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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Na Cabeça do Cara-Metade: Head and Shoulders Suave & Sedoso

31.07.20, Triptofano!

O Cara-Metade é dos homens mais prendados que conheço. Sabe cozinhar espectacularmente bem, consegue fazer reparações em casa e até possui uma auto-denominada mala de macho cheia de parafusos e chaves de fendas e coisas que nunca percebi para que é que serviam, mexe-se muito bem no meio burocrático e financeiro e é a melhor pessoa para atender telefonemas privados e exigir que retirem o número da base de dados para todo o sempre.

A mim calha-me a parte dos medicamentos, dos suplementos vitamínicos, e de todos os produtos de higiene e beleza. Posso não conseguir trocar em condições uma lâmpada ou quase deitar fogo à cozinha a tentar fazer uma omelete mas se alguém está com tosse ou com o rabo flácido, então me chamem que eu vou!

Por isso é que quando conheci o Cara-Metade e descobri que ele usava o champô da Head and Shoulders quase que me deu um piripaque nervoso. Nada contra a marca (que só passados muitos anos é que percebi que significava Cabeça e Ombros, só para perceberem o quão aluado posso ser) mas homem meu só coloca na cabeça algo que tenha vindo da farmácia.

Comprei-lhe champôs com probióticos, com prebióticos, outros que cheiravam a antibiótico, com alcatrão, com carvão, com selénio, com vitaminas, mais grossos, mais líquidos, em frasco de metal, em bisnaga...eu sei lá quanto champô é que esta casa viu nos últimos seis anos.

Para no fim ele dizer sempre que só o Head and Shoulders é que lhe controla a caspa. Que só o Head and Shoulders é que é bom. Que o Head and Shoulders é barato e vai ser amor para a vida toda. Que o Head and Shoulders lhe controla a comichão e os outros não.

Para piorar só me deixa experimentar o raio do champô com supervisão. Sim, leram bem, só o posso usar para lavar a cabeça se ele estiver a controlar, porque aparentemente eu gasto muito champô sem necessidade. Claro que ele faz isso apenas e somente para me irritar, mas não deixa de conseguir.

Já perdi a conta das variedades de H&S que o homem comprou. De maçã, de limão, de menta fresca, até com cheiro a oceano, para uma pessoa pensar que está de férias paradisíacas e não enfiada num cubículo no meio de Lisboa.

Agora está a usar o Suave & Sedoso e obviamente que o adora. Adora-o porque deixa o cabelo suave ao toque e fácil de pentear. Adora-o porque o pH é equilibrado com antioxidantes. Adora-o porque na composição possui piroctona olamina e toda a gente sabe que é um activo fantástico para controlar a caspa (como se não tivesse sido eu a dizer-lhe isso). Adora-o porque a embalagem é fabricada com 25% de plástico reciclado e temos de cuidar do ambiente (embalagem excluindo a tampa, tampa do demo diga-se de passagem que parte-se logo se o champô cai ao chão).

Head and Shoulders Suave & Sedoso

O bem cheiroso champô da discórdia com o fundo do Modernist Cuisine

Juro-vos que só me vai passar esta implicação quando o raio da marca começar a ser vendida em Farmácia. Aí prometo que vou deixar de ficar aziado sempre que encontrar uma embalagem nova ao pé do chuveiro.

Na Pele do Triptofano: L'Oreal Men Expert Carbon Protect

30.07.20, Triptofano!

Imaginem aperaltarem-se para irem a uma reunião, vestirem uma camisa toda bonita, pentearem-se, perfumarem-se, estarem mesmo assim impecáveis, e por terem de andar 5 minutos a pé para chegar ao local terem uma poça de suor debaixo dos braços.

Pois bem, esta é a história da minha vida. As glândulas sudoríparas das minhas axilas não sabem o que é um dia de folga, e se me esqueço de por toneladas de anti-transpirante (usar apenas desodorizante é impossível) quando dou por ela já tenho um pequeno charco debaixo do braço suficiente para salvar uma planta em estado de desidratação.

É que se for num dia de Inverno, em que uma pessoa pode vestir uma segunda camada de roupa por cima, aquela mancha de suor no sovaco consegue-se disfarçar, mas no Verão somos logo detectados e há sempre quem fique a olhar com ar de repúdio.

