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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Freeman Feeling Beautiful : Facial Peel-Off Mask Cucumber

30.04.20, Triptofano!

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer quando vou de viagem para o estrangeiro (e da qual vou ter de abdicar este ano por causa do maravilhoso Covid-19) é descobrir produtos de cosmética que sejam produzidos nesse país.

O Freeman Feeling Beautiful é uma marca dos Estados Unidos da América que descobri há uns anos quando visitei Nova Iorque, e que tem imensos produtos para rosto e para corpo, mas que é mais conhecida pelas suas máscaras com ingredientes naturais.

Recordo-me que na altura comprei várias referências mas a que realmente me conquistou, e que ainda hoje uso, é a máscara peel-off de pepino e aloe vera, específica para peles mistas e oleosas.

Freeman Feeling Beautiful : Facial Peel-Off Mask Cucumber

Vou ser sincero, o que mais me fascina nesta máscara não é o facto de retirar impurezas que deixam a pele baça e sem brilho. Também não é o facto do extracto de pepino e aloe acalmarem a pele enquanto hidratam profundamente deixando a cara que é um mimo de tão suave que fica.

O que me deixa ainda hoje rendido é o facto da máscara ser peel-off, porque existe algo de mágico em por momentos passarmos a ser uma espécie de cobra que está a trocar de pele.

Para este momento de glória acontecer basta espalharmos a máscara pelo rosto todo, evitando as mucosas, e deixar actuar durante uns 10 minutos. Nesse intervalo de tempo parece que nos transformámos nuns bonecos de cera ou que fizemos um botox que correu muito mal, porque a sensibilidade no rosto diminui e tudo começa a repuxar.

Passado os 10 minutos basta encontrar uma ponta solta (podem raspar um bocadinho com a unha) e puxar a máscara para revelarem uma pele fantástica e maravilhosa livre de impurezas. O meu conselho é terem atenção com o cabelo, porque se espalharem máscara nessa zona vai ser um bocadinho mais difícil conseguirem tirar tudo.

Obviamente que por vezes a máscara sai direitinha, mas noutras (a maioria sejamos honestos) sai aos bocados, especialmente se tiverem barba de dois dias!  O ideal é no fim do processo passarem a cara por água morna de forma a eliminarem algum bocado de máscara malandra que possa ter ficado.

Agora não fiquem demasiado entusiasmados porque a máscara é fantástica mas é para ser feita com moderação: uma a duas vezes por semana é a frequência ideal para obterem os melhores resultados!

 

Alguém por aí já conhecia esta marca? E a máscara peel-off já usaram? Ficaram fascinados como eu ou nem por isso?

 

Vichy Homme Sensi Shave : Espuma de Barbear Anti-Irritações

Ou como deixar de ter a cara em chamas depois do barbear!

30.04.20, Triptofano!

Eu e a Vichy não temos uma relação muito próxima, talvez por nunca ter trabalhado afincadamente a marca, mas a verdade é que sempre que dou um conselho de cosmética raramente me lembro dela.

A única excepção é quando um homem (nunca aconteceu ser uma mulher mas aqui o Triptofano não descrimina nenhum problema a nível de pêlos faciais) se vem queixar que fica sempre com a pele extremamente vermelha e irritada depois de barbear como se tivesse sido imolado pelo fogo.

O primeiro nome que me sai da boca é a Espuma de Barbear Anti-Irritações Vichy Homme Sensi Shave, tudo porque foi a espuma que salvou o Cara-Metade de ficar sem cara quando estudava na Escola de Hotelaria e Turismo.

Vichy Homme Sensi Shave : Espuma de Barbear Anti-Irritações

Na altura em que ele lá andava não se podia usar barba, por isso todos os dias o homem tinha de usar a lâmina, e como ele tem dermatite a nível do rosto o resultado era ficar sempre com a cara muito vermelha e muito irritada, o que além de desconfortável não era nada estético.

Isto foi até ao dia em que experimentou a espuma da Vichy e digo-vos que foi remédio santo, e o Cara-Metade é daquelas pessoas difíceis de conquistar.

A conjugação de cálcio, vitamina C glucosilada, ácido salicílico e água termal de Vichy previne o aquecimento que pode resultar do barbear, além de preservar o filme hidrolipídico cutâneo evitando as sensações de fricção e irritação. A pele fica protegida e hidratada em profundidade, conferindo uma fantástica sensação de conforto!

Por isso se em vossa casa existe alguém que depois de barbear fica sempre com a cara em Fuego (referência descarada à canção da Eleni Fogueira Foureira) experimentem esta espuma de barbear - aposto que vão ficar satisfeitos! 

 

 

Triptofano Responde: Cuecas da Irina, Retinol, Lavar Máscaras e Crina de Cavalo

28.04.20, Triptofano!

Se existe coisa que eu gosto de ver diariamente são os Termos de Pesquisa aqui do blog, para perceber como é que as pessoas o encontram.

E obviamente que volta e meio fico pasmado a pensar porque é que raio o meu blog apareceu no motor de busca quando alguém tentou vender cuecas usadas da Irina.

Apesar de não conseguir compreender na sua totalidade certos termos de pesquisa, acho que é minha obrigação tentar dar a melhor resposta a todos eles, por isso é que a partir de hoje haverá um post diário chamado Triptofano Responde! 

Triptofano Responde: Termos de Pesquisa

vendo cuecas usadas irina : Primeiro que tudo, quem é a Irina? Estamos a falar da Irina Shayk ou é outra Irina menos famosa? E como é que raio alguém tem cuecas da moça? Ela deixou na lavandaria e quando deu por ela já lhe faltava meia dúzia de pares? Ou é a própria que está a tentar fazer um pé de meia extra através da venda de roupa interior?

Independentemente da pessoa que fez esta pesquisa no Google estar à procura de comprar ou vender cuecas, posso deixar a sugestão do Sniffr. O Sniffr é um site dedicado, entre outras coisas, à venda de cuecas usadas, que podem ter ou não certos sinais mais específicos de uso. Caso decidam entrar neste negócio sugiro-vos que o envio dos bens seja feito em vácuo, de forma a preservar a integridade olfactiva do vosso amigo carteiro!

Onde comprar retinol em Portugal : No blog já tinha dado a minha opinião sobre usar ou não usar retinol, mas não tinha falado onde se podia comprar o mesmo em Portugal.

Existem várias marcas no mercado mas a minha favorita que podem encontrar em farmácia será a Sesderma, mais concretamente a gama Retises!

Se estiverem à procura de uma opção mais em conta mas igualmente boa recomendo a The Ordinary, só que neste caso terão que mandar vir online.

Polipropileno máscaras como lavar : Quando falei sobre os diferentes tipos de máscaras referi que as máscaras FFP2 (feitas de polipropileno) em casos de escassez podiam ser reutilizadas 5 vezes, mas não abordei a lavagem das mesmas.

Os métodos até agora aprovados para a descontaminação destas máscaras são a Vaporização por Peróxido de Hidrogénio e a utilização de Radiação UV a nível hospitalar, sendo que a utilização de lixívia, álcool, água com sabão ou toalhitas desinfectantes não são métodos aprovados de descontaminação, bem como cozer, ferver ou colocar no micro-ondas as máscaras.

Desta forma, o melhor procedimento a nível caseiro, será a chamada rotação de máscaras, onde em cada dia se usa uma máscara diferente, de forma a permitir que a máscara usada seque por tempo suficiente de forma ao potencial vírus que se encontre nela não ser mais viável (falamos dum intervalo de tempo superior a 72 horas).

De forma a que este processo seja feito de forma correcta a máscara deve ficar pendurada a secar, ou, ser armazenada num recipiente limpo e respirável, como um saco de papel, entre cada utilização.

luva crina de cavalo onde comprar : Eu e luvas crina de cavalo temos uma relação de amor-ódio, e é bem verdade que na farmácia onde trabalho já não as vejo à venda faz um bom tempinho.

Agora é provável que ainda existam armazenistas que tenham o produto, por isso liguem ou mandem um e-mail para a vossa farmácia preferida e perguntem! De certeza que o vosso farmacêutico vai-vos ajudar! 

No dia da Liberdade, Joacine devia ter falado!

27.04.20, Triptofano!

Joacine deveria ter falado porque demonstrou interesse para o fazer e não faz sentido ter-lhe sido negada a palavra.

Não porque é preta e gaga como alguns a querem diminuir. Não porque é preta e gaga como alguns a querem divinizar. Sim porque é uma cidadã como todos nós, com direitos e deveres, que está na AR porque foi eleita por cidadãos como ela.

O partido pela qual foi eleita distanciou-se de Joacine, mas se o Livre não é unicamente Joacine não podemos tirar os créditos a Joacine por ter feito o Livre ser parte do que é (foi).

Se o Livre tivesse mais deputados que o representassem, poderia entender melhor a recusa, assim, foi simplesmente calar sem razões de maior a voz de muitos portugueses.

 

"Não esquecerei jamais o 25 de Abril de 2020 por toda a violência simbólica que representou o meu silenciamento pelos partidos da esquerda. Na direita não me revejo, mas não deixa de ser de apontar também o seu voto - e o de toda a esquerda - na Conferência de Líderes para que a palavra me fosse retirada no dia da Liberdade e da Igualdade." Joacine Katar Moreira

No dia da Liberdade, Joacine devia ter falado!(Fotografia de José Carlos Carvalho/ Visão)

Levantar medicação no hospital em tempos de Coronavírus

23.04.20, Triptofano!

Imaginem que precisam de levantar uma medicação hospitalar - por exemplo por causa de um transplante - para tomarem diariamente em vossa casa, mas devido a esta pandemia de Coronavírus queriam evitar a deslocação à farmácia do hospital.

Devido à Operação Luz Verde, até, por enquanto, ao final de Maio de 2020, é possível de forma gratuita para os utentes, pedir que a medicação hospitalar seja entregue na farmácia comunitária mais perto de si.

Se inicialmente os utentes tinham que fazer o pedido aos Serviços Farmacêuticos do Hospital onde eram seguidos, devido à compreensível dificuldade em fazer o contacto telefónico com os ditos Serviços, é pedido agora que o utente peça ao seu Farmacêutico Comunitário (ou seja o farmacêutico fofucho que trabalha em farmácias fora do hospital) para fazer esse pedido.

O Farmacêutico Comunitário irá entrar em contacto com a LAF - Linha de Apoio ao Farmacêutico - que após a identificação do utente irá fazer o pedido ao hospital de forma a que a medicação seja entregue na Farmácia Comunitária que o utente escolheu (o utente pode até escolher uma farmácia que não costume utilizar de forma a preservar a sua privacidade casa assim o entenda).

Quando o medicamento hospitalar chegar à farmácia comunitária (caso o hospital dê luz verde ao processo), o farmacêutico comunitário telefona para o utente para ele o vir levantar - rápido e fácil!

Por isso se fazem ou conhecem alguém que faz medicação em casa que vai buscar ao hospital, podem beneficiar da Operação Luz Verde! 

Levantar medicação no hospital em tempos de Coronavírus

Que máscara é que devo utilizar? Máscara comunitária, cirúrgica ou FFP2?

Tipos de máscaras de protecção e as suas características!

21.04.20, Triptofano!

Existem três tipos de máscaras de protecção à venda nas farmácias e é normal que muitas dúvidas se levantem sobre as mesmas, especialmente qual a mais indicada para cada pessoa.

De forma a poder ajudar e esclarecer, fica aqui um resumo das principais características de cada máscara!

Máscara comunitária, cirúrgica, FFP2: Qual é que devo utilizar?

Máscara comunitária

A máscara comunitária está classificada como um artigo têxtil, sendo que o objectivo da sua utilização é o de diminuir a disseminação de partículas. A ASAE é a entidade que regula este tipo de máscara cuja matéria-prima é habitualmente algodão (podendo no entanto ser feita a partir de outra matéria-prima) e que pode ou não incluir materiais filtrantes (como por exemplo o TNT).

Estudos sugerem uma capacidade de filtração média de partículas na casa dos 50%, podendo ser utilizadas na comunidade, por indivíduos saudáveis e/ou assintomáticos (em situações em que não é possível garantir o distanciamento social e cumprindo com as regras de etiqueta respiratória e lavagem ou desinfecção das mãos).

A máscara comunitária é reutilizável, tendo de haver o cuidado de não a utilizar mais do que 4 horas seguidas e de a lavar a 60ºC após utilização.

Máscara Cirúrgica

A máscara cirúrgica está classificada como um Dispositivo Médico, sendo que o objectivo da sua utilização é o de promover o controlo de infecção, protegendo o doente e o ambiente. O Infarmed é a entidade que regula este tipo de máscara cuja matéria-prima são duas ou três camadas de Tecido não Tecido (TNT).

Estas máscaras tem uma capacidade de filtração bacteriana no mínimo de 80/85%, e uma capacidade de filtração de partículas na casa dos 70/80%, sendo equivalente a máscaras FFP1. É recomendada a utilização por indivíduos doentes ou suspeitos e respectivos cuidadores, bem como por profissionais de saúde, para prestação de cuidados não geradores de aerossóis.

A máscara cirúrgica é de uso único, devendo ser inutilizada quando fica húmida devido à respiração.

FFP2

A máscara FFP2 está classificada como um Equipamento de Protecção Individual, sendo que o objectivo da sua utilização é o da protecção do profissional em ambientes de risco, químico ou biológico. O Instituto Português da Qualidade (IPQ) é a entidade que regula este tipo de máscara cuja matéria-prima são fibras de polipropileno, com ou sem válvula respiratória.

Estas máscaras tem uma capacidade de filtração no mínimo de 95% de partículas em suspensão no ar, sendo iguais às máscaras N95 (classificação americana). São recomendadas para utilização por profissionais de saúde, para prestação de cuidados geradores de aerossóis.

A máscara FFP2 é de uso único, no entanto, em caso de escassez, o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) sugere uma utilização máxima ininterrupta de 8 horas ou de 5 reutilizações.

Máscara comunitária, cirúrgica, FFP2: Qual é que devo utilizar?

Qualquer que seja a máscara que adquiram a mesma deve ser colocada e retirada da forma correcta de forma a prevenir o risco de infecção!

Deve haver uma lavagem correcta das mãos, antes e depois de colocar e remover a máscara. Sempre que possível esta deve ser colocada pelo próprio, ajustando-se a mesma ao nariz, tendo o cuidado de cobrir todo o rosto até ao queixo. Não tocar na máscara (por mais vontade que dê coçar o nariz) durante o período do utilização da mesma, sendo que a mesma deve ser removida pelos atilhos ou elásticos laterais, não tocando na zona frontal!

 

A informação neste post foi retirada do Cedime Informa (Cento de Informação do Medicamento) da ANF.

 

Kalifat: A série para ver nesta quarentena

17.04.20, Triptofano!

Disponível no Netflix, Kalifat é uma série sueca cuja história se passa entre a Suécia e a Síria, e aborda o tema da radicalização religiosa, radicalização esta que levou a que muitos jovens europeus tenham fugido dos seus países para irem de encontro ao auto-denominado Estado Islâmico, conhecido como Daesh.

Kalifat: A série para ver nesta quarentena

Kalifat leva-nos numa viagem de emoções díspares, desde a revolta à comoção, do medo à esperança, fazendo-nos mais que uma vez questionar o que faríamos se a radicalização religiosa batesse à nossa porta e nos levasse os nossos filhos ou alguém que profundamente amássemos.

Não é uma série leve que se veja para distrair a mente, são sim oito episódios fortemente viciantes que nos fazem ficar agarrados ao ecrã enquanto os nossos sentimentos relativamente às personagens vão mudando consoante a história nos é apresentada minuto a minuto.

Kalifat não pretende apresentar desculpas nem encontrar culpados, apenas mostrar que existe mais que uma versão para uma mesma história. Que todos podemos mudar de opinião, mas que as nossas escolhas trazem consequências acopladas. E que é muito mais fácil julgarmos e tomarmos decisões quando as coisas não se passam dentro de nossa casa.

Kalifat é sem dúvida a série para ver nesta quarentena e para nos relembrar que qualquer radicalização é perigosa. Seja religiosa, política ou clubística, quando deixamos de ver a imagem global e passamos a ter palas nos olhos para apenas enxergar uma parte do todo, estamos a enveredar por um caminho que mais cedo ou mais tarde vai causar sofrimento: a nós, aos outros, ou a todos...

Olha eu a escrever noutro blog!

09.04.20, Triptofano!

Pois claro, aqui a minha pessoa não tem tempo sequer para coçar como deve ser o belo do rabiosque, mas quando o Filipe do Caneca de Letras me convidou a ser uma sardinha no blog que ele criou eu disse logo que sim.

Bem, estou a mentir com todos os dentes que tenho na boca, porque o meu sim foi demorado, reflectido, ponderado, porque não que eu não adore escrever - mas e o tempo, e a vontade, e os temas sobre os quais falar?

É que quando vi os companheiros de guelras, todo eu tremi, porque é gente que escreve coisas que às vezes eu não percebo, que tenho de ir buscar um dicionário, e eu sou pessoa que gosta de dissertar sobre os bocados de papel higiénico que ficam presos entre o nalguedo.

Mas depois compreendi algo que aos 33 anos já devia ter compreendido há muito. Não vale a pena estarmos a comparar-nos com os outros, a pensar que X ou Y são melhores ou mais eloquentes ou usam palavras mais XPTO do que nós.

O importante é a nossa individualidade, a nossa singularidade, a nossa essência. Podemos falar da crise mundial, da qualidade nutricional dos macacos do nariz, do Covid-19 ou da melhor coreografia de Zumba de 2019 - mas o importante é que quando o fazemos sejamos nós, sejamos verdadeiros, sejamos a nossa voz, sem aqueles auto-tunes que tentam por a Maria Leal a cantar minimamente bem mas sem sucesso.

Aceitei escrever no Sardinhas, mas sem comparar-me, sem modificar-me, sem tentar ser um Tenor quando na realidade sou um Barítono: o que importa é que a música seja agradável!

As quintas-feiras serão o meu dia de nadar por outros rumos, e hoje escrevi sobre algo importante, sobre como na violência doméstica não há sexo nem género, há apenas vítimas!

Passem por lá e deitem um olhinho - e se por alguma razão precisarem de desabafar, sabem qual é o meu e-mail!

Portugal país de brandos costumes? Não no Facebook!

04.04.20, Triptofano!

Podia dizer que a culpa é do isolamento social, que deixa as pessoas mais nervosas e com mais tempo para libertar frustrações, mas infelizmente este problema é pré-Covid. Portugal pode ter a fama de ser um país de brandos costumes, mas no Facebook em cada esquina encontra-se um justiceiro mais ou menos anónimo que não tem pudores em destruir a vida de alguém.

Vou dar-vos um exemplo concreto. Numa das várias páginas de resgate animal que existem na rede social FB, colocaram o vídeo de um animal já idoso que não aparentava receber os melhores tratamentos.

Como Portugal é um país cheio de investigadores privados de algibeira - se a trama da Casa de Papel fosse em terras lusas os assaltantes nem duravam meia hora, quanto mais já estarem na quarta temporada - descobriu-se logo de quem era o animal, qual era o veterinário que o tinha visto, quantas vezes limpavam o pátio, se ele era escovado ou alimentado com uma ração com baixo teor de hidratos de carbono.

E atenção, não estou a tentar dizer que as pessoas não devam ser polícias umas das outras - em certos casos é mesmo necessário, como em situações de violência doméstica onde estamos perante um crime de natureza pública. Agora as pessoas não devem ser juízes, guardas prisionais ou torturadores semi-profissionais uns dos outros - é bullying, é assédio, é crime! Independentemente de poderem ter toda a razão do mundo.

No caso concreto que vos estava a falar, rapidamente estourou nas redes sociais - porque quando uma informação deste rebenta faz mais danos que uma granada - a suposta foto da dona do animal, com hiperligação para o seu perfil de Facebook.

E novamente atenção, não estou a defender atitudes de ninguém, somente a dizer que colocar a foto de alguém com a ligação para o perfil público dessa pessoa é algo que não está de acordo com os nossos brandos costumes. Porque ninguém tem a certeza se aquela pessoa é verdadeiramente a dona do animal. Se a história é exactamente como a contam. Numa era de fake news cada vez mais comemos pelos olhos com apetite o que nos querem contar.

E mesmo que a pessoa da foto e da hiperligação seja a culpada, existe uma linha que não devemos ultrapassar.

O perfil da mulher estava cheio, mas cheio, de comentários de pessoas a falarem sobre o assunto. E ia desde os simples "se não pode cuidar do animal eu não me importo de ficar com ele", até aos complexos "se te visse na rua matava-te minha grande cabra", "devias apodrecer algemada num pátio" ou "nunca mais vais poder sair de casa, a tua cara vai estar em todo o lado".

Por mais que uma causa nos mova, por mais que tenhamos revolta dentro de nós por causa das atitudes nefastas de alguém, por mais que outra pessoa mereça ser castigada judicialmente, as redes sociais não são o lugar para libertar frustração vingativa justiceira e depois ir fazer o jantar como se nada se passasse.

Como será que se sente a mulher que recebeu estes comentários de forma massiva? Terá coragem para sair à rua? Para ir trabalhar? Li relatos de pessoas a dizer que iam entrar em contacto com a entidade empregadora para a exporem, para ela provar o seu veneno. Única prova: uma foto e um texto que alguém colocou online.

E mesmo que a pessoa seja culpada, não devemos nós limitarmos-nos fazer o nosso papel enquanto cidadãos através da denúncia às autoridades competentes? Uma, duas, três vezes, as que forem necessárias até o problema ser resolvido? 

Portugal tem a fama de ser um país de brandos costumes, mas não no Facebook. Aí atiram-se pedras sem medo de rachar cabeças, e pode não se ver, mas o sangue que acaba a escorrer das feridas abertas é bem real.

Voltámos

02.04.20, Triptofano!

Se há coisa que gostaria que nunca nenhum de nós tivesse passado era por esta pandemia do Coronavírus. Ninguém merece viver com medo, com medo de sair de casa, de ficar doente, de acabar numa cama de hospital. 

No entanto aqui estamos, e como não podemos fazer nada para além das nossas capacidades individuais, resta-nos reflectir sobre a nossa vida e, como ela mudou de um instante para o outro.

Se muitas das mudanças foram más - não podermos estar juntos a abraçar e beijar aqueles que amamos para os proteger-mos - houve outras que só não são melhores por serem resultado deste vírus.

Deixo-vos um texto que o meu Cara-Metade escreveu no Facebook, para ficarem com um sorriso no rosto e para inundarem a caixa de comentários com respostas à pergunta final! 

Voltámos

"VOLTÁMOS. E, de repente, damos um passo atrás para ver tudo o que se passa à nossa volta.

Voltam às ruas os Azeiteiros que, qual loja com rodas, providenciavam outrora os bens essenciais para as pessoas que não podiam ir às lojas. Volta o pão na porta. Volta a tele-escola e até se pensa na moderna medida de distribuir fichas aos alunos pelo correio porque muitos se encontram desprovidos de tecnologia e internet (!). Volta o contacto entre vizinhos e a mais elementar forma de mercantilismo, na troca direta de farinha por salsa. Volta a entreajuda entre o dono da loja e o seu freguês. Voltam as Juntas de Freguesia e a sua proximidade. Volta a vontade de fazer pão em casa. Volta a confiança do "não se preocupe, paga depois". Voltam os costumes de se conversar à janela e perscrutar a vida que passa. Se foi, num determinado tempo adjetivado de intromissão na vida alheia, hoje é o escape de muitos. Voltam os valores, mais importantes que a rotina. Voltam os profissionais reformados porque a sua experiência nos faz falta. Volta a culinária "daquilo que há" ou "do que a terra dá". Voltam os cantores e músicos de beiral. Volta a família e a sua importância. Voltam os mercados e a sua importância na proximidade às populações quando os outros supermercados já esgotaram a sua capacidade. Voltam os trabalhos de casa. Volta o bacalhau seco porque assim se preserva melhor. Voltam as conservas. E voltam as conversas. Volta a confiança no pivot do telejornal, que a minha avó cumprimentava, há 30 anos atrás e pelo respeito que lhe tinha, quando ele abria o telejornal com um elementar "Boa tarde".

VOLTOU TAMBÉM

a lojinha pequena. Voltou o ar puro. Voltaram os pardais. Voltaram as estrelas. Voltaram os sons da natureza. Voltámos a falar uns com os outros. Voltou a preocupação em ligar só para saber se estás bem. Voltamos ao essencial do que temos por casa. Voltou a ternura e o amor pelos nossos. Voltou tanto.

Permanece a tecnologia. Mas tudo o que volta é mais eficaz. É mais humano. Mas se não fosse pela necessidade nesta crise, tudo o que volta, devia ficar. É o tudo que já fomos que regressa e o que hoje, mais ou menos obrigados, somos.

Lembram-se de mais alguma coisa que tenha voltado? Partilhem comigo."

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