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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Desafio de Escrita dos Pássaros #17 - Ácido Gama-Hidroxibutírico

10.01.20, Triptofano!

João chupou mais um golo do seu cocktail através da palhinha de metal reutilizável.

Sentado num canto do bar que passava música da moda no volume máximo era perfeitamente perceptível que era um rapaz tímido.

Vinha ali para tentar ganhar coragem para falar com alguma das raparigas que dançava na pista de olhos fechados, equilibrando um copo na mão e que volta e meia se ria escancaradamente de alguma piada que certamente não teria tanta piada assim.

Tinha terminado o curso de Ciências Farmacêuticas há meia dúzia de anos, e desde aí que trabalhava como responsável de gestão de medicamentos de uma rede de lares do Estado, tendo apenas feito uma interrupção de meio ano para fazer voluntariado num país da África profunda.

Adorava o trabalho que fazia mas sentia que não era o suficiente para ser útil à sociedade, por isso ao fim da tarde ocupava duas horas numa linha de apoio ao suicídio, ajudando quem queria morrer a ver uma forma diferente de se viver.

Aos sábados passava as manhãs a mimar os cães do canil da zona e a correr com eles de língua de fora, enquanto que os domingos eram para a limpeza de matas e de praias. Gostava de pegar no carro, abrir as janelas e rumar a uma zona que não conhecia, onde artilhado de luvas de plástico e um saco do lixo tamanho XXXL, dedicava-se a recolher o lixo que outros tinham feito.

Naquela noite ainda não tinha ganho coragem para falar com ninguém, mas uma voluptuosa rapariga loura sentou-se a pouca distância dele. Parecia que estava desconfortável, talvez pelo vestido demasiado apertado ou pela maquilhagem pesada, mas fosse o que fosse fê-lo sentir empatia pela solitária moça.

Respirou fundo, esperou que os seus olhares se cruzassem e nesse momento abordou-a:

- Olá, desculpa a intromissão, mas tens uma aura violeta, é muito raro ver alguém assim espiritualmente tão elevado.

A rapariga ficou sem resposta, a olhar para ele com um misto de espanto, medo mas também interesse.

-Peço desculpa novamente - disse João - mas é que consigo ler as auras e a cor da tua é tão rara que não pude deixar de te abordar. Permites-me que te ofereça uma bebida?

A jovem loura mexeu-se desconfortavelmente. Se por um lado era visível que estava curiosa para saber mais sobre a aura violeta por outro era notório que não tinha gostado da ideia de aceitar uma bebida de um estranho.

João já estava habituado a essa reacção. Afinal hoje em dia todo o cuidado era pouco.

- Olha, não tenhas medo, eu ofereço-te a minha e peço outra para mim. Vês, - disse enquanto sorvia mais um golo pela palhinha de metal - é totalmente seguro.

O rosto da rapariga relaxou-se num grande sorriso e estendeu a mão para aceitar a bebida, na qual João tinha colocado uma nova palhinha metálica tirada do bolso.

"Para salvar o ambiente e para não te preocupares com as minhas partículas de saliva" explicou ele com um sorriso tímido.

Enquanto ela sorvia a bebida, o líquido arrastava pequenas partículas de GHB que estavam depositadas no interior da palha. Era uma questão de 20 minutos até a jovem começar a ficar mais desinibida e sensível ao toque. Nessa altura o seu cérebro iria entrar em modo de hibernação, impedindo que se lembrasse de tudo o que pudesse acontecer.

Era aí que João a levaria para a casa-de-banho do bar e a violaria agressivamente, sem se preocupar em que ela pudesse dar luta.

O crime perfeito pensou ele, não conseguindo evitar sorrir abertamente por ser tão eficiente.

Afinal, seria a quarta só naquela semana!

Todos os restaurantes deviam ter uma Alda

Ou como a minha melhor refeição de 2020 foi no restaurante do IKEA

08.01.20, Triptofano!

É inegável que Portugal está a passar por um período dourado no que toca à gastronomia, havendo cada vez mais restaurantes a apostar em ingredientes de elevada qualidade que são trabalhados por Chefs extremamente talentosos, o que se traduz em inúmeros prémios.

Mas algo que é fundamental para um restaurante ter sucesso e criar memórias duradouras nas conexões neuronais dos clientes é a força humana que dá a cara, ou seja, os funcionários que interagem com o consumidor. E foi um desses funcionários que transformou a minha refeição no IKEA de Alfragide como a melhor até agora de 2020.