Já tive que ir várias vezes a correr para a casa-de-banho absorver o suor com papel higiénico, já fiz a depilação das axilas na esperança que a situação pudesse melhorar (não melhorou), já usei anti-transpirantes de farmácia, de perfumaria e de supermercado, alguns que foram um sucesso e outros um verdadeiro fracasso, e já equacionei mesmo a hipótese de aplicar botox para diminuir a transpiração. 

Agora perguntam-se vocês, se eu já utilizei anti-transpirantes que foram um sucesso porque raio é que não me mantenho com eles? É que tristemente, ao fim da segunda embalagem, parece que os meus sovacos já conhecem o produto e ganham anti-corpos, e a eficácia do mesmo começa a diminuir exponencialmente, e lá tenho eu de ir à procura de outro solução.

Foi exactamente por causa da diminuição de eficácia do meu anti-transpirante antigo que  resolvi experimentar o L'Oréal Men Expert Carbon Protect 4 em 1 (qualquer dia estes produtos de cosmética até o jantar nos fazem).

Na Pele do Triptofano: L'Oreal Men Expert Carbon Protect

O fundo desta foto é do maravilhoso The Fat Duck Cookbook de Heston Blumenthal

Este desodorizante afirma que luta contra o odor, as marcas brancas e amarelas inestéticas que outros produtos nos deixam na roupa, garantindo uma protecção de 48 horas contra o suor, tudo graças a uma combinação de ingredientes onde se encontra o alumínio e o pó de carvão activado.

Obviamente que os produtos podem dizer tudo e mais alguma coisa, mas depois o importante é que realmente cumpram, e até agora estou satisfeito.

Não tenho notado nenhuma marca na minha roupa nem o tecido tem ficado rijo, algo que me aconteceu no passado com outro produto. O cheiro das minhas axilas não é a rosas mas também não tem feito nenhum utente da farmácia desmaiar. A protecção de 48 horas contra o suor é algo que eu ainda não percebi muito bem o que significa, porque teoricamente apenas teria que usar o produto dia sim dia não certo? Ou isso seria se não tomasse banho e ficasse mal cheiroso do resto do corpo mas fresquinho das axilas? De qualquer das formas 12 horas aguenta e isso deixa-me mais do que satisfeito.

Outros detalhes que posso partilhar com vocês passam pelo facto da pele não ficar nem irritada, nem a arder, nem com nenhum tipo de desconforto, sendo que ao aplicar-se fica-se com uma ligeira e agradável sensação de frescura.

Agora muito importante, e que não aparece escrito na embalagem, para tirarem o melhor proveito deste anti-transpirante devem agitar vigorosamente o produto, algo que por desconhecimento não fiz das primeiras vezes o que me trouxe resultados menos satisfatórios.

Na Pele do Triptofano: L'Oreal Men Expert Carbon Protect

O fundo desta foto é do maravilhoso The Fat Duck Cookbook de Heston Blumenthal

E vocês por aí, o que é que costumam usar como anti-transpirante? Ou para vocês o desodorizante chega?

Brunch with a View - Hotel do Sado

29.07.20, Triptofano!

Brunch do B. by Hotel do Sado em 10 segundos: Ostras do Sado ao natural, manteiga de ovelha com cardos, açorda de ovas de bacalhau e sopa de morangos com pimenta verde são apenas algumas das coisas que poderão degustar na verdadeira experiência que é este brunch, onde além da comida há uma vista incrível e uma música ambiente de se lhe tirar o chapéu.

Brunch with a View - Hotel do Sado

Eu a pensar na razão de não ter nascido rico e ter de ir trabalhar todas as semanas...

Quando o Cara-Metade foi convidado para desenvolver o menu de brunch do restaurante B. by Hotel do Sado todo eu fiquei cheio de orgulho. Porque quando gostamos verdadeiramente de alguém queremos que essa pessoa seja o mais bem sucedida possível e isso implica sermos honestos e não passarmos a mão pelo pêlo, porque de mediocridade já o mundo está cheio.

Apesar do Cara-Metade não me ter perguntado nada eu enfiei o bedelho em tudo, tendo conseguido colocar a sopa de morangos com sour cream gelada e pimenta verde no menu (o que faz de mim responsável por 0.2% do sucesso do brunch) e ser quase corrido de casa por ser exaustivamente chato.

O resultado final foi mais do que um brunch, mas sim uma experiência, por isso o nome de Brunch with a View, porque além da maravilhosa comida existe a possibilidade de nos deliciarmos com uma vista magnífica de Setúbal e com uma música ambiente que envolve mas não sufoca as conversas.

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                                                                                   Pedro Khan é o DJ que dá música ao Brunch no Hotel do Sado

 

O brunch começa com uma flute de espumante, perfeita para brindar a um futuro com menos sobressaltos e mais tranquilidade, sendo que o espumante escorrega pela garganta abaixo que é um mimo.

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                                       A unha pintada não é a minha mas até que nem ficava mal com o meu tom de pele...

Num piscar de olhos a mesa enche-se de coisas boas que tipicamente associamos a um brunch. Um cesto de pão, com pão de fermentação lenta, pão de cereais e uma focaccia de queijo de Azeitão. Uma selecção de pastelaria, onde se pode encontrar um pastel de nata, um croissant e uma mini torta de Azeitão. Uma tábua de charcutaria e queijos, com presunto, mortadela, queijo brie e queijo roquefort e, uma secção de gulodices para barrar no pão (ou para barrar no dedo e lamber sem vergonhas) com compota caseira, manteiga de pimentos morrone e com um dos pontos altos do brunch, a manteiga de ovelha com cardos, que só peca por não vir em embalagens de 1 Kg.

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                                                                                                                           A desgraça de qualquer brunch...o pão!

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                                                                                            Os empratamentos são tão deliciosos como a comida!

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                                                                                                        Aviso!!! Aquelas bolinhas de queijo são potentes!!!

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                         Se alguma vez for comercializada, eu compro 10 kgs daquela manteiga de ovelha com cardos!

Para empurrar tudo para baixo são servidas águas aromatizadas diferentes a cada brunch, mas que são extremamente refrescantes e deliciosas.

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                                                                                             Foto tirada quando fui enfiar o bedelho na cozinha...

Depois de uma pessoa se ter enchido de pão e manteiga eis que aparece o primeiro prato, mostrando que este brunch é uma verdadeira experiência que enaltece os sabores de Setúbal. 

O gaspacho de melancia com a ostra do Sado ao natural com limão é um prato simples mas refinado, com uma frescura de sabores que nos transporta para uma sensação de férias, mesmo que no dia a seguir tenhamos de nos ir enfiar no escritório.

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                                                               Visto as ostras serem afrodisíacas escolham bem a vossa companhia...

Depois é servida a bolinha de choco com chouriço, quentinha, gulosa, a desfazer-se na boca, que tem o seu momento UAU na emulsão negra de limão que a acompanha. Façam a experiência de colocar um pouco da emulsão na ponta do dedo e provarem, e vejam se o vosso cérebro não fica confuso, já que ele não estará à espera que uma coisa preta saiba a uma coisa tão vibrantemente amarela.

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                                                                                                                 A falsa tinta de choco com sabor a limão.

Outro momento marcante da refeição é a açorda de ovas de bacalhau com ovo cozinhado a baixa temperatura e halófitas (para lhe dar uma crocância salgada). Não tenham medo de misturar tudo e enfiar uma enorme colherada à boca, porque a sensação que vão ter é de puro deleite. Garanto-vos que é impossível chegar ao fim sem se arrependerem de não terem trazido um tupperware de casa para irem à cozinha surripiar mais um pouco.

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                                                                                                        Perfeição é pouco para descrever esta maravilha.

A sopa de morangos com sour cream gelada e pimenta verde é servida como pré-sobremesa, e foi o prato que eu consegui depois de muito infernizamento colocar no menu do Brunch with a View. É uma experiência diferente e talvez mesmo desafiante, porque a pimenta limpa mesmo o palato, mas depois de um choque inicial acaba por tornar-se deliciosamente viciante.

Brunch with a View - Hotel do Sado

O prato que depois de muito chorar consegui que fizesse parte do menu...

Provavelmente nesta altura metade de vocês já estão a rebolar só de me ler, mas ainda falta a sobremesa que combina a cremosidade do gelado de couve-flor, com a densidade do lava cake de chocolate e com a acidez do gel de lima e do maracujá. O meu conselho é que coloquem na mesma colher um bocadinho de lava cake e uma gota de gel de lima. Como o chocolate para mim torna-se rapidamente maçudo, a acidez do gel de lima faz um contraste simplesmente divinal.

Brunch with a View - Hotel do Sado

                                                                                                                        Neste prato só a casca do maracujá é que não se come!

Quando findarem a sobremesa esperem uma pequena surpresa para terminar a vossa refeição em grande. Posso dizer-vos que é refrescante, que é caseira e que tem rodas, mas que não é um carrinho de gelados .

Brunch with a View - Hotel do Sado

A surpresa está na parte de baixo da foto minha gente.....

Se estiverem à procura de um local de domingo para irem brunchar em segurança com a família visitem o Hotel do Sado. Estou seguro de que não se vão arrepender.

 

B. by Hotel do Sado Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Medicamento Victan Esgotado: O que fazer?

25.07.20, Triptofano!

Quem habitualmente toma o medicamento Victan (loflazepato de etilo), indicado para o tratamento de crises de ansiedade, crises de angústia, abstinência alcoólica e para o tratamento e prevenção de delírios com tremores, em adultos, já deverá ter dado conta da dificuldade que é arranjar o mesmo nas farmácias.

Segundo a Circular Informativa n.º 134/CD/100.20.200 de 21/07/2020 do Infarmed "A empresa Sanofi Produtos Farmacêuticos Lda., único titular de autorização de introdução no mercado do medicamento Victan 2mg em Portugal – embalagens de 20 e 60 comprimidos -, comunicou ao INFARMED, I.P. a sua incapacidade temporária de abastecer o mercado, tendo indicado o 4.º trimestre de 2020 como data provável de reposição deste medicamento no mercado."

O que fazer então no caso de já não encontrar Victan na sua farmácia habitual?

É possível fazer um pedido extraordinário (sem certezas absolutas do mesmo poder ser satisfeito) ao laboratório por parte do utente para enviar uma embalagem de Victan do stock SOS para a Farmácia da sua conveniência.
 
Para tal todos os utentes interessados deverão enviar um e-mail para PT-Clientes@sanofi.com expondo a situação e pedindo mais informações de como proceder para obter o medicamento.
 
E no caso da resposta ser negativa?
 
Aqui existem duas opções:
 
Em casos mais severos em que existe uma necessidade indiscutível de tomar o fármaco, o utente deverá contactar o seu médico prescritor de forma a ele prescrever uma alternativa terapêutica, de forma à sua saúde não ficar comprometida.
 
Em casos menos severos a opção poderá passar por medidas não farmacológicas para o controlo da ansiedade, que poderão ser aconselhadas pelo Médico, Farmacêutico ou outro Profissional de Saúde com competências para tal, e que passam pela fitoterapia, meditação, técnicas respiratórias, exercício físico, entre outras.
 
Deixo o apelo que, por mais tentador que seja, evitem a auto-medicação com fármacos que vos possam ser cedidos por familiares, amigos ou conhecidos. Cada caso é um caso e cada pessoa é uma pessoa, e a toma de medicamentos sem a avaliação prévia por parte de um Profissional de Saúde pode acarretar graves consequências no futuro.
 

Podemos passar Julho à frente?

22.07.20, Triptofano!

Muitos de nós gostariam de passar o ano de 2020 à frente e esquecer toda esta situação do Covid, mas eu já ficava contente se amanhã acordasse em Agosto, mais concretamente no meio do mês, e conseguisse ter algum descanso, porque sinceramente o meu cérebro está prestes a tornar-se numa espécie de papa Nestum com Mel.

Primeiro que tudo foi em Setembro do ano passado a última vez que tive férias férias, ou seja, já faz quase um ano que tive um período de tempo para desligar completamente do trabalho e não pensar em todas as variáveis que o mesmo envolve. Tinha marcado uma semana para Abril, mas devido ao vírus ela foi cancelada, e tanto o meu cérebro como o meu corpo começam a acusar o cansaço. Continuo a trabalhar em espelho (situação que vai terminar em Agosto) mas apesar de laborar menos horas estou cada vez mais arrasado, sendo que todas as tardes tenho feito sestas de duas a três horas e continuo a sentir-me cansado e sem forças para fazer nada. O meu único medo é estar a desenvolver alguma patologia que possa tornar-se mais severa com o decorrer do tempo, por isso espero que duas semanas de férias a meio de Agosto me ajudem a recarregar baterias.

O descanso em Agosto vai ser mesmo crucial porque, depois de 10 anos a trabalhar em Farmácia Comunitária, decidi tentar mudar de rumo de vida. Não vou deixar o meu trabalho por agora (conto estar nele nos próximos 2 anos aproximadamente) mas candidatei-me e consegui entrar no Curso de Mestrado em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública. É estranho pensar em voltar a estudar depois de tantos anos, mas sinto que agora estou mais preparado para me dedicar à aprendizagem e para me matar de forma a conseguir que os meus estudos me catapultem para um novo emprego. O meu objectivo seria continuar ligado à área da Farmácia Comunitária mas desenvolvendo projectos com o apoio do Estado que permitissem que as Farmácias e principalmente os Farmacêuticos deixassem de ser apenas satélites dos sistema de saúde e começassem a ter um papel mais predominante neste. Agora como é que eu vou conjugar trabalho com estudo é uma coisa que não sei, mas estou pronto a dar tudo por tudo nos próximos 2 anos, não me podendo esquecer que ainda tenho um marido em casa.

