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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Na Pele do Triptofano - Nuxe Nuxuriance Ultra Creme de Noite

31.03.21, Triptofano!

Esse creme é para uma pele a partir dos 50 anos, porque é que estás a usar agora?

Não devias usar cremes tão fortes, depois a pele habitua-se e ficas tramado!

Na Pele do Triptofano - Nuxe Nuxuriance Ultra Creme de Noite

Estas foram duas pérolas com que uma pseudo entendida em cosmética me brindou quando lhe disse que um dos meus cremes SOS de noite era o Nuxe Nuxuriance Ultra Creme de Noite.

Eu até me considero uma pessoa simpática, tranquila, sem grandes instintos homicidas, mas quando alguém ver ter comigo via redes sociais e cinco minutos depois começa a armar-se em chica esperta, todo eu sou possuído pelo espírito do Mercado do Bolhão e há um auto-controlo ao qual eu tenho de apelar para evitar enfiar uma sardinha na fuça da pessoa.

Esta moça, detentora de um Instagram assim com alguns seguidores que vibram cada vez que ela coloca uma base três tons mais escuro que é suposto no seu maravilhoso rosto, veio muito delicada, muito amorosa, dizer que me adorava, que eu era fantástico, que tinha todo um à vontade extraordinário e que de certeza que havia de ser canonizado quando morresse.

Pronto talvez esteja a exagerar um bocadinho, mas se não for eu a falar bem de mim está visto que mais ninguém o faz.

Depois da conversa da praxe, a jovem acabou por me perguntar a idade, e quando lhe disse que tinha 34 foi como se houvesse um vibrador escondido algures na zona púbica que se tivesse ligado e socado vigorosamente o clitóris da moça, porque houve toda uma excitação da qual eu não estava à espera.

Que eu tinha um aspecto fantástico. Que estava super bem para a idade. Que havia muita gente mais nova que nem com filtros tinha um ar tão bom.

Ora todo este massajar de ego terminou quando ela me perguntou que cremes eu costumava usar. E aqui o vosso amigo Triptofano revelou, de forma genuína, que naquelas noites onde uma pessoa sente que foi atropelada por um camião de bananas do Lidl, gostava de colocar uma boa camada de um creme mais robusto, neste caso concreto, o Nuxuriance da Nuxe.

A partir daí foi uma enxurrada de disparates que fez com que tivesse de simpaticamente ignorar a rapariga, porque paciência tem limites e eu há dias em que não aguento muita parvoíce, especialmente quando tentamos explicar e do outro lado a pessoa recusa-se a ouvir.

Primeiro que tudo os cremes não possuem uma faixa etária a partir do qual tem de ser usados.

Obviamente que há muitas marcas que tem gamas para os 30, para os 40, para os 50, mas isso não é mais do que marketing. Uma pessoa de 50 pode muito bem usar um creme da faixa dos 30 e vice-versa. O que é importante é escolher um creme que se adeque ao objectivo que se quer ver atingido.

Ou seja, se eu tiver perda de volume no rosto, eu vou escolher um creme com essa indicação, independentemente da idade que eu tiver. Mas se eu tiver 80 anos e tiver feito um acordo com o Demónio e tiver uma cara mais fresca que uma alface, talvez me chegue um hidratante, e não precise de um produto com outro tipo de substâncias activas.

Em segundo a história da pele habituar-se é uma grande aldrabice.

No máximo a pele pode habituar-se ao que é bom e depois queixar-se quando lhe espetamos um produto mais fraquito. Agora não estejam a pensar que por estarem a usar aquele produto super mega hiper concentrado que a vossa pele vai ficar tipo uma  drogada de ácido hialurónico e entrar em descompensação quando a dose já não for forte o suficiente. Isso não vai acontecer, por isso também não precisam de estar a mudar de produto só porque vos disseram que ele ao fim de X meses deixa de ser tão efectivo. É mentira minha gente.

Moral da história, o importante é usarem o creme mais adequado para as vossas necessidades independentemente do que o marketing vos possa querer fazer acreditar. Isso e bloquear gente que se arma em boa nas redes sociais.

Na Pele do Triptofano: Uriage Eau Thermale Crème D'Eau

31.03.21, Triptofano!

Quando o assunto é cosmética, eu e o Cara-Metade temos um perfil de consumidor totalmente diferente.

O Cara-Metade é o típico consumidor que não gosta muito de arriscar. Até se pode aventurar num ou noutro produto diferente, mas para ele em equipa vencedora não se mexe. Já eu gosto de me besuntar com todas as novidades, mesmo que muitas vezes acabe ligeiramente engrupido, tendo de voltar a um porto seguro, para gáudio do olhar inchado do Cara-Metade.