A minha refeição no IKEA

Sempre gostei do restaurante do IKEA, porque a comida é boa, consistente e com um preço muito apelativo. Além disso, esta empresa de origem sueca deve ser um local fantástico para trabalhar, porque os funcionários estão sempre felizes e bem dispostos. Há a Dora uma senhora, cujo nome infelizmente não conheço, que há anos que vejo na linha de caixa do restaurante sempre bem disposta e despachada, quase que a ir buscar os clientes pela mão quando eles insistem em ficar numa fila gigantesca e ela está sem ninguém para atender.

No dia que fui jantar o ambiente do restaurante do IKEA estava como habitual: bastante gente mas com uma vibração serena, organizada e eficiente.

Dei conta da sua existência quando a ouvi pedir desculpa aos clientes que estavam à minha frente pelo facto de não haver batatas fritas - afinal as máquinas também precisam de assistência explicava ela com um sorriso. Nesse momento senti uma vibração maternal vinda daquela mulher que nos fazia sentir pequeninos e protegidos, independentemente de termos vinte ou oitenta anos.

Na placa estava o nome dela: Alda, e por baixo uma outra a informar que ela encontrava-se em formação. Não sabia que formação poderia ela precisar; com a sua natural simplicidade esta mulher encerrava mais conhecimentos de vida do que muitos dos mais prestigiados Chefs da nossa praça.

Perguntou-me com um sorriso o que eu queria a acompanhar as gulosas almôndegas mergulhadas em molho. Pedi-lhe um bocadinho de compota de arando, uma miscelânea de legumes assados e uma colher cheia de um cereal que ela me informou rapidamente ser trigo sarraceno.

Mas o momento em que percebi que estava perante uma pessoa verdadeiramente apaixonada pelo que fazia foi quando ela me perguntou se eu gostava de caril, e que se sim devia levar um bocadinho para juntar ao trigo sarraceno, porque a combinação era deliciosa.

Agradeci-lhe o conselho e decidi que sim, que ia provar. Ela sorriu e pediu-me desculpa pela sugestão, como se se sentisse culpada por estar a interferir com o meu livre arbítrio.

A minha refeição no IKEA

Só posso dizer que o trigo sarraceno e o caril são uma combinação feita nos céus, cada um potenciando o sabor do outro, sendo que o caril tem a capacidade maravilhosa de tornar o trigo menos seco e mais fácil de apreciar. O Cara-Metade, que tinha escolhido uns perfeitamente cozidos brócolos e um apetitoso puré de batata, não resistiu a roubar-me metade do combo trigo/caril, deixando-me com os não menos reconfortantes legumes assados. 

A minha refeição no IKEA

Enquanto comia o saboroso toucinho do céu com pedacinhos de amêndoa como manda a tradição, decidi que tinha de agradecer à Alda, pela sugestão, pela simpatia, pelo amor que transbordava, mas parte de mim tinha vergonha de o fazer, talvez por eu próprio ter dificuldade em aceitar elogios.

Foi quando o Cara-Metade entornou por cima de mim e do meu pobre telemóvel um copo cheio de sumo de arando que percebi que as coisas más na vida acontecem depressa demais para termos medo de fazer as boas. Neste caso em particular não foi assim uma coisa tão má porque o telemóvel sobreviveu, eu sequei depressa e o IKEA tem refill grátis.

A minha refeição no IKEA

Fui falar com ela. Esperei para que terminasse de atender com aquele sorriso do tamanho do mundo o último cliente para lhe falar do trigo e do caril. Se no primeiro instante o rosto dela se transformou numa dúvida incerta, rapidamente estourou num sorriso de alegria quando lhe agradeci a maravilhosa sugestão. Fiz questão de lhe apertar a mão e de agradecer o seu trabalho.

A minha refeição no IKEA

Pensei em pedir à Alda para lhe tirar uma foto, mas tive vergonha e não a quis também deixar constrangida, apesar de saber lá no fundo que ela aceitaria de bom grado, por isso acabei por contentar-me em tirar-lhe uma de longe.

Se todos os restaurantes tivessem uma mulher destas na sua equipa, uma Alda de sorriso aberto e coração transbordante, talvez não tivéssemos mais estrelas Michelin, mas de certeza que teríamos muitos mais clientes felizes!

 

Restaurante IKEA Alfragide Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Perfumes Tamanho Familiar: Calvin Klein CK One Unissexo

07.01.20, Triptofano!

