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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Colocar Perfume para Ficar em Casa: Burberry Touch For Men

31.03.20, Triptofano!

Antes desta pandemia eu acreditava piamente que tinha nascido para trabalhar a partir de casa, sentadinho com o meu pijama à frente do computador enquanto comia torradas literalmente soterradas com manteiga.

Só que uma coisa é aquilo que nós achamos que é o ideal para nós, e outra totalmente diferente é aquilo que realmente faz sentido na nossa vida. E por mais que seja exaustivo ir trabalhar na farmácia, tenho que agradecer o poder ir trabalhar, porque ficar em casa o dia todo iria deixar-me pirado da cabeça muito rapidamente.

Pelo facto de estar a trabalhar por turnos, o meu horário reduziu drasticamente. E se nos dias em que entro de manhã tenho de estar bastante cedo na farmácia, nos outros ou só começo a trabalhar depois de almoço ou tenho o dia completamente livre (sempre a fazer algum teletrabalho mas com a opção do pijama e das torradas).

O problema é que ficar em casa é extremamente pouco produtivo para a minha pessoa. Porque eu arrasto-me, durmo um bocadinho, arrasto-me outra vez, perco-me a olhar para o telemóvel, vou dormir mais uma soneca, e quando dou por ela não fiz nada de especial com o meu tempo.

Por isso é que decidi que mal acordo de manhã, a primeira coisa que faço é arranjar-me como se fosse sair. Banho tomado, roupa de rua vestida e perfume colocado, para o meu cérebro entrar no modo "activo" e sair do modo "hibernação".

O perfume que tenho andado a colocar quando estou em casa é da Burberry, mais especificamente o Burberry Touch, uma Eau de Toilette para homens.

Colocar Perfume para Ficar em Casa: Burberry Touch For Men

O Burberry Touch é um perfume bastante fresco, sendo que a sua fragrância encaixa-se nos florais e orientais especiados. Caso não saibam (eu não sabia e tive que ir pesquisar) mas um oriental especiado é um tipo de fragrância baseada na pimenta, no cravo, na canela e no cardamomo, entre outros.

As notas de topo deste Burberry são compostas por tangerina, absinto e folhas de violeta, enquanto que no coração encontra-se a pimenta branca, a noz-moscada e o cedro, sendo que o almíscar branco, o vetiver e a fava tonka encerram as notas de fundo.

Ideal para um dia de quarentena de primavera ou outono, esta Eau de Toilette surpreende pela sua durabilidade e pela sua envolvência, irradiando fragrância até à distância de um braço (ou seja, mais ou menos a distância de segurança que temos de ter do vizinho caso precisemos de ir despejar o lixo ao mesmo tempo).

Colocar Perfume para Ficar em Casa: Burberry Touch For Men

E vocês por aí, como é que passam o tempo em casa? Pijaminha e cobertor, ou também se vestem a rigor com perfume e tudo nem que seja para ficarem a ver mais uma temporada da vossa série preferida?

 

Nuxe Nuxellence Éclat : O meu segredo para não ter tão má cara!

31.03.20, Triptofano!

Vamos já aqui ser honestos, nesta altura do campeonato eu posso ter muita coisa, mas boa cara não é uma delas.

Eu acordo destruído, eu deito-me destruído, eu ando durante o dia destruído, o que obviamente faz com que a minha pele se ressinta. Era bom continuar a ter uma aparência fresca e jovial como uma alface, mas a realidade é que estou a mais ao nível de um bróculo que ficou demasiado tempo esquecido no frigorífico - assim amarelado e já a esfarelar-se ao toque.

Se por um lado usar máscara no trabalho faz-me sentir um bocadinho mais confiante com a minha aparência, já que metade da minha cara está tapada (bom bom era se pudesse usar uma bata-burka anti Covid-19), por outro, quando a tiro, parece que a minha pele ainda fica mais sensível e irritada.

E sim, eu sei que a aparência é o menos importante em plena pandemia, mas se as coisas já andam tão complicadas, pelo menos que uma pessoa não enfarte sempre que se veja ao espelho.

Aqui no blog já tinha falado uma vez do Nuxellence Éclat da Nuxe, mas decidi voltar a trazê-lo à ribalta porque tem sido o produto que tenho usado para não ter tão má cara.

Nuxe Nuxellence Éclat : O meu segredo para não ter tão má cara!

O Nuxellence Éclat é o que eu chamo um pré-serum, que é basicamente um produto que pode ser usado antes do sérum, caso tenham uma pele que esteja sequiosa de produtos como é o caso da minha. Se a vossa pele for exigente mas não em demasia podem usá-lo apenas como sérum, e se por acaso tiverem uma pele muito oleosa que não necessite de muito para ter conforto até o podem usar como o vosso creme diário.

O Nuxellence Éclat, que tem na sua composição coisas boas como o ácido hialurónico e o maracujá, actua a nível das mitocôndrias da célula, carregando-as de energia, levando a que a nossa pele fique rejuvenescida e radiante - um verdadeiro mimo.

Mas o melhor da fórmula são os pigmentos correctivos que iluminam a pele de imediato, fazendo com que a pessoa passe de lula ultra-congelada para unicórnio acabado de colher. Juro-vos que se pudesse eu tomava banho nestes pigmentos correctivos de tão bons que são.

Este cuidado anti-envelhecimento da Nuxe é para qualquer idade, dos 20 aos 120, sendo que outra das grandes vantagens é potenciar até duas vezes a eficácia de qualquer produto que se ponha depois.

Em termos de durabilidade o produto rende que é uma coisa doida, já que tem um doseador que evita a tentação da pessoa se barrar com ele, qual manteiga em pão quente. Uma bombada para uma cara de tamanho pequeno a médio, duas bombadas para uma cara de tamanho pequeno a médio + pescoço e decote, duas bombadas para um cara de tamanho grande. 

Aparentemente eu tenho uma cara de tamanho grande porque uma bombada não é suficiente para mim, mas também é porque eu gosto de sentir que estou a espalhar creme na cara.

Em termos de textura o Nuxellence Éclat é extremamente fluido, absorve muitíssimo bem e tem um perfume agradável e delicado, que nos dá algum alento para enfrentarmos mais um dia complicado.

Nuxe Nuxellence Éclat : O meu segredo para não ter tão má cara!

Quem é que já experimentou este produto da Nuxe? Quais são os vossos segredos para não andarem com má cara nesta altura? Ou sou eu o único que anda destruído por dentro e por fora?

 

A verdade sobre os vídeos de exercício de 30 minutos

30.03.20, Triptofano!

No trabalho só se fala do Covid-19. Nas notícias só se fala do Covid-19. No Facebook só se fala do Covid-19. Ligo aos meus pais que também falam de outras coisas, mas maioritariamente do Covid-19.

E com tudo isto a minha sanidade mental está por um fio, por isso, visto que a piscina já está fechada há quase um mês, resolvi começar a fazer exercício usando aqueles vídeos de 30 minutos do Youtube.

Já experimentei várias modalidades dadas por pessoas diferentes de forma a ter uma opinião mais informada sobre o assunto, e sinto que agora estou pronto para colocar o dedo na ferida, para vos mostrar TODA a verdade sobre estes vídeos de exercício de 30 minutos.

Nunca ninguém está cansado. Acham isto normal? Como é que num vídeo de 30 minutos de exercício - repito - 30 MINUTOS - as pessoas nunca ficam cansadas? Estão ali todas frescas e fofas, sem uma pinga de suor, com o cabelo maravilhoso, o sorriso maravilhoso, como se tivessem nascido a fazer agachamentos e alongamentos sem o joelho ultrapassar a linha imaginária do pé! Uma pessoa normal como eu, ao fim de três minutos já está a ver a vida a andar para trás, a sentar-se discretamente no sofá (não vão as pessoas do vídeo estar a ver) e a ofegar como uma foca a entrar em trabalho de parto. 

Os gritos motivacionais são irritantes. Aquele grito inicial de guerra é só a coisa mais idiota de sempre. Eu gritaria super motivado se me dissessem que podia sair de casa para ir a um all you can eat de sushi, isso sim. Fazer exercício não é um prazer orgásmico, é sim uma obrigação para não aumentar demasiado de peso e partir a cama, que depois não tenho como sair de casa para ir ao IKEA comprar outra. Os gritinhos de motivação no meio dos exercícios também me deixam destruído, porque não é possível alguém estar a meio de uma rotina complexa e ainda ter energia para mandar frases do tipo tu consegues, não desistas ou acredito em ti. As únicas coisas que eu consigo dizer durante o exercício são uma mescla de palavrões e palavras incompreensíveis carregadas de gafanhotos.

Não existem vídeos para iniciantes. Aquela história do ah e tal vou escolher um vídeo que tenha escrito que é para iniciantes é uma mentira minha gente. Não existe tal coisa, é apenas um engodo para vos levar a crer que não vão ficar demasiado exaustos e a cheirar a cavalo no fim daqueles 30 minutos - que para mim nunca são 30 que eu desligo o vídeo no máximo após 10. E aqueles que possuem três instrutores - um de nível básico, um de nível médio e um avançado - mas fazem todos exactamente o mesmo? Para quando pessoas reais, suadas, quase a ter um ataque cardíaco nestes vídeos? #representatividade

Cuidado com o que vos rodeia. Eu sei que há quem tenha casas enormes, com imenso espaço para arredar sofás e mesas e carpetes e poder fazer rotações de braços à vontade, mas há muita gente que como eu vive em apartamentos mais aconchegantes, onde uma pessoa se der uma bufa mais mal cheirosa ela permanece durante 45 minutos porque não tem para onde se dissipar. No meu caso em concreto já perdi a conta ao número de vezes que dei cacetadas no candeeiro do tecto, ia quase derrubando a televisão ao perder o equilíbrio e já enfiei um pé na gaiola das minhas porcas-da-índia por causa de um alongamento de pernas que prometia um rabo mais duro e menos parecido com um pudim boca doce.

Tenham um dicionário à mão! Eu ainda era do tempo em que fazer exercício consistia em ir abaixo, ir acima, abrir os braços, fechar as pernas, e pouco mais. Agora existem coisas chamadas burpees que eu pensava ser o nome técnico daquele arroto que a pessoa dá quando começa a fazer exercício meia hora depois de ter comido uma feijoada. Há partes do corpo que eu nem sequer sabia que existiam, e que nos pedem para contrair enquanto visualizamos um feixe vermelho de luz a irradiar do nosso sacro. E depois há coisas que me ultrapassam completamente e só devem ser acessíveis a seres iluminados, como o tocar com o umbigo nas costas enquanto se dilata a pélvis - e a gordura abdominal o que é que eu faço com ela podem-me dizer?

O resultado final não compensa. É verdade que uma pessoa enquanto está a fazer exercício não pensa no Covid-19, mas estes vídeos acabam por ter um reverso da medalha. É que depois de tanta caloria perdida uma pessoa fica com uma fome desgraçada, e vai de atacar as conservas que guardou na dispensa. E quanto mais depressa as conservas acabarem mais rapidamente se tem que sair para a rua e ir ao supermercado, protegida da cabeça aos pés, não vá alguém ter a ousadia de espirrar sem ser a uma distância de 2 metros e meio. 

E vocês, usam estes vídeos para fazer exercício? Ou estão a treinar para ser medalha olímpica de comer bolachas de chocolate no sofá?

 

Trabalhar numa Farmácia em tempo de Pandemia

26.03.20, Triptofano!

Exaustão.

Esta é a palavra que melhor descreve o estado de espírito de todos aqueles que trabalham em farmácia em plena pandemia do coronavírus.

Se é verdade que os farmacêuticos não estão tão expostos como médicos ou enfermeiros que trabalhem a nível hospitalar, não é menos verdade que as farmácias são a porta de entrada para o SNS, sendo que todos os dias temos de lidar com dezenas ou mesmo centenas de utentes - nunca sabendo quem é que pode estar ou não infectado.

Vou-vos relatar como é que tem sido a realidade laboral na farmácia onde eu trabalho, para perceberem a loucura que tem sido a minha vida nestes últimos tempos.

Quando os primeiros casos surgiram em Portugal, a nossa decisão foi continuar a trabalhar de porta aberta mas com algumas restrições. Só entrava na farmácia um utente por cada farmacêutico que estivesse livre para atender e tinha de manter uma distância de segurança do balcão. Para isso fizemos umas marcas com fita adesiva vermelha no chão de forma às pessoas saberem onde deveriam permanecer.

Claro que houve quem desrespeitasse completamente as marcas quase que se deitando em cima do balcão e quem ainda resmungasse que não fazia sentido nenhum e que como é que podiam ser atendidas assim e bla bla bla. Para nós também não era muito cómodo, porque tínhamos de passar o dia inteiro a gritar, já que bastava haver um utente mais surdo para em menos de nada toda a farmácia estar literalmente aos berros.

Nessa altura foram encomendados uns acrílicos para colocarmos no balcão de forma a podermos ter as pessoas mais perto mas sem risco de levarmos com um gafanhoto contaminado mesmo no meio da cara, como aqueles que existem nas bilheteiras das estações de comboio. Acabámos por nunca os estrear já que o número de casos começou a aumentar a um nível assustador.

Fechámos completamente a farmácia ao público e agora só atendemos ao postigo. O problema é que o postigo foi criado para atendimentos pontuais, e não para ser usado durante todo o dia. Não existe privacidade, a comunicação é muito mais complicada, além de que as filas gigantescas que se formam fazem com que uma pessoa tenha sempre aquela urgência de despachar trabalho.

Sinto que faço o melhor que posso com as condições que tenho, mas também tenho a noção que as pessoas não vão tão bem servidas como iriam numa situação normal. Atenção, as pessoas não vão mal servidas, mas a qualidade do atendimento diminuiu. Sei que é algo que não posso controlar, mas também é algo que me deixa insatisfeito.

Na farmácia onde trabalho somos 9, e para minimizar o risco de um colaborador ficar infectado e a farmácia ter de fechar por todos os outros entrarem de quarentena, dividimos-nos em equipas de 3 pessoas, que vão rodando. O turno A vai das 9h às 14h, o B vai das 15h às 20h, e o C vai no dia a seguir das 9h às 14h - o que faz com que entre cada período de trabalho tenhamos 24 horas de descanso. Das 14h às 15h a farmácia fecha para uma desinfecção de alto a baixo.

E se é verdade que trabalho menos agora em número de horas, tenho de confessar que o meu nível de exaustão aumentou de uma forma louca. Porque no período em que estou na farmácia é o completo caos.

A fila de pessoas é até perder de vista - parece que existe sempre alguma coisa para comprar. Os telefones não param de tocar, para esclarecer dúvidas, para fazer encomendas ou para desabafar - e o som deles enraíza-se de tal forma na cabeça que quase leva à loucura. Na caixa de e-mail estão constantemente a cair encomendas, de pessoas que (e bem) não querem ficar na rua ao frio, à chuva ou à mercê da falta de cidadania dos outros que teimam em não manter a distância de segurança.

Ao mesmo tempo que isto acontece a campainha da porta está constantemente a tocar. Ou são pessoas que vieram levantar e pagar encomendas, ou são os distribuidores de medicamentos que chegam com mais um pedido de medicamentos - normalmente com um atraso de dois a três dias, tal é o pandemónio em que todos estão.

As caixas de plástico onde chegam os medicamentos, vulgarmente conhecidas como banheiras, tem de ser pulverizadas com Soluto de Dakin e ficar em quarentena durante 15 minutos, antes de as podermos levar para dentro. Só nessa altura é que podemos tentar começar a dar entrada dos medicamentos que vieram - se o telefone deixar de tocar, se os e-mails deixarem de aparecer, se as pessoas decidirem não vir à farmácia só para se queixarem que os comprimidos que costumavam fazer eram azuis e agora aqueles são verdes com pintinhas amarelas.

Desinfectamos as mãos entre cada atendimento de forma compulsiva. Antes usávamos luvas mas percebemos que não era o melhor procedimento por isso agora trabalhamos de mãos nuas. Pulverizamos multibancos e postigo com álcool a 70ºC entre cada atendimento. Temos no rosto máscaras cirúrgicas que nos dificultam a respiração e a mim deixam os lábios a escamar como se fosse uma cobra.

Não temos máscaras, nem álcool, nem álcool gel para vender. O material que usamos para nos proteger e para proteger os outros foi conseguido a preços astronómicos, e mesmo assim não é suficiente para o tempo que esta pandemia é suposto durar.

Custa-me ver nas redes sociais pessoas a denegrirem o bom nome de farmácias por terem comprado uma máscara a 18€, quando a culpa, na maior parte das vezes, vem de trás. Mas as pessoas não querem saber, quem dá a cara, quem não pode estar de quarentena, quem tem de estar de portas abertas por ser considerado um serviço essencial é que tem de ser enxovalhado, envergonhado, muitas vezes ameaçado.

Quando venho para casa, sempre com medo do que é que posso trazer - deixei de ver os meus pais à quase um mês para ter a certeza que não os infecto - não me deito a dormir. Continuo ligado ao telemóvel, a esclarecer dúvidas do meu trabalho e do trabalho do meu grupo ao responsável do grupo que vem a seguir ao meu. Porque não estamos juntos, vemos-nos ao longe, mas não mais do que isso.

Exausto é como eu me sinto. Exaustos é como todos os farmacêuticos e profissionais de farmácia neste momento se encontram.

Mas continuamos todos os dias a ir para o trabalho, porque sabemos que a população precisa de nós, mesmo que muitas vezes essa população não nos dê o valor merecido.

O meu pequeno contributo nesta altura de pandemia!

19.03.20, Triptofano!

Querida Família do Sapo,

antes de mais espero que todos estejam bem, seguros e saudáveis, e que muito em breve possamos acordar e já não viver neste estado de pandemia.

A minha vida ultimamente tem girado toda à volta deste novo coronavírus, e se de momento até trabalho menos horas presenciais na farmácia, nunca me senti tão exausto como agora.

De qualquer das formas continuo a sentir a obrigação, enquanto profissional de saúde e de cidadão, de fazer o meu melhor para contribuir para a educação para a saúde, tendo por isso abraçado duas pequenas iniciativas, se assim as posso chamar!

A primeira, foi escrever um artigo de opinião para a Zomato, com recomendações para sobrevivermos a esta pandemia e não ficarmos com o cérebro a parecer uma daquelas misturas de Nestum Mel com leite morno!

Tentei fazer uma coisa leve, não muito técnica e com algum sentido de humor, mas vocês serão as pessoas mais indicadas para me dizerem se consegui ou não alcançar o meu objectivo. Podem ler o artigo aqui, e para aqueles que nunca viram a minha maravilhosa fuça (ou seja nunca foram ao Instagram) vão ter o prazer de encontrar uma foto minha. É verdade que podem desenvolver cataratas, mas isso são detalhes.

Socorro!, como é que vou sobreviver ao Coronavírus?

 

A segunda foi criar um grupo no Facebook (sim o FB ainda existe, é uma loucura eu sei) chamado Fique em Casa! Pergunte ao Farmacêutico! , que tem como objectivo ajudar todos aqueles que possam ter dúvidas de saúde e evitar que tenham de sair de casa ou telefonar para a sua farmácia habitual, dando algum descanso aos farmacêuticos que estão na frente da batalha.

O grupo tem como Moderadores apenas farmacêuticos com imensa experiência e vastos conhecimentos, por isso, modéstia à parte, se querem um local onde possam obter respostas fidedignas é aqui.

Gostava de passar mais tempo aqui no blog, a ver os vossos posts e a comentar, mas de momento a minha cabeça só pensa em Covid-19. O meu único momento de abstracção é quando faço um pouco de Yoga diário, mas sei que tenho obrigatoriamente de mudar a minha rotina de pensamento se não vou endoidecer em breve.

Acabo este post, estranho para mim confesso, porque parece que as palavras não fluem, com um agradecimento.

Obrigado a todos os que estão a fazer a sua parte para ganharmos a luta contra este vírus. Juntos tenho a certeza que vamos vencer! 

Coronavírus, Farmácia e Medicamentos

10.03.20, Triptofano!

Estive bastante tempo a pensar se escrevia ou não escrevia este post, porque a última coisa que quero é contribuir para o pânico generalizado que se está a criar devido ao assunto Coronavírus.

Apesar de confessar que nunca pensei que as coisas pudessem chegar a proporções tão preocupantes, especialmente em Itália, continuo a defender que a melhor arma contra esta pandemia é o bom senso.

Não vamos todos morrer nem nos vai cair subitamente um braço se ficarmos contagiados com este novo vírus. Eu compreendo que as pessoas tenham receio por causa dos familiares com sistemas imunitários mais débeis mas vamos todos tentar manter a calma ok?

Escrevo este post para dar algumas "orientações" relativamente ao assunto farmácia e medicamentos. É verdade que devido ao Coronavírus pode haver falta de alguns medicamentos nas farmácias portuguesas, mas não é para começarem a arrancar cabelos em stress nem a fazerem stocks para ano e meio de tudo e mais alguma coisa, desde o paracetamol até ao creme para as hemorróidas.

Começar a pensar sim, de forma tranquila e relaxada, em ter medicação em casa para uns dois meses, especialmente medicamentos que não tenham outras opções terapêuticas no mercado ou cuja falta possa traduzir-se em graves riscos para a saúde. Falo por exemplo de insulinas, bombas para o tratamento da DPOC ou anticoagulantes. 

Lembrem-se que o farmacêutico é um profissional de saúde de primeira categoria que vos pode ajudar nas vossas dúvidas relativamente a existirem alternativas ou não a um medicamento, por isso não se envergonhem de perguntar ok?

Importante é também minimizar o tempo que se passa na farmácia, não porque o farmacêutico não vos goste de ver lá, mas porque é um local onde normalmente se concentra muita gente doente ou passível de estar doente.

Não quero com isto dizer que tem de cronometrar o tempo que permanecem dentro da farmácia, mas podem antes de lá ir telefonar a reservar os vossos medicamentos. Assim caso haja alguma falta no momento, só precisam de fazer uma viagem, e quando lá chegarem as coisas já estão prontas e vocês despacham muito mais rapidamente a vossa vidinha.

Durante o tempo que estiverem na farmácia tenham atenção em desinfectar as mãos (há muitos locais que já possuem produtos de desinfecção à disposição dos clientes) e caso não o consigam fazer evitem tocar nos olhos, boca e nariz enquanto não chegarem a casa e as lavarem de forma rigorosa com água e sabão - especialmente se tiverem tocado em zonas de grande rotatividade de dedos, como a máquina das senhas e o multibanco.

Outra coisa importante é dispersarem, caso haja essa possibilidade. Se a farmácia for grande talvez não seja a melhor ideia ficar toda a gente em cima uma da outra. Eu sei que uma pessoa fica mais quentinha e ainda consegue ouvir a história escandalosa do herpes genital do utente da frente, mas tentemos evitar amontoamentos!

Por fim, tenham atenção e respeito com os farmacêuticos. Não lhes tussam para cima. Evitem dar o telemóvel para eles lerem aqueles números todos da vossa receita sem papel. Mantenham uma distância de segurança. Não enfiem a senha na boca para depois a entregarem com um sorriso.

Não é que o farmacêutico seja um ser extremamente sensível que ao mínimo contacto caia para o lado. Mas é um elo fundamental na manutenção da saúde pública. E se um farmacêutico adoecer é provável que a farmácia tenha de fechar porque todos os colegas foram para casa. E nos entretantos esse farmacêutico pode contagiar inadvertidamente centenas de utentes, onde se encontram imensas pessoas de risco.

O meu apelo final para conseguirmos lidar com esta situação é usarmos o bom senso, o respeito relativamente a terceiros e anteciparmos de forma razoável alguma possível necessidade. Porque se eu vejo alguma notícia de utentes à chapada por causa de uma caixa de ibuprofeno eu arrumo as malas e emigro! (de preferência para um país sem Corona)