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Triptofano

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Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

29.12.19, Triptofano!

Mugasa em 10 segundos: Descubra um dos melhores restaurantes a fazer Leitão Assado à Bairrada, prove as iscas de leitão e guarde um bocadinho de broa para o molho da cabidela de leitão – é de comer e chorar por mais.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Quando se fala em leitão assado há duas grandes regiões em Portugal onde este produto é rei e senhor.

A primeira é Negrais, onde o leitão é “escalado” e posto a assar aberto, pincelado com o já típico molho, feito de banha, sal, alho, pimenta e um toquezinho de vinagre.

A segunda é a Bairrada, onde o leitão é colocado num espeto de barriga aberta para cima, sendo esta abertura utilizada para barrar o interior com o molho que vai evitar que a carne resseque. O leitão vai assim inteiro ao forno sofrendo um choque térmico, já que a temperatura inicial é na ordem dos 350ºC, o que se traduz naquela pele deliciosamente crocante que é sempre alvo de disputa. A temperatura do forno é depois reduzida para cerca de 200ºC de forma a que a carne possa continuar a cozinhar durante duas a três horas.

Como a minha passagem de 2019 para 2020 vai ser no Porto, decidi que a meio caminho da cidade Invicta iria parar para almoçar na Bairrada, mais concretamente no Mugasa, um dos restaurantes mais icónicos da região.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

À frente deste estabelecimento está Ricardo Nogueira, um homem cuja vida muito honestamente não invejo. Acordar às 3 da manhã praticamente todos os dias para preparar os leitões é só para quem realmente tem muito amor pelo que faz. No meu caso o mais provável era conseguir enfiar-me eu mesmo dentro do forno com o sono – o que provavelmente não ia correr muito bem.

Apesar de ter dois pisos, é frequente o Mugasa estar cheio com fila à porta, por isso telefonar a reservar mesa é extremamente recomendado. Isso e dar um saltinho à casa-de-banho do restaurante, mesmo que não tenham vontade de fazer xixi.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Podem estar a franzir o sobrolho a pensar porque raio é que eu estou a falar de uma casa-de-banho em vez da comida, mas a verdade é que eu tenho um fascínio relativamente aos locais onde se pode urinar nos restaurantes.

E a casa-de-banho do Mugasa vale a visita, porque é uma espécie de híbrido entre uma pedreira de mármore e um icebergue despovoado (sim, sou completamente apanhado dos neurónios mas a esta altura do campeonato já deveriam saber isso).

Falemos então sobre a comida, a razão principal para a minha visita a este restaurante situado em Fogueira, Sangalhos.

As hostilidades foram abertas com umas saborosas azeitonas e uma cesta de pão, onde se destacou a broa regional que não escaparia a ser submersa na fantástica molhenga que nos foi depois servida.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

A especialidade do Mugasa é o leitão assado à Bairrada, mas existem outros pratos com esta proteína que valem muito a pena descobrir, como é o caso das Iscas de leitão e da Cabidela de Leitão.

As iscas estavam tenras, repletas de sabor e bem temperadas, apesar de no meu gosto pessoal ter preferido sentir um maior sabor a cebola. É verdade que a quantidade de cebola presente no prato era enorme, mas faltou que ela fritasse um pouco mais de forma a libertar todo o seu potencial  aromático.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

A cabidela, feita com pedaços de fígado, coração e outras miudezas, estava simplesmente espectacular, muito devido ao molho com que foi elaborada. Se por um lado estava à espera de um sabor mais avinagrado, característico da cabidela, por outro fiquei completamente rendido ao ligeiro picante do molho que elevava de forma transcendental o prato. Mais tarde vim a perceber que o molho da cabidela é nada menos nada mais do que o molho utilizado para untar o leitão antes de assar.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Ir à Bairrada e não experimentar o leitão assado seria um verdadeiro crime, por isso eu e o Cara-Metade atacámos valentemente dose e meia deste petisco.

Com a pele soberbamente crocante e com a carne tenra e a desfazer-se, este leitão está ao nível do cliente mais exigente, sendo que é acompanhado por batata frita caseira (pode-se escolher entre rodelas ou palitos) e uma clássica salada de alface (que para mim ficaria perfeita se viesse com algumas rodelas de tomate).

E o molho do leitão como era, perguntam vocês?

Antes de tudo, deixem-me dar-vos um pequeno conselho.

Saboreiem a carne do leitão sem molho numa primeira abordagem, de forma a conseguirem perceber todas os sabores que estão a levar à boca, e só depois, se assim quiserem, ataquem com o molho. Neste caso, o leitão já estava tão bem temperado que não fazia sentido adicionar mais molho, que na realidade é o molho que provém da assadura do mesmo. Não fazia sentido mas eu adicionei na mesma para provar e poder-vos contar, e a verdade é que embora o molho seja fantástico, para o meu palato é demasiado picante, devido à quantidade de pimenta que têm!

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Relativamente às bebidas, o Cara-Metade ficou-se pela água com gás e eu sorvi com gosto um príncipe (ou panaché – cerveja com gasosa). Ainda estivemos de olho no espumante, que tão bem acompanha o leitão, mas tendo em conta que o Cara-Metade fica bêbado com meio copo e o meu fígado já não é o que era para conseguir despachar o resto da garrafa, decidimos que ficaria para outra altura em que tivéssemos tempo de dormir uma valente sesta no banco traseiro do carro.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Se forem loucos por leitão e sonharem acordados com a pele crocante do mesmo, é indispensável uma visita ao Mugasa. Garanto-vos que não se vão arrepender!

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