Quando eu gosto de um perfume quero fazê-lo render o máximo possível, especialmente se ele tiver sido os olhos da cara, por isso quando vejo que eles estão assim a um quarto de acabarem em vez de três ou quatro pulverizações começo só a utilizar uma, e se fosse possível até ficava pela meia.

No entanto, por mais que uma pessoa se concentre e tente usar os seus poderes psíquicos para voltar a encher a embalagem por milagre, o perfume mais cedo ou mais tarde acaba por chegar ao fim.

É nessa altura que eu investigo se certa fragrância é vendida em embalagens de tamanho familiar, porque na maior parte das vezes acaba por compensar.

O preço costuma ser muito mais simpático, havendo por vezes diferenças de poucos euros entre uma embalagem de 100 ou de 200 ml, além de que nos permite estar muito à vontade na borrifadela - é uma para cada axila, outra para cada pulso, uma para o decote e uma final para o cucuruto que nunca sabemos quando é que um estranho vai tentar snifar-nos a cabeça no metro.

A embalagem maior de perfume que tenho de momento é a de 200 ml do Calvin Klein CK One, mas ando de olho a ver se encontro um bom negócio para a 300 ml, porque neste caso o tamanho importa.

Perfumes Tamanho Familiar: Calvin Klein CK One Unissexo

Apesar de ser uma Eau de Toilette, a intensidade e a durabilidade da fragrância são surpreendentemente elevadas, sendo que a cereja no topo do bolo é o facto de ser um perfume unissexo

Pessoalmente, e já falei disto aqui no blog uma vez, a designação de perfumes masculinos e femininos é mais um marketing do que outra coisa qualquer.

Não vale a pena tentarmos colocar tudo em caixinhas etiquetadas que nos digam que tipo de comportamento devemos ter de acordo com a nossa idade ou género ou tipo de corpo. Se queremos usar um perfume que cheiro a cedro e somos mulheres devemos usar esse perfume, tal como se formos homens e quisermos usar um perfume que cheire a rosas. Numa era em que na moda cada vez mais se vê uma aproximação a nível estético dos modelos masculinos e femininos, um perfume poder ser utilizado por homens, mulheres ou não-binários faz todo o sentido (claro que qualquer perfume pode ser utilizado por qualquer pessoa que não há uma polícia da fragrância a andar na rua com neutralizadores de odor em spray, mas vocês perceberam o que eu quis dizer).

O Calvin Klein CK One para mim é um clássico em termos de cheiro e nunca conheci ninguém que não gostasse dele (não venham agora para os comentários dizer que não gostam só para me deixarem mal...) e é o meu perfume de eleição se vou ter algum evento mais importante e não conheço as pessoas e preciso de fazer boa figura, porque é uma fragrância segura que não é demasiado agressiva nem enjoativa mas que cria uma óptima envolvência.

Sendo adequada para usar em qualquer estação, de dia ou de noite, esta fragrância fresca, jovem e atemporal carregadinha de notas cítricas foi lançada em 1994, tendo um frasco icónico que permite uma aplicação clássica na pele ou, sem o uso do atomizador, ser utilizado como after shave.

Nas notas de topo podem esperar encontrar ananás, notas verdes, tangerina, papaia, bergamota, cardamomo e limão. As notas de coração são constituídas por noz-moscada, violeta, raiz de lírio, jasmim, lírio-do-vale e rosa, enquanto que o sândalo, o âmbar, o almíscar, o cedro e o musgo de carvalho juntam-se para criar as notas de fundo.

Perfumes Tamanho Familiar: Calvin Klein CK One Unissexo

E vocês, qual é a embalagem maior de perfume que anda aí por casa? Têm alguma fragrância unissexo que usem diariamente?

 

Uma Visita ao Museu Nacional do Traje

06.01.20, Triptofano!

Ano novo, vida nova. E neste primeiro domingo de 2020 fiz algo completamente impensável em 2019, que foi acordar cedo para ir visitar um museu, mais concretamente o Museu Nacional do Traje.

Uma Visita ao Museu Nacional do Traje

Este museu, situado na zona do Lumiar, bem perto da Calçada de Carriche, tem uma colecção riquíssima de trajes e acessórios dos séculos XVII ao XXI, que englobam trajes masculinos, femininos e de criança, além de objectos que eu nunca tinha sequer imaginado que pudessem existir, como pinças para adelgaçar dedos, que as luvas na altura deviam ser feitas apenas para dedos esqueléticos!

Uma Visita ao Museu Nacional do Traje

Se a colecção é maravilhosa por si só, o local onde ela está instalada - o Palácio Angeja-Palmela, assim denominado por ter sido propriedade destas duas famílias, não lhe fica atrás, criando o cenário perfeito para exibir os trajes, transportando-nos numa viagem através dos séculos.

Uma Visita ao Museu Nacional do Traje

A visita começa no século XVII e consoante vamos andando, além de haver uma visível modernização dos trajes, o próprio museu se transforma de forma a que haja uma percepção mais visível da mudança que está a ocorrer. Quando visitarem reparem nas paredes da primeira sala em contraste com as paredes da última, e compreenderão melhor aquilo a que eu me refiro.

Uma Visita ao Museu Nacional do Traje

Uma Visita ao Museu Nacional do TrajeUma Visita ao Museu Nacional do Traje

Uma Visita ao Museu Nacional do Traje

Um interessante ponto de paragem a meio da exposição (onde é possível sentarmos-nos um bocadinho que isto uma pessoa não está a ficar mais nova) é a fantástica capela do Palácio Angeja-Palmela, onde podem pedir perdão pelos vossos mais recentes pecados de Gula. E não me venham dizer que não enfardaram este mundo e o outro entre o Natal e o Ano Novo que eu não acredito!

Uma Visita ao Museu Nacional do Traje

Ó Trip, mas ir ver roupa? Não é assim um bocado chato?

Sou sincero quando vos digo que também pensei que ia achar a exposição aborrecida, mas acabei por gostar imenso.

Por um lado ver aquelas roupas enormes é maravilhoso, com saias, saiotes e mais milhentas camadas que deviam tornar o acto de fazer um xixizinho uma verdadeira tortura.

Por outro é muito interessante perder alguns minutos e ler as explicações correspondentes a cada era e como elas influenciaram a forma de vestir. Perceber que houve uma altura em que os homens usavam perucas e que os calções representavam a nobreza e as calças a revolução, e que as mulheres eram adoradas quanto mais melancólicas parecessem ou que agitar um leque de uma ou outra forma indiciava as intenções do seu utilizador, lembra-nos que todos os estigmas que temos relativamente à forma de vestir e de nos apresentarmos perante a sociedade não são mais do que isso mesmo, estigmas que mudam com o tempo, com as políticas e com a inteligência das casas de moda que estão sempre de olho em engordar as contas bancárias.

Uma Visita ao Museu Nacional do TrajeUma Visita ao Museu Nacional do TrajeUma Visita ao Museu Nacional do TrajeUma Visita ao Museu Nacional do TrajeUma Visita ao Museu Nacional do Traje

Quando terminarem a vossa visita ao Museu podem dar um passeio e aproveitar para respirar o ar puro do Parque Botânico Monteiro-Mor, cuja entrada está incluída no bilhete, bilhete este que é grátis se visitarem ao domingo até às 14 horas e forem residentes em Portugal.

Este parque cheio de verde e com algumas obras de arte é um local perfeito para fugir à selva de betão e relembra-nos de que a melhor música é mesmo a do chilrear dos pássaros.

Uma Visita ao Museu Nacional do TrajeUma Visita ao Museu Nacional do Traje

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

05.01.20, Triptofano!

Electric Shaker em 10 segundos: Descubra o melhor local em Lisboa para beber um cocktail ao som da música dos anos 80, escolha o que quer beber através do mapa de sabores, peça um Pablo se quiser algo mesmo arrojado mas não se preocupe se não gostar de álcool - os mocktails são fantásticos!

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Se me perguntarem se prefiro ir sair à noite beber uns copos ou ficar em casa enrolado numa mantinha a dormitar no sofá, em 99% dos casos a mantinha e o sofá vão ganhar.

Não é que não existam bons locais para sair à noite em Lisboa (na realidade cada vez há mais oferta), mas uma pessoa quando passa dos 30 começa a ficar mais selectiva relativamente aos locais onde vai, e ou é um sítio assim maravilhoso e fantástico ou não vale a pena sequer sair de casa.