Por falar em casa, se em Outubro vão começar os meus estudos, até ao final de Novembro outra grande decisão vai ter de ser tomada, que é saber para onde vou morar, sendo que debaixo da ponte ou para casa dos meus pais não são opções válidas. Isto tudo porque o meu senhorio, ser fofinho e amoroso, que tinha apalavrado a saída aqui do vosso amigo Triptofano nos primeiros meses de 2021, descobriu que afinal tinha uma necessidade urgente de dinheiro e quer vender a casa onde estou o quanto antes, não me deixando sequer passar o Natal sossegadamente. Eu não estou sequer (muito) stressado com as mudanças, mas sim com o facto de não existirem casas em Lisboa a um preço que não envolva ter de vender pelo menos um dos rins. Trabalhar na esquina está fora de questão porque engordei tanto durante esta quarentena que o meu traseiro já precisa de pelo menos um beco. Comprar casa é a melhor decisão neste ponto da minha vida porque permitiria ter uma renda mensal mais acessível, porque não está dentro das minhas possibilidades pagar 1000 euros de renda todos os meses. Agora encontrar um sítio que não seja um antro a precisar de 30 a 40 mil euros em obras, que não custe uma verdadeira fortuna, que esteja num local da cidade minimamente decente e servido de transportes (isto de não conduzir já me fez chibatar muitas vezes acreditem) e que onde caiba eu, o Cara-Metade, as três porcas e o Macaco José tem-se mostrado uma tarefa muito mais difícil do que alguma vez imaginei. O engraçado é que toda a gente me diz para ter calma, que por causa do Covid vão aparecer casas ao preço da uva mijona, mas deixem-me dizer-vos que até a uva mijona está cara que dói.

Além disto tudo, aqui a minha pessoa, detentora de um espírito de iniciativa que mais valia ficar a ver Netflix, há coisa de mês e meio, fundou o CAI, um Movimento de Valorização para a Profissão Farmacêutica, que começou como um simples grupo de Facebook onde os jovens (e não tão jovens) Farmacêuticos podiam manifestar a sua revolta, e acabou sendo na mesma um grupo de Facebook mas que atraiu tanta atenção que já me vi a ter reuniões com pessoas de todo o país e a enviar cartas para meio mundo e de volta de 50 projectos diferentes. Basicamente sempre que converso com uma pessoa nova aparece nova ideia, novo conjunto de coisas a fazer, e apesar de ser extremamente recompensador tem sido também extremamente cansativo. Felizmente que uma das outras fundadoras do grupo, uma colega que está de momento na Noruega, é mulher para lá de organizada, e até uma to-do-list criou, porque se fosse apenas eu a tratar de tudo já nem sabia para que lado me virar.

E pronto, é basicamente este o resumo do meu mês, um mês com pouco blog mas muita vida, muito cansaço e muita vontade de desligar o cérebro durante uma semana consecutiva. E o vosso mês como é que tem sido?

Introspecção 1.1: Procrastinar

16.07.20, Triptofano!

Já não é a primeira vez que falo sobre o assunto no blog, mas tenho uma tendência tão enraizada em procrastinar que chega a uma certa altura em que fico com nojo de mim próprio.

Talvez possam achar que nojo seja uma palavra muito forte, mas é exactamente assim como eu me sinto, e estranhamente, desenvolvi nos últimos tempos uma tendência para tomar banho com mais regularidade, numa espécie de ânsia de me limpar e me sentir menos conspurcado. Um dia que passe totalmente em casa posso chegar aos seis banhos diários, o que obviamente não é bom nem para a minha saúde mental, nem para o microbioma da minha pele nem sequer para a conta da água.

Procrastino tudo. Desde arrumar a casa, a cuidar de mim, a responder a mensagens de um amigo, a tomar decisões sobre o meu futuro, tudo, mas tudo, é procrastinado até ao limite. E poderia desculpar-me com o facto de ser muito atarefado, mas a verdade é que há dias em que passo horas ao telefone ou a ver televisão e não consigo fazer aquela pequena tarefa, ou enviar aquele e-mail simples, ou fazer o telefonema que adio há mais de um mês.