No que toca a cremes hidratantes de rosto existe um que nós os dois sabemos que vai lá estar para nós nos momentos difíceis. Naquelas alturas em que a cara está seca como um carapau. Nos momentos em que o creme novo que prometia um rejuvenescimento afinal deixou-nos com uma alergia do tamanho do mundo. Naqueles instantes em que só queremos um abraço confortável na nossa epiderme facial e esquecer as agruras do mundo.

Esse creme é da Uriage, mais concretamente o Uriage Eau Thermale Crème D'Eau.

Na Pele do Triptofano: Uriage Eau Thermale Crème D'Eau

Capaz de hidratar até a pele mais sequiosa, este creme é absorvido num instante, evitando aquela sensação de pega-monstro que todos concordamos não ser nada apelativa. Se isto não bastasse também ilumina e refresca o nosso rosto, deixando-nos com vontade de sair pelas ruas a cantar qualquer canção dos ABBA, fugindo artisticamente da polícia para evitarmos ter que pagar uma multa avultada.

Mas o melhor deste Crème D'Eau é dar para todos os tipos de peles, o que honestamente foi a melhor invenção de todos os séculos, porque não há coisa que mais me tire do sério do que trazer um creme novo para casa e ter de ouvir bla bla bla whiskas saquetas que este creme não é para a minha pele que é oleosa no nariz e seca nas orelhas e poliamorosa entre as sobrancelhas ronhonhó pardais aos ninhos.

Assim dá para toda a gente, toda a gente fica feliz e, mais importante que tudo, com a cara bem hidratada!

Masculinidade Tóxica

30.03.21, Triptofano!

Se me perguntarem se fico chocado por Rui Fonseca e Castro liderar o movimento Juristas pela Verdade, dir-vos-ei que o que me causa transtorno é haver um juiz que considera que a melhor forma de resolver contendas é ao murro e pontapé, como se em vez de vivermos em sociedade estivéssemos numa realidade paralela tipo Mortal Kombat.

Não fosse suficientemente mau termos um cidadão a achar que o desconfinamento é um livre passe para uma adaptação mais corpo a corpo dos Hunger Games, há toda a questão da masculinidade tóxica que envolve o discurso.

Rui Fonseca e Castro diz que “É uma proposta para resolver isto como homens”, o que significa que a mulher, esse ser frágil de cristal que nem se aguenta nas canetas com uma rabanada de vento, não pode resolver os seus assunto com porrada.

Talvez as mulheres façam competições de quem cozinha mais depressa na Bimby. Ou de quem consegue encerar o chão da sala de jantar sem ficar com dores nas costas até ao próximo Natal. Ou, loucura total, resolvam as questões mais difíceis em tribunal.

“Parece uma menina a chorar” é outra das pérolas tóxicas que podemos ler na notícia do Público. Porque obviamente um dos dez mandamentos da masculinidade é que se um homem chorar é menina. Ou panasca. Ou panasca que afinal quer ser menina.

Homem que é homem no máximo chora se o seu clube de futebol não for campeão. Se chorar por outra coisa é menina. Se não gostar de futebol de certeza que é panasca.

São estes estigmas que vão sendo perpetuados de geração em geração e que vão cada vez debilitando mais os homens. Fazendo-os acreditar que não podem ter sentimentos. Que tem de ser de pedra. Que não podem pedir ajuda. Que estar triste, amargurado, deprimido, o que quer que seja, é para os fracos, é coisa de gajas.

O homem resolve os seus problemas com umas cervejas, umas conversas de macho e uns socos no maxilar em caso de desentendimento.

Há uns meses atrás, o meu sobrinho adolescente, na fase de transição entre o secundário e a universidade, sofreu com alguns ataques de pânico. E só quem já experienciou é que percebe que se trata de um fenómeno avassalador, onde tudo nos foge do controlo, especialmente as emoções.

Uma das vezes foi tão grave que os bombeiros tiveram de ser chamados, e quando viram que o jovem estava emocionalmente debilitado a forma de lhe darem força foi dizer que um homem não chora.

Não vos conto isto por achar que existiu maldade neste conselho. Há sim uma masculinidade tóxica entranhada em muitos homens, que sem perceber auto-perpetuam um castramento sentimental em si e nos outros.

Felizmente o meu sobrinho é emocionalmente mais maduro que o tio, e compreende que chorar só faz dele mais humano. Uma característica que aparentemente muitos esqueceram que possuem.