Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Triptofano

O teu aminoácido essencial!

O perfume da minha nova casa: BOSS Bottled Intense

31.01.21, Triptofano!

A minha cozinha nova!

Apresento-vos a minha nova cozinha, fruto de muito planeamento no IKEA, muita parede derrubada e mais que muita caixa alombada de um lado para o outro, que me fez perceber que até posso estar em forma, desde que anafado sem força nos braços seja uma forma reconhecida por um qualquer dicionário médico.

Sim, é muito provável que nos próximos tempos vos vá mostrando fotos do meu novo habitat, que apesar de ainda não estar completamente pronto já começa a ter uma verdadeira vibração de lar. E é estranho olhar para estas paredes e perceber que agora esta é a minha casa. Correcção, é a nossa casa, minha e do Cara-Metade, que nos lançámos num projecto megalómano de reconstruir uma casa desinteressante e torná-la em algo digno de um Querido Mudei a Casa (e usei o teu cartão de crédito sem saberes).

Agora mais estranha foi a ideia que tive (sim, eu sei que nunca bati muito bem da mona) em associar um cheiro a esta nova fase da minha vida.

Traduzido por miúdos, todos os dias ando a tomar banho com o BOSS Bottled Intense, para fazer com que o meu cérebro associe a fragrância à minha nova morada fiscal. Assim se um dia tiver longe por alguma razão, basta uma snifadela do perfume (desde que não tenha de ir cheirar o pescoço de alguém e depois ser preso por assédio sexual) para me lembrar que há um porto de abrigo algures à minha espera (expectavelmente com o farol que me ilumina todos os dias também lá).

O perfume da minha nova casa: BOSS Bottled Intense

Este perfume da Hugo Boss não é para meninos, porque quando ele diz que é Intense é porque é mesmo Intense, assim como se fosse uma chapada de fragrância nas ventas.

Da família dos amadeirados e do oriental especial, este perfume tem como notas de cabeça a flor de laranjeira e a maçã (parece o início de uma canção dos Caricas mas não é), um corpo de canela, cravo-de-índia e petitgrain, e uma base de baunilha, vetiver, madeira de sândalo e cedrus, tornando-o uma must choice para uma saída à noite (para levar o lixo à rua e fazer o passeiozinho higiénico da praxe) ou para uma ocasião especial (como a festa que vamos fazer quando a porcaria do Corona nos deixar de vez)!

O perfume da minha nova casa: BOSS Bottled Intense

Já alguma vez experimentaram este BOSS Bottled Intense? Há algum cheiro que associem ao vosso lar e que vos reconforte? 

Na Pele do Cara-Metade: Ducray Keracnyl Gel Moussant

31.01.21, Triptofano!

Pois bem fofíssimos leitores deste blog, aparentemente os problemas faciais propagam-se mais rapidamente que um meme do Big Brother (para não falar daqueles vídeos que eu não vi de certas pessoas a fazer o coiso e tal) porque se já não bastava a minha cara estar em estado de calamidade agora é o Cara-Metade que teve um verdadeiro ataque de borbulhas, coisa que já não lhe acontecia desde que era adolescente.

Claro que a primeira coisa que ele me pediu, com um ar ligeiramente desesperado, foi um creme milagroso. E se é verdade que existem alguns SOS anti-borbulhas (se quiserem nomes basta deixarem-me um comentário), o mais importante é sempre atacar com um bom produto de limpeza, porque vai ser ele que vai interromper o ciclo problemático do acne, eliminando o excesso de sebo e retirando todas aquelas impurezas e células mortas que só estão a fazer peso na cara de uma pessoa.

Por isso dei-lhe para a mão o Ducray Keracnly Gel Moussant, um gel espuma que possui na sua composição coisas com nomes super fáceis de dizer, como a myrtacine, a prohydrine e a sabal serrulata, que actuam em conjunto para reduzirem as borbulhas e os pontos negros ao mesmo tempo que deixam a pele suavizada e confortável, numa limpeza purificante sem sabão.

Na Pele do Cara-Metade: Ducray Keracnyl Gel Moussant

Ele reclamou entre dentes (acho que ele pensa que eu sou surdo mas para reclamanços tenho um ouvido fantástico) que preferia um creme e que aquilo não ia fazer nada, mas hoje de manhã lá estava o gel resplandecente no nicho da nossa casa de banho, já aberto e experimentado com satisfação, porque se fosse sem tenham a certeza que já tinha ouvido um par de comentários mais espirituosos.