O banho já passou a ser um ritual, uma espécie de transtorno obsessivo-compulsivo, onde lavo-me, retiro todas as energias estagnadas, e depois vou com força fazer uma tarefa. E quando dou por ela já estou a olhar para o anteontem, ou a jogar deitado na cama, ou a ver se alguém me respondeu no Facebook a uma publicação (mesmo que vá procrastinar a resposta a eventual comentário). Depois quando o meu cérebro faz o clique, lá vou eu tomar banho novamente, sentir-me outra vez com energia, a tensão fora dos ombros, um novo recomeço....e é um ciclo sem fim.

Poderia dizer que era preguiça pura e dura esta minha procrastinação, mas há sempre mais num icebergue do que aquilo que conseguimos ver fora de água.

Primeiro pensei que poderia ser um medo horrível de sair da minha zona de conforto, de ter de enfrentar novas situações (apesar de lavar a louça não ser exactamente uma nova situação causadora de ansiedade), de ser demasiado control freak e não ter a certeza de controlar todas as variáveis.

Mas subitamente percebi que eu tenho é medo de controlar o meu próprio futuro. Desde pequeno que tive um caminho mais ou menos traçado pelos meus pais. Que devia ir para uma área de ciências porque as outras ou não davam emprego ou eu não tinha jeito. Nunca sequer questionei e acabei em Ciências Farmacêuticas. Na faculdade segui o protocolo, estudar, passar de ano, acabar o curso, procurar emprego. Tudo quase feito de forma mecânica.

É verdade que houve alturas em que fiz diferente, que arrisquei, que mandei o medo às urtigas, mas nos últimos anos sinto-me cada vez mais acomodado, mais medroso, mais confortável na minha realidade, mais temoroso em fazer algo que possa alterar os acontecimentos.

E isso tudo acaba por impactar as pequenas e as grandes coisas da minha vida. As pequenas e as grandes decisões. O que é banal do que é crucial. Prefiro deixar passar um prazo e dizer que foi o universo que assim quis do que olhar de frente para a realidade e dizer que eu é que tenho um medo do caraças de agarrar a minha vida pelos cabelos (ou pelas orelhas caso seja careca).

Procrastino porque tenho medo de subitamente perceber todo o potencial que tenho à frente e compreender que não tenho capacidades para o agarrar.

Prefiro ficar assim, na segurança do quão pequeno eu sou, do que tentar atingir a grandeza do que eu posso ser.

Hoje vou ter uma conversa com a minha entidade patronal que ando a procrastinar à uma semana. Que gostaria de procrastinar até não poder adiar mais. Que me consome por dentro devido à incerteza que pode trazer ao meu futuro.

Mas se quero crescer tenho de enfrentar as minhas limitações, e perceber que por mais banhos que tome a única forma de limpar a minha cabeça é de dentro para fora!

Introspecção

15.07.20, Triptofano!

Sabem aquelas alturas que quanto mais pensam e tentam chegar a uma conclusão mais baralhados ficam? Pois bem, assim fui eu nas últimas duas semanas.

Não vim cá ao blog e passei muito, bastante, demasiado talvez, tempo a pensar sobre a minha pessoa enquanto individuo singular e enquanto membro da comunidade.

Durante esse intervalo de tempo o blog fez três anos de vida e eu comecei a questionar verdadeiramente se tinha feito algum progresso enquanto ser humano desde o início desta jornada virtual. O que realmente tinha trazido de bom para a comunidade e principalmente de bom para a minha pessoa. Porque para podermos dar temos de estar em paz com aquilo que somos.

Compreendi, ou melhor, aceitei, que existem muitas características da minha personalidade que são incomodativas, que cheiram mal, que estão a meio da caminho de ter bolor e ir para o lixo. E que tenho sistematicamente varrido para debaixo do tapete durante a última década e meia. E que de nada vale colocar relevo nas boas características se não trabalhar arduamente para atenuar as más.

Por isso é que durante a próxima semana, em paralelo com um regresso mais leve e descontraído à escrita, vou mergulhar de cabeça nas características que me apodrecem. Sem ter medo de ser olhado de lado, de ser julgado ou receber comentários depreciativos.

A vida é demasiado curta para estarmos sistematicamente a tentar colocar uma capa à volta das nossas fragilidades e deixar que as mesmas nos corram até à exaustão. Se for para dar o corpo às balas, que seja sem colete!