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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

O Leitor Decide - Campral

08.12.19, Triptofano!

O Leitor Decide - Qual a Decisão de Ana:

a) Atira-se em direcção às ondas - 4 Votos   b) Dá meia volta e regressa ao carro - 10 Votos

O Leitor Decide

 

Gaivotas em terra tempestade no mar, mas a verdadeira tempestade vivia dentro dela. Ana não queria morrer, queria simplesmente viver de outra forma, mas as únicas opções de que dispunha era esperar pela morte ou ir ao seu encontro.

Respirou fundo mais uma vez, cerrou os punhos e...

Se quiser que Ana atire-se em direcção às ondas siga para a página 128, caso ache que ela deva dar meia volta e regressar ao carro vá para a página 497.

Lúcia arregalou os olhos perante a necessidade de tomar uma decisão, algo que ela não esperava ter de fazer quando tinha comprado aquele livro.

Na verdade a decisão de o adquirir não tinha sido dela, mas sim do alfarrabista que visitava há anos, que literalmente a obrigou a comprar aquele exemplar decrépito, prometendo que ela não se ia arrepender, que a história era fascinante, absorvente, e que um livro assim precisava de estar com uma mulher como ela.

Lúcia normalmente não ia em conversas e comprava apenas aquilo que realmente lhe dava na gana, mas houve algo nos olhos do alfarrabista que a fizeram entregar-lhe a nota de 10 euros e enfiar o livro na bolsa, deixando o velho homem com um gigantesco sorriso de satisfação.

E agora ali estava ela, em casa, agarrada ao livro, a pensar qual a decisão que Ana deveria tomar.

Não conseguia compreender porque é que estava stressada, afinal era uma história, não é como se fosse realmente decidir a vida de uma pessoa verdadeira, