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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Carmex Classic Lip Balm - Ou como tentar chegar ao fim de um batom

30.09.20, Triptofano!

Quem leu o post anterior sabe que eu tenho assim um pequeno transtorno obsessivo-compulsivo no que toca a utilizar produtos de cosmética até ao fim. Se houver uma gota que seja dentro do meu gel de banho eu não descanso enquanto não a conseguir tirar cá para fora, porque fazendo as contas estão ali 0.002€ e eu não sou pessoa de mandar dinheiro para o lixo.

Agora existe outro pequeno, pequeníssimo, diria mesmo microscópico detalhe sobre esta minha obsessão, que é basicamente não permitir que os produtos cheguem até ao fim.

Estão confusos? Eu explico mas depois não me fiquem a olhar de esguelha como se tivesse fugido do Júlio de Matos só com uma folha de bananeira a tapar as miudezas e a cantar o Atira-te ao mar e diz que t'empurrarem dos Íris.

O que acontece é que quando compro um cosmético novo, digamos por exemplo o Carmex Classic Lip Balm que adquiri numa viagem a Nova Iorque e já habita comigo vai para aí uns 8 anos, uso-o todos os dias de forma apaixonada, e há toda uma relação que se desenvolve entre o cosmético e eu, qual amor platónico a roçar o aristotélico, já que na verdade há ali muito esfreganço entre mim e o produto de beleza.

Carmex Classic Lip Balm - Ou como tentar chegar ao fim de um batom

Ora quando uma pessoa está apaixonada não quer que essa paixão chegue ao fim certo? Por isso é que quando estou assim a um quinto de acabar o produto eu simplesmente paro e compro outra marca diferente, e volto a desenvolver nova paixão assolapada, e por aí adiante, chegando ao ponto de ter para aí uns 30 batons hidratantes espalhados por todas as divisões da casa.

Voltando ao exemplo do Carmex, sempre que eu tento chegar ao fim do batom e o coloco nos lábios há uma nostalgia que me invade, porque aquele sabor é tão característico e a hidratação que ele confere é tão profunda que eu sei que nos dias piores posso sempre contar com ele para ficar, literalmente, com um sorriso nos lábios.

Sim eu sei que isto parece conversa de gente louca, e por isso mesmo é que decidi que ia usar o Carmex até ao fim, desse por onde desse, custasse o que custasse, por mais vontade que tivesse de o proteger até ao resto dos meus dias e dormir com ele debaixo da almofada (ok, estou a escrever isto e estou a assustar-me a mim próprio...).

Mas agora digam-me, como é que eu vou conseguir chegar ao fim deste batom?

Carmex Classic Lip Balm - Ou como tentar chegar ao fim de um batom

Sempre que o tento usar hidrato a parte de dentro do lábio e faço uma exfoliação mecânica pelo plástico na parte de fora. 

Existe alguma técnica que conheçam para usar estes restinhos de batom? É tipo os sabonetes que uma pessoa junta tudo e depois faz um super sabonete que vai acabar por também tornar-se num pedacinho minúsculo e depois todo o processo volta a repetir-se num ciclo sem fim? 

Como usar a pasta de dentes até ao fim? - Marvis Jasmin Mint

30.09.20, Triptofano!

Acredito que cada um de nós tem um bocadinho de TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo - que pode traduzir-se em ter as especiarias organizadas por ordem alfabética, por deixar sempre o rolo de papel higiénico à mesma distância do chão ou por ajeitar 55 vezes o espelho antes de começar a conduzir.

Coisas simples que não afectam verdadeiramente a vida de uma pessoa e nos dão personalidade. No que me toca, o meu bocadinho de TOC prende-se em utilizar os produtos de cosmética até ao fim. Sim, eu sou aquela pessoa que vai abrir tudo o que é embalagem para usar aqueles 2 ml de creme que ficaram agarrados às paredes (por isso é que eu gosto tanto de boiões que tornam a tarefa muito mais fácil).

Vejamos por exemplo esta pasta de dentes da Marvis Jasmin Mint, cujo surpreendente sabor de menta e jasmim, doce e floral, é segundo a embalagem, dedicada à mulher com classe.

Como usar a pasta de dentes até ao fim? - Marvis Jasmin Mint

Pois bem, eu nem sou gaja nem tenho classe, mas há uma vontade dentro de mim incontrolável de usar até ao limite esta pasta de dentes feita em Itália cuja embalagem retro faz lembrar um tubo de tinta de óleo (e se acham que menta e jasmim é uma combinação improvável para pasta de dentes, então tem de experimentar a de canela, a de gengibre ou a de alcaçuz).

Pela foto vocês achariam que este tubo de pasta de dentes já estava pronto para ir para o lixo, mas a minha pessoa sente que ainda há produto lá dentro, por isso o que é que vai fazer? Não, não a vai cortar, vai sim usar o super espremedor de pastas de dentes.