Já não tenho idade nem feitio para aqueles bares cheios de gente aos gritos a dar empurrões a torto e a direito onde se vende litrosa a um euro e caipirinhas XXL que nos congelam as mãos e que temos de ir beber para a rua de forma a não morrermos asfixiados, mas também não me sinto confortável em certos locais lisboetas onde mal chegamos somos inspeccionados dos pés à cabeça para verificarem se trazemos vestida roupa de marca não comprada na feira e onde uma pessoa nem pode estar à vontade para largar uma bufa silenciosa que aparece logo um segurança a convidar-nos para sair! (a bufa pode ser silenciosa mas a nossa expressão facial denuncia-nos no momento.)

Só que tudo isto mudou quando conheci o Electric Shaker!

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Desde que visitei este Cocktail Bar situado no Marquês de Pombal que não paro de o recomendar a toda a gente e mais alguma, porque fiquei sinceramente fascinado com o local, e não vejo a hora de lá voltar para beber mais uns cocktails.

Ó Triptofano, mas convence-me lá a visitar o espaço porque eu gosto é de ficar em casa!

Primeiro que tudo é bonito! O Electric Shaker está extremamente bem decorado, com um aspecto clean mas classy, com uma garrafeira de deixar uma pessoa estrábica na hora, com lugares para sentar bastante confortáveis e com uma organização que permite que uma pessoa consiga respirar sem outra praticamente deitada em cima de si! (não digo que em certas ocasiões não possa haver alguém que se deite em cima de vocês, mas isso já roça o assédio ok?)

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Em segundo as pessoas que lá trabalham são incríveis. Profissionais, dedicadas, dispostas a fazer o seu melhor para oferecer uma experiência soberba, os funcionários do Electric Shaker são verdadeiramente a azeitona de qualquer Dry Martini que se preze!

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Em terceiro a selecção musical! Anos 80 e acho que está tudo tido minha gente. Não há nada melhor no mundo do que beber um cocktail enquanto se faz um lip sync arrebatador do Turn Around da Bonnie Tyler para logo de seguida fazer uma daquelas coreografias minimalistas ao som do Girls Just Want to Have Fun da Cyndi Lauper. (coreografias minimalistas porque a partir de uma certa idade uma pessoa tem de ter cuidado para não deslocar nada em algum movimento mais arrojado)

Por fim as bebidas! São boas, são fantásticas, são deliciosas, são tudo tudo tudo tudo, e não são estupidamente caras para a qualidade que possuem!

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Mas Trip, eu não percebo nada de cocktails e nunca sei o que pedir quando vou a um espaço desses!

Eu compreendo-vos e sofro do mesmo mal, que é basicamente olhar para a carta e parecer que estou a ler um tratado científico sobre as movimentações intestinais das minhocas em chinês, porque não conheço a maior parte dos ingredientes e nem faço ideia como é que o cocktail no fim vai saber, o que faz com que a maior parte das vezes peça para me trazerem assim algo do tipo que eu pudesse beber se estivesse no Sexo e a Cidade!

Só que o Electric Shaker resolveu esse problema com a sua maravilhosa e revolucionária carta de cocktails assinatura.

Numa mesma imagem podem ver o nome e a família do Cocktail (se é um martini, um daiquiri ou um highball), o tipo de copo onde vai ser servido e o seu tamanho, a lista de ingredientes e a quantidade de cada um na bebida, se tem gelo ou não, como é preparado, o teor alcoólico, as guarnições e, o melhor de tudo, o mapa de sabores.

O mapa de sabores é a ideia mais inteligente de sempre, porque nos mostra quais as sensações que vamos descobrir na nossa boca ao beber o cocktail - se é doce, amargo, frutado, picante, cremoso...

Agora imaginem que bebem um cocktail que adoram mas querem experimentar outros dentro do mesmo estilo. Basta verem as bolinhas do mapa de sabores e procurarem outras bebidas que tenham bolinhas parecidas! 

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Se mesmo assim não souberem o que hão-de pedir, na menu existe também um mapa de bebidas organizado pela altura do dia e pela tipo de bebida. Ainda é cedo e querem uma bebida mais suave? Basta consultarem o mapa. Já passa da meia-noite e querem acabar a noite com um estalo valente? Basta consultarem o mapa.

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Só conversa, só conversa mas ainda não disseste o que é que bebeste!! As bebidas são boas ou é tudo fogo de vista?

Para iniciar a destruição hepática foi servido um punch de boas-vindas, composto de gengibre, maracujá e rum, que estava bastante bom e que bebi de um trago só!

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Depois pedi um Elizabeth, porque me apetecia algo frutado e doce, sendo que este cocktail é composto por 2 tipos diferentes de rum, sumo de ananás, de lima e de toranja, um xarope de baunilha e canela e folhas de menta.

Agora o espectacular é que o Elizabeth vem para a mesa com uma metade de maracujá onde repousa canela, noz-moscada ralada e o combo de runs a arder, sendo que nós é que temos de virar a mistura para dentro do copo de forma a combinar tudo e finalizar o cocktail (no meu caso foi o funcionário que se ofereceu para fazer a mistura porque viu que desajeitado como eu sou ainda pegava fogo ao espaço).

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Para terminar quis provar uma coisa completamente diferente, e atirei-me de cabeça ao Pablo, um cocktail forte e picante, servido com rum Havana 7, licor Ancho Reyes e Chocolate Bitters, decorado com uma casca de laranja e rodelas de banana desidratada.

Se o Elizabeth se bebe fantasticamente bem enquanto se tagarela com os amigos, o Pablo é para fazer crescer pêlos nos mamilos. Este cocktail é perfeito para encerrar a noite e tem a particularidade de ser servido com uma pedra de gelo gigantesca (tipo iceberg), o que vai permitir que a bebida não se torne aguada tão rapidamente, conservando o sabor e a experiência de a degustar por mais tempo (se fosse servido com várias pedras de gelo mais pequenas a superfície de contacto do gelo com a bebida seria maior).

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Oh, mas eu não gosto de beber álcool, há alguma coisa que eu possa tomar?

O Cara-Metade muito raramente bebe álcool porque rapidamente passa de pessoa séria e bem-comportada a declamador de poesia de Bocage merecedora de bolinha vermelha, por isso enquanto eu atacava as opções alcoólicas ele experimentou os Mocktails, os cocktails sem álcool.

Bem sei que muitas vezes os mocktails que são servidos em certos bares são basicamente sumo de pacote misturado com um bocado de gelo e uma pessoa fica completamente desapontada por estar a pagar um dinheirão por uma coisa sem jeito nenhum, mas os mocktails do Electric Shaker são assim uma coisa do outro mundo, e eu bem vi os olhinhos de felicidade do Cara-Metade enquanto os estava a beber deliciado.

Ele provou um refrescante mas complexo Not so Wild, com Ceders Wild (um gin não alcoólico), sumo de lima, morangos, vinagre balsâmico e alecrim, e um amargamente frutado Archer, composto por  Ceders Classic (outro gin não alcoólico), sumo de lima, cerejas, clara de ovo e água de rosas.

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Se estão à procura de um local para beber um maravilhoso cocktail ou mocktail em Lisboa então precisam mesmo de visitar o Electric Shaker. Só vos peço é para não se entusiasmarem demasiado com as bebidas, não vão chegar ao fim da noite como a mascote do espaço!

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

Electric Shaker | O Melhor Local para Beber um Cocktail em Lisboa

 

Electric Shaker Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Desafio de Escrita dos Pássaros #16 - Propósito de vida

03.01.20, Triptofano!

Qual é o nosso propósito de vida?

Quando éramos crianças vivíamos fascinados com a altura em que seríamos oficialmente adultos, em que poderíamos fazer parte de todas as conversas sem olharem para nós com condescendência, a possibilidade de conduzir, de tomar decisões, de fazer as nossas próprias regras.

Mal sabíamos que a infância é a maior das bênçãos, uma altura em que a vida corre ligeira, sem grandes preocupações e onde a única fronteira é a da nossa imaginação.

Quando chegamos à vida adulta entramos numa rotina desenfreadamente aborrecida, de casa, trabalho, trabalho, casa, com algumas paragens para comer e dormir.

Os sonhos infantis de quem queríamos ser parecem ser fruto de uma vivência de outra dimensão, e entregamos-nos a todos os pequenos prazeres que conseguimos encontrar na esperança de ser felizes.

Comemos como se não houvesse amanhã, estamos horas e horas enfiados num ginásio, gastamos o ordenado de dois meses em vinte minutos de compras, fodemos com os nossos parceiros e muitas vezes com os parceiros dos outros, bebemos, drogamos-nos, rimos, gritamos, andamos sem rumo ou com rumo a nada, trabalhamos até nos caírem as pestanas para sermos mais ricos que os vizinhos do andar do lado, colocamos mamas e cu e rabo e se fosse possível até uma nova personalidade.

Fazemos tudo para sermos felizes, porque a nossa infelicidade é inata, a nossa tristeza com a vida é crónica, simplesmente porque não sabemos qual é o nosso propósito de vida!

Deveríamos ir para África ajudar os carenciados? Salvar todos os animais de rua? Escrever um livro que fosse uma inspiração para milhares? Enveredar-mos pela política para combatermos a corrupção? Tornarmos-nos estrelas porno para sermos a fantasia masturbatória de muitos?

Qual é afinal o nosso propósito de vida? O que é que vocês acham que estamos aqui a fazer?

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

02.01.20, Triptofano!

Os Eusébios em 10 segundos: Descubra um restaurante com tanto movimento que é uma verdadeira fábrica de Francesinhas, devore a Francesinha da Casa feita com Filet Mignon, carregue no molho como se não houvesse amanhã mas vá de olho no sofá da zona de espera, é que a fila costuma ser grande!

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Visitar o distrito do Porto e não comer uma Francesinha é a mesma coisa que optar livremente por comprar papel higiénico reciclado que arranha o nalguedo, ou seja, é inadmissível!

Assim sendo, guiados por conselho de uma profissional em matéria desta iguaria, eu e o Cara-Metade, juntamente com a dita cuja profissional e sua prima, fomos visitar Os Eusébios, uma verdadeira fábrica de Francesinhas em Vila do Conde, mais especificamente nas Caxinas.

O primeiro conselho que vos possa dar relativamente a uma visita ao Os Eusébios, é irem fisgados no sofá, porque é muito provável que tenham de esperar um bom período de tempo pela vossa mesa, e mais vale aguardarem sentados confortavelmente do que em pé, que se uma pessoa não se põe a pau quando dá por ela está carregadinha de varizes.

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Apesar da quantidade enorme de gente que estava na fila (não posso dizer bicha que é politicamente incorrecto), achei interessante que ninguém estava com um ar aborrecido, muito provavelmente porque já eram clientes habituais que sabiam que valeria a pena o tempo que estavam a aguardar.

O que também contribuiu para não haver um motim foi o facto da lista de espera ser bem organizada, com distribuição de um cartão numerado que fazia as pessoas saltarem do lugar mal ouviam o seu número como se estivesse no bingo, e a oferta de um espumante da casa, uma forma simples mas extremamente eficaz de cativar as pessoas e de lhes agradecer a paciência.

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Igualmente cativante é a simpatia e profissionalismo dos funcionários, que desde o extremo cuidado pela nossa satisfação com a refeição até à sugestão de outros locais onde experimentar a mesma iguaria, mostraram que para fazer uma casa não basta apenas ter boa comida.

Se neste momento estão a imaginar Os Eusébios como um restaurante pequenino com meia dúzia de mesas desenganem-se, porque o espaço é gigantesco e mesmo assim está sempre à pinha. 

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Um detalhe delicioso da decoração é a mini-selva no fundo do estabelecimento, que funciona como espaço para fumadores e como acesso às casas-de-banho, onde pela primeira vez na vida (pelo menos que me lembre), encontrei uma cadeirinha para descansar  junto ao urinol masculino - que isto de uma pessoa dar uma mijadela é tarefa que consume muita energia e pede um pequeno repouso.

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

A refeição começou com umas simpáticas azeitonas e com um pão de alho de queijo e bacon que estava bom mas que pessoalmente não era aquilo que eu estava à espera como entrada numa casa de Francesinhas. Talvez uns enchidos ou mesmo um queijinho fossem opções que enchessem mais a vista e a alma.

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Findadas as entradas, eu e o Cara-Metade atacámos uma Francesinha da Casa (há a opção de pedir meia francesinha mas uma pessoa se é para comer é para comer à seria) feita em pão de forma, com queijo, fiambre, chouriço de colorau, Filet Mignon, bacon, salsicha fresca, linguiça, ovo estrelado e uma carradona de batatas fritas caseiras.

Além desta Francesinha estar extremamente bem recheada e com uma apresentação irrepreensível, ficou-nos na memória devido ao sabor que era soberbo. A dose generosa de bife do lombo estava incrivelmente tenra e suculenta, sendo que era impossível não fazer pequenos esgares de prazer quando se enfiava na boca juntamente com um pedaço de enchidos.

Outro ponto positivo foi o facto de haver um sistema de palitos que indicava qual o tipo de Francesinha que o cliente tinha pedido bem como o ponto da carne, de forma a evitar trocas indesejadas.