Por curiosidade, o que é que acham do nicho que mandei fazer na casa-de-banho da casa nova? Não é assim todo tchãna? Pessoalmente acho que até combina bem comigo!

Na Pele do Cara-Metade: Ducray Keracnyl Gel Moussant

 

A minha Wishlist de Skincare para sobreviver a 2021!

30.01.21, Triptofano!

Horror.

Desespero.

Trauma.

Vontade de usar uma burka.

É isto que me passa pela cabeça quando me olho ao espelho e descubro que a minha cara está um misto de pimento que ficou demasiado tempo no frigorífico com uma interpretação humana do Cai Neve em Nova York do José Cid.

Ou seja, eczema exacerbado, dermatite aos molhos como se tivesse nevado em todas as minhas pregas faciais, e um ar de quem não dorme como deve de ser há mês e meio, traduzido numa pele baça e sem vida (se já tivesse levado a vacina do Covid dizia que era reacção adversa, e que em vez de me ter transformado num jacaré tinha-me metamorfoseado em zombie).

Isto tudo devido à situação pandémica em que vivemos que deixa qualquer um com os nervos em franja, à mudança de casa que está em plena transição e principalmente por causa do curso de mestrado, que entrou numa fase onde tentar sobreviver é a palavra de ordem, juntamente com o controlar-me o melhor possível para não cometer um homicídio devido a certos colegas que não fazem a ponta de um chavelho.

Se já comecei a atacar o eczema e a dermatite, descobri para meu grande horror que não tenho nenhum produto específico para me dar um ar um bocadinho menos acabado, especialmente quando tenho de fazer reuniões via zoom e as pessoas quase que se assustam quando olham para a minha fronha.

Aproveitei então para fazer uma wishlist de skincare para sobreviver a 2021, com produtos com os quais acredito piamente que seria muito feliz, mas que ainda não tive coragem de comprar, visto que a casa nova deixou-me completamente depenado!

Tudo começa não no A (ai Ana Malhoa como tenho saudades tuas minha diva) mas na limpeza facial, e este Shiseido Waso Quick Gentle Cleanser ia ficar maravilhoso no meu novo lavatório. Com extractos de mel e geleia real que conferem à pele vitaminas, aminoácidos e uma sempre bem vinda hidratação, já me estou a imaginar com uma pele limpa, suave e radiante, de quem esteve mês e meio de férias sem fazer nenhum num paraíso sem rastos de Covid.

A minha Wishlist de Skincare para sobreviver a 2021!

Pessoalmente não sou muito pessoa de usar tónicos, mas tendo em conta o estado de desequilíbrio facial em que me encontro, uma pessoa tem de ir com tudo e mais um par de botas. Enamorei-me deste Darphin Intral, uma água tonificante que além de regular a produção de sebo e acalmar a pele mais sensível, deixa um final macio, fresco e radiante, que faz com que uma pessoa nem sequer queira usar máscara quando sai à rua (mas tem que usar e não há discussão neste ponto, que a situação do país não está para brincadeiras).

A minha Wishlist de Skincare para sobreviver a 2021!

Depois de limpar e tonificar, é sempre imprescindível usar um serum rosto, já que é o produto de skincare que possui maior concentração de activos. Sejamos honestos, se a vossa pele não foi muito exigente e tiverem que escolher entre um creme de dia e um sérum, a melhor opção é sempre o sérum. Especialmente se for como o La Roche Posay Pure Vitamin C10, que graças à sua concentração em vitamina C ataca sem piedade as rugas e linhas finas, deixa a pele com uma textura mais uniforme e faz com que aquele tom acinzentado seja história do passado, permitindo que a pele brilhe como uma fénix (eu sei que não faz grande sentido esta associação mas lembrei-me da Conchita que é que querem?).

A minha Wishlist de Skincare para sobreviver a 2021!

Há milhares de opções de cremes de rosto no mercado, e é extremamente fácil que uma pessoa se perda por completo, com tantas promessas quase miraculosas. Se eu tivesse o poder de tele-transportar um creme da fábrica para a minha mesa de cabeceira seria o Sesderma C-Vit Radiance, que com toda a sua nanotecnologia incorporada faz chegar a vitamina C da sua composição às camadas mais profundas da pele. O resultado é um aspecto fresco, descansado e sem rugas, além de uma utilização obrigatória de um protector solar, especialmente se forem combinar com o sérum da La Roche.

