos digo? Farmacêutico sofre!

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