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Agora todos nós sabemos que a parte mais importante da Francesinha é o molho. Aquele molho com o qual uma pessoa literalmente afoga a sua Francesinha, e que nos recusamos a desperdiçar um mililitro que seja, usando as batatas fritas (ou os dedos caso já não haja batatas) para o absorver até à última gota.

O molho de Francesinha d'Os Eusébios não é o tradicional molho que encontramos em muitos restaurantes da zona do Porto, cujo sabor é acervejado e com notas de caldo de carne. Este, por outro lado, é mais adocicado, com um travo picante muito suave, tornando-o extremamente guloso, sendo que é praticamente impossível não pedir um refill, o que pode não ser a melhor coisa para a nossa aterosclerose mas pronto, uma pessoa também tem de morrer de qualquer coisa.

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

A nossa amiga e a prima contentaram-se cada uma com meia Francesinha Especial à Eusébios sem ovo, que recebeu muitos elogios de aprovação e nos quais eu acredito piamente apenas e somente por virem da boca delas, porque toda a gente sabe que pessoa que só coma meia francesinha não pode ser de confiança.

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Para acompanhar a minha gigantesca carga proteica (vá lá que os meus rins ainda não se queixam) pedi uma Munich Dunkel, uma cerveja artesanal Super Bock Selecção 1927, castanha e brilhante, com espuma cremosa, consistente e com cor de areia. Esta deliciosa cerveja tem um aroma a malte, chocolate, frutos secos e fumado ligeiro, sendo que podem esperar encontrar um sabor rico e doce a malte, alfarroba e chocolate. O fim de boca por sua vez é médio, frutado e ligeiramente tostado.

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

Se vos apetecer uma Francesinha e não se importarem de irem à descoberta, os Eusébios é uma fantástica opção para se deliciarem com este pitéu! Já sabem é que tem de ir focados no sofá, porque podem ter que esperar um bocadinho por mesa!

Os Eusébios: Uma fábrica de Francesinhas em Vila do Conde

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Chegou 2020!

01.01.20, Triptofano!

Entrar em 2020 não é apenas iniciar um novo ano como também uma nova década, por isso tirei um tempinho para reflectir na direcção que quero que a minha vida tome. Ao longo dos anos deixei de fazer resoluções porque raramente as cumpro (ainda me lembro destas cuja maioria nunca se concretizou) e prefiro pensar em termos de desejos!

O meu primeiro desejo é não engordar mais! Eu sei que é difícil porque volta e meia estou a enfardar como uma vaca, mas no último ano engordei assim uns 10 kgs, e não fosse nadar praticamente todos os dias a esta altura já seria preciso chamar um guindaste para conseguir sair de casa.

Em segundo desejo que a minha vida profissional mude. Não quero deixar de ser farmacêutico de um dia para o outro, porque é uma profissão que me apaixona e que me acrescenta imenso saber, mas gostava de começar a explorar uma carreira a nível da escrita. Se por acaso conhecerem alguma revista ou jornal ou página da Internet que precise de alguém que escreva uns textos engraçados e informativos então digam-me algo, porque era uma área com a qual eu gostava verdadeiramente de me envolver.

Quero também dedicar-me mais aqui ao blog e obviamente a quem o lê. Sei que por vezes demoro eternidades a responder aos comentários e é algo com que me venho a debater desde o início deste espaço, mas estou constantemente a tentar arranjar uma forma de ser mais eficaz a retornar o maravilhoso carinho que vocês me deixam.

Relativamente à história de escolha múltipla do Leitor Decide, este domingo não houve porque vim para o Porto e muito honestamente não tive vontade de a escrever, muito também porque as participações foram poucas (mas boas) e a graça da história é serem vocês a decidirem o rumo dela. Assim sendo, o Leitor Decide vai começar a sair às sextas-feiras às 9 da matina, e para votarem no rumo da história (que ainda está em aberto) só precisam de clicar na imagem para serem redireccionados para o post em questão!

O Leitor Decide

Por fim, desejo ser mente aberta relativamente à minha vida, tanto profissional como sentimental. Compreender que um quadrado pode ser afinal dois triângulos juntos, e que o mais importante não é aquilo que nós interiorizámos como certo, mas sim aquilo que num determinado momento da nossa vida nos faz sentir felizes e realizados.

E vocês, quais são as expectativas para este novo ano? Partilhem tudo comigo!

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