A minha Wishlist de Skincare para sobreviver a 2021!

Agora imaginem chegarem ao fim do dia e terem assim cinco minutos antes de desmaiarem na cama. Eu sei que é um cenário utópico, por isso é que o vosso amigo Triptofano vos dá sempre as melhores dicas. Nos cinco minutos entre as reuniões zoom, enquanto fazem um chichi e engolem meio iogurte líquido, porque não fazer uma máscara rosto para vos deixar com ar de quem consegue fazer aquelas 129 tabelas Excel sem ter um ataque psicótico? A Filorga Hydra Filler com ácido hialurónico além de hidratar e refrescar a pele, deixa-a radiante e com um tom nada acinzentado, além de a esticar ligeiramente que isto a gravidade toca a todos. Agora vão ter que evitar fazer na mesma crazy eyes ao vosso patrão, que a máscara é boa mas não assim tanto.

A minha Wishlist de Skincare para sobreviver a 2021!

Quais são os produtos que estão na vossa wishlist de skincare para sobreviver a 2021? Como é que se estão a aguentar neste primeiro mês que está quase quase a terminar? 

 

O tempo que passa a voar.

19.01.21, Triptofano!

Quando me despedi pensei que o meu ritmo de vida ia abrandar substancialmente, que ia poder finalmente descansar durante longos períodos, relaxar sem pressas, reflectir sem a urgência de tomar decisões. Estava mesmo a necessitar de um período para mim, para aproveitar a vida, e mais importante que tudo, para aproveitar os que estão na nossa vida e que tantas vezes damos atenção a menos.

Claro que tudo isto seria maravilhoso se o universo não conspirasse contra os momentos de ócio, e de um momento para o outro não me visse com projectos e trabalhos e ideias e tudo e mais alguma coisa a acontecer ao mesmo tempo.

Sei que posso parecer ingrato, mas muitas vezes sinto que ando sempre em contra-relógio, que o tempo é um daqueles aviões que já estão a descolar e nós ainda nem sequer fizemos o check-in.

Acordo preocupado com a hora a que tenho de me ir deitar para poder fazer tudo em útil e o dia é passado num stress de não saber se estarei à altura.

Faz-me falta os pequenos momentos. Os momentos em que olho e sinto que as coisas não são apenas uma névoa, mas sim verdades materiais palpáveis. Não me faz falta desligar, mas sim ligar ao aqui e agora, em vez de estar sempre preocupado com o que pode ou não acontecer.

Só há pouco tempo é que a árvore de Natal foi desmontada. Não o quis fazer mais cedo porque sempre que passava por ela sentia o remorso de não ter vivido a época, de me ter esquecido de contemplar as fitas e as bolas, ou de me perder no piscar infinito das luzes que todos os anos se cruzam num quebra-cabeças maior que a nossa mente.

Além do tempo agora surgiu-me outra problema, outra questão que transcende as leis da física.

Como é que o raio da árvore veio empacotada e agora nem metade entra na porcaria da caixa?

20210119_161228.jpg

 

Gratidão pelo menos bom

Ou a mentalidade de mochila

03.01.21, Triptofano!

Sempre odiei trabalhos de grupo. Não tanto por causa da parte do trabalho em si, mas por causa da parte do grupo. 

Compreendo que trabalhar em grupo faz-nos desenvolver ferramentas que não conseguiríamos através do trabalho individual, só que em todo o meu percurso académico acabei sempre em grupos onde havia alguém que não fazia rigorosamente nada.

E o maior problema, aquilo que realmente me faz perder anos de vida e ganhar rugas à conta dos radicais livres criados pelo meu estado de stress, não é a existência de alguém que não faz nada, é haver uma pessoa que se responsabiliza por fazer parte do trabalho e depois ignora todos os prazos ou entrega algo colado a cuspo com um grande sorriso, como se estivesse a apresentar uma dissertação digna de um Nobel. 

O que me deixa fora de mim é existirem indivíduos que vivem a mandar areia para os olhos dos outros - correndo o risco de uma pessoa desenvolver uma conjuntivite - e a comportarem-se como se os outros fossem atrasados mentais e não os topassem a quilómetros de distância.