Como usar a pasta de dentes até ao fim? - Marvis Jasmin Mint

Composto por duas singelas peças esta invenção dos céus garante que nenhum pedacinho de pasta consiga escapar, evitando gastos desnecessários e deixando a minha obsessão muito mais tranquila, permitindo-me enfiar o tubo na reciclagem sem peso na consciência!

Vocês já conheciam esta invenção celestial? E as pastas de dentes da Marvis, alguma vez experimentaram? Também possuem TOC's relacionados com os produtos de cosmética ou não são pessoas de pancas como eu?

O Efeito Bata Branca

29.09.20, Triptofano!

Como poderão imaginar, meus carbonos tetravalentes mais queridos, quando uma pessoa trabalha no balcão de uma Farmácia conhece todo o tipo de pessoas, o que significa um sem número de histórias para contar.

Há uma utente em particular pela qual tenho muita estima, porque além da senhora ser uma verdadeira free-spirit nota-se que tem um verdadeiro apreço pelo meu trabalho enquanto Farmacêutico, o que se traduz numa data de perguntas difíceis que me fazem ir estudar e investigar para continuar a corresponder às expectativas dela.

Ora esta senhora já há algum tempo que não ia ao médico - e quando eu digo algum tempo já era assim um tempinho considerável que em termos de anos excedia o número de dedos que eu tenho na mão (e para não haver dúvidas eu só tenho 5 dedos na mão está bem?) - e todas as vezes que a atendia insistia que ela tinha que ir fazer análises e todas as coisas que uma pessoa faz quando vai ao médico.

Finalmente consegui que ela deixasse de enterrar a cabeça na areia qual avestruz, porque a lógica era se uma pessoa se sente bem é porque não tem problema nenhum e por isso não vale ir procurar que ainda encontra e depois fica com o dia estragado, e marcasse uma consulta com um médico particular. Eu quando soube de tamanha novidade mandei confettis, serpentinas, soprei numa daquelas buzinas que inferniza toda a gente. Basicamente festejei como se me tivesse vindo o período que normalmente não é mais do que sangue das hemorróidas quando faço um cocozito mais duro.

Passado algum tempo ela telefona-me a agradecer e a contar como foi a consulta. A conversa foi mais ou menos assim!

Utente Fofinha: Triptofano, tenho que lhe agradecer, fui ao médico e fui muito bem tratada, correu tudo espectacularmente bem. Obrigado mesmo de coração. Um Farmacêutico como você devia receber era um telefonema do Marcelo e da Ministra da Saúde em simultâneo! (pronto esta última parte já fui eu que inventei na minha cabeça...)

Triptofano: Fantástico Utente Fofinha. Então e o Efeito da Bata Branca que disse que sofria? Isso não impactou na medição da sua tensão?

U.F: Nada, sabe porquê? O médico quando eu lhe disse que sofria desse efeito tirou a bata para me tranquilizar. Nunca ninguém antes tinha feito isso, foi fantástico!

T: (nesta altura como eu tenho confiança com a utente resolvi fazer uma voz assim de brincadeira e fazer uma pergunta marota....pior decisão da minha vida) Então mas o médico tinha alguma coisa por baixo eheheheheh? Espero que sim ehehehehehe!

Utente que deixou de ser fofinha para ter um aumento a nível das hormonas assustador: Ai Triptofano nem me diga nada. Que borracho. Que homem. Quem me dera que ele não tivesse nada vestido. Mas pronto, ele disse-me que não jogava na minha equipa...

T: .....

Utente que continua a falar como se nada fosse: Mas olhe eu quero é que as pessoas sejam felizes, seja lá qual for a orientação delas. Mas eu também não queria casar com o homem, era só dar uma voltinha, por isso....mas pronto má sorte a minha, mas ele é muito bom médico (mas seria melhor se desse a consulta só com o estetoscópio à volta do....pescoço).

T: Ah pois, ainda bem que correu tudo bem, agora tenho que ir. Até breve e beijinhos.

Mal desliguei o telefone fui a correr para o computador googlar o médico. É que lembrei-me subitamente que já não fazia análises há mais de um ano....

 

Triptofano volta à Universidade

28.09.20, Triptofano!

Pois é meus ribonucleotídeos fofinhos, aqui o vosso Triptofano resolveu voltar à Universidade passados 10 anos de ter terminado o seu Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas.

Esta decisão está ao nível daquelas mulheres que depois da primeira gravidez terem gritado a pés juntos que nunca mais iriam abrir as pernas por causa de todos os enjoos, todas as dores de pernas, todas as calças elásticas de modelo duvidoso que se viram obrigadas a comprar, ficam assim com uma espécie de amnésia e resolvem avançar para o segundo com um sorriso no rosto, confiantes que o estado de graça é a coisa mais bonita que uma mulher pode vivenciar.

Eu também sofri dessa amnésia da gravidez quando me decidi candidatar ao Mestrado de Saúde Pública, pensando que a Universidade não era assim tão má, que até era uma boa mudança na minha rotina, que agora que era um homem mais maduro (cof cof) iria aproveitar melhor as longas e prolongadas horas que depois das longas e prolongadas horas de trabalho iria ter de despender na Universidade.

Honestamente não sei o que teria fumado na altura em que tomei essa decisão, mas esta semana começa a Universidade e estou naquela fase em que uma boa mudança seria o Cara-Metade deixar de ocupar a minha metade da cama e não eu ir enfiar-me num Mestrado.

Ainda pensei que não fosse conseguir ser admitido, porque aqui entre nós o meu CV é assim muito simples. Basicamente é a minha formação universitária seguida de 10 longos anos a tentar não cometer nenhum homicídio sempre que um utente me dizia que se eu lhe trouxesse a caixinha do medicamento da tensão ele saberia reconhecê-la. Pensando melhor talvez tenha sido isso que me diferenciou dos outros candidatos, porque se uma pessoa não frita a pipoca como lá o outro jovem do Big Brother a trabalhar no balcão de uma Farmácia então também não é um Mestradozito que o vai deitar abaixo. 

O que me ajudou também a conseguir a vaga foi a entrevista via zoom, onde me perguntaram os meus objectivos e ambições, e eu respondi, modéstia à parte, maravilhosamente bem, não tivesse treinado umas 248 vezes todas as respostas possíveis e imaginárias em mais que uma língua, tendo até praticado um bocadinho de malabarismo hortícola não fossem perguntar-me acerca de algum hobbie fascinante que eu tivesse. 

E pronto, esta quinta-feira lá irei eu iniciar um novo percurso na minha vida académica.....(inserir cara de pânico a fazer um esgar de pseudo-felicidade)

Até Sempre Làska!

14.09.20, Triptofano!

Custa-me muito escrever este post porque é quase como que admitir que ela partiu e não vai voltar.

Não são umas férias na veterinária nem na casa da avó, e agora sempre que olho para o lugar onde antes estava a gaiola dela, entretanto arrumada no alto do armário onde o meu olhar raramente descansa, sinto um vazio maior do que aquele deixado pela sua habitação numa cor vibrante da qual já nem me recordo.

É a brancura do teu ser que me inunda o pensamento e a alma. A alvura do teu descanso na janela daquela casinha de madeira roída para albergar o teu corpo. Aqueles saltos de alegria quando choviam pedaços de papel que revestiam o chão para evitar que as tuas patas se voltassem a ferir.

Vivias sozinha porque preenchias qualquer solidão. Eras mais personalidade em um kg de bicho do que muita gente anoréctica de atitude. Eras uma fome insaciável de mundo, de carinho na medida que desejavas ter e de cenoura.

Naquele final de dia não tinhas tocado em nada da comida que te tínhamos posto. As orelhas translúcidas e uma respiração ofegante foram o suficiente para pegarmos no carro e te levar fora de horas ao veterinário.

O coração estava nas mãos, na boca, nos pés, em todos os locais menos no sítio anatómico onde deveria estar, e tu aconchegada nos meus braços, a olhar para as luzes da ponte como se soubesses que em breve também tu te tornarias uma luz.

Saímos da veterinária com esperança, já tinhas sobrevivido a uma operação mais complicada, seria certamente algo simples, um susto, mas voltarias para casa. Nunca voltaste. Sabemos que fizeram o melhor por ti, que lutaram para te manterem nesta dimensão, mas a fragilidade inerente à tua essência transportou-te para longe de nós.

Sei que agora és uma luz, uma estrela, uma presença algures neste universo, uma vivência noutro tempo-espaço que ataca deliciada uma alface enquanto escrevo choroso estas palavras. Mas não consigo deixar de me julgar, de questionar se te dei o tempo que merecias, o afecto que desejavas, se fui o pai que me comprometi a ser quando te trouxe para a minha família.

Todo este tempo que estive afastado do mundo, do blog, dos amigos, até da família, a lutar por uma profissão, por um reconhecimento maior do que a minha pessoa, terá valido a pena? Desiludi-te de alguma forma quando estavas ali para mim?... e agora que não te vejo é que sinto o quanta falta sempre me fizeste...

É só um animal de estimação irão dizer alguns, aqueles que não percebem que mesmo que nos arranquem um dedo da mão vamos continuar a escrever, mas vai sempre haver a memória de um espaço que antes não estava vazio.

Onde quer que estejas só espero que me perdoes se não fui o suficiente. Podia colocar uma foto tua mas quero guardar para sempre a recordação da minha memória.

Até Sempre Làska!