Quando entrei no Mestrado acreditei sinceramente que isso não iria acontecer, que ia estar com pessoas responsáveis, com outro tipo de mentalidade, de postura na vida, de foco....só que não.

Tenho uma Colega que não faz rigorosamente nada. Ou melhor, pergunta o que há para fazer, naquela de se fazer interessada, e depois ou não entrega o trabalho ou apresenta algo que até um aluno do ensino básico faria melhor. 

Confesso que isto mexeu comigo, mexeu comigo de tal forma que houve noites que tive pesadelos sobre o assunto tal era o estado de stress com que andava. Tudo porque tento fazer o melhor para não prejudicar as pessoas que estão comigo num grupo, para que o meu trabalho não fique abaixo das expectativas que tinham para mim, e dar de caras com uma pessoa que tem a chamada mentalidade de mochila - está à espera que todos a levem às costas - mexeu no meu íntimo de uma forma que eu não estava pronto.

Até que me propus fazer algo que não é fácil admito, mas que tem dado bons resultados, que é mostrar gratidão pelo menos bom.

Em vez de esgotar a minha energia a ficar chateado e irritado com alguém cujas atitudes eu não posso controlar, decidi ser grato pela oportunidade de crescimento pessoal que posso retirar das atitudes menos boas desta pessoa.

Ou seja, em vez de arrancar cabelos por ter alguém que não faz a sua parte do trabalho, sou grato porque tenho a oportunidade de mostrar que tenho capacidade de adaptação, resiliência e força de vontade para pegar no que ela não fez e fazer eu. Sou grato ao universo por desafiar-me com algo que me tira horas de sonos é verdade, mas que no fim deixa-me extremamente contente comigo mesmo.

Às vezes em vez de nos focarmos nas injustiças temos de nos concentrar nas lições que podemos tirar delas. Claro que fica sempre um sentimento amargo lá no fundo, mas acreditem que a serenidade que se obtêm é extraordinariamente reconfortante.

Body Shaming

02.01.21, Triptofano!

Depois de tanto tempo a ver as publicações da Dona Pélvis no Instagram, decidi que 2021 seria o ano em que ia tratar a sério da saúde da minha bexiga, e para isso nada melhor do que começar a beber diariamente litro e meio de água.

Uma das formas de nos comprometermos com um desafio é envolvermos outras pessoas nele, porque aí não existe apenas a pressão que colocamos em nós mesmos, mas também a pressão alheia, por isso resolvi partilhar a resolução na minha conta de Instagram.

Um dos grandes problemas de partilharmos a nossa vida com o mundo é ficarmos sujeitos a que parte do mundo não engrace muito com a nossa vida. Digamos que é uma espécie de dano colateral que temos de pensar muito seriamente se queremos e sabemos lidar com ele.

Ora entre várias mensagens simpáticas recebi uma não tão amorosa, de um contacto que fez a questão de partilhar a sua opinião de que eu estava a beber tanta água não por estar preocupado com a minha bexiga mas sim por estar gordo que nem uma lontra.

É nesta altura que vocês dizem que a pessoa estava a meter-se comigo e a dar uma de engraçada - só que não. O que aconteceu naquela mensagem e nas que se seguiram foi uma verdadeira tentativa de body shaming, de querer envergonhar o outro pelo aspecto do seu corpo.

Não vou dizer que sou uma pessoa toda resolvida e que não fico chateado quando alguém me diz que estou a um passo de ter um espectáculo só para mim no Zoo Marine, porque a verdade é que fico, já que de outra forma não estaria aqui a escrever sobre isto. Mas honestamente ficaria muito mais incomodado se esse tipo de comentário tivesse vindo de um amigo ou de um familiar próximo, ou mesmo de alguém com quem tivesse uma relação estreita de trabalho. 

Quando era mais novo tinha uma relação não muito saudável com a minha imagem corporal, porque achava que estava sempre demasiado gordo, mesmo que obviamente não o estivesse. Não cheguei ao ponto de um transtorno alimentar - respeito imenso quem todos os dias luta contra esse tipo de doenças - mas não sabia amar o meu corpo.

Foi preciso um dia estar na universidade e uma colega passar por mim e gritar "ó esqueleto, vai comer uma sandes" para acordar para a realidade. Sim, a abordagem dela não foi a mais politicamente correcta, mas no meu caso funcionou bastante bem.

Aprendi a gostar de mim de uma forma como nunca tinha gostado, e sobretudo a não ser tão exigente comigo mesmo. A amar todos aqueles pequenos detalhes, as pseudo-imperfeições, os parâmetros que não se encaixam nos moldes das redes sociais. 

Nos últimos anos fui ganhando peso. Uma chatice porque não tenho calças que me servem. Uma chatice maior quando tenho que correr para apanhar o comboio e parece que estou a transportar uma criança refugiada anafada dentro da minha cavidade abdominal. Mas é algo que não me tira nem o sono nem o amor-próprio quando me vejo ao espelho.

Lamento saber que ainda há pessoas que se refugiam no body shaming para tentarem ultrapassar os seus próprios preconceitos. Esta pessoa que me mandou a mensagem tinha peso a mais, e nos últimos anos conseguiu emagrecer bastante.

O problema é que emagreceu para provar alguma coisa aos outros que a desprezaram quando era mais gorda. Não emagreceu nem para ela nem por ela, e isso fez com que no fundo continuasse com os mesmos medos, as mesmas inseguranças, as mesmas revoltas interiores.

E quando alguém que por mais que mude não consegue atingir aquele nível de felicidade - porque a felicidade trabalha-se por dentro, não por fora - o que é que faz? Ataca o outro, tenta humilhar, pisar, rebaixar, envergonhar...

Tenho verdadeiramente pena desta pessoa, porque pode ter conseguido ficar mais magra, mas sem dúvida nenhuma ficou muito mais estúpida.

Despedi-me!

01.01.21, Triptofano!

Depois de uma década a ser orgulhosamente e apaixonadamente Farmacêutico Comunitário decidi que era altura de colocar um ponto final nesta fantástica e muitas vezes insana aventura. Bem, talvez um ponto final seja demasiado extremista, porque nunca sabemos o que é que o futuro nos reserva, por isso direi que coloquei um ponto e vírgula, a tender mais para o lado do ponto do que da vírgula.

Foram 10 anos de alegrias, de tristezas, de superações e de conquistas. 10 anos em que tentei ser todos os dias o melhor profissional que podia, escutando, sorrindo, ajudando, cuidando e muitas, mas muitas vezes, emocionando-me.

Foram centenas e centenas de horas em pé atrás de um balcão, a ouvir histórias de vida, histórias de quem a doença lhe tentou tirar tudo de um dia para o outro, histórias de quem conseguiu ser mais forte que o malfado destino e superar-se. Essas centenas de horas fizeram-me crescer não só como profissional mas também como ser humano, e se por vezes na altura não lhes dava valor, hoje agradeço a todas elas por terem-me transformado na pessoa que sou - imperfeita sem dúvida, mas muito melhor do que quando comecei a trabalhar.

Despedi-me não porque tivesse entrado em conflito com a empresa. Despedi-me não porque tivesse encontrado outro local onde trabalhar. Despedi-me porque senti que era altura de soltar as raízes e procurar outros solos de onde tirar alimento. Despedi-me porque se ficasse onde estava nunca saberia onde poderia chegar.

Muita gente olhou para mim de lado, como se fosse um miúdo mimado que lhe tivesse apetecido deixar de trabalhar, numa altura pandémica onde tanta gente perdeu o emprego e faria tudo para ter um trabalho estável e bem remunerado. Lamento com toda a humildade os que ficaram desempregados contra a sua intenção, mas cada um de nós tem de lutar por encontrar a sua verdade, e esta foi a altura que eu escolhi para procurar a minha.

Deixar a Farmácia para trás, no último que saí dela sabendo que não iria voltar, foi um misto de sensações. 

Uma tristeza funda por deixar utentes, colegas, amigos, para trás, como se os estivesse a abandonar.

Uma ansiedade barulhenta por não ter planos, como se tivesse saltado de um avião e deixado propositadamente o pára-quedas esquecido debaixo do banco.

Mas sobretudo uma alegria avassaladora por ter tido a coragem de sair da minha zona de conforto para explorar o que existe no mundo.

Despedi-me do trabalho, mas sinto que fechei um contrato com a vida. Agora é descobrir que novas aventuras me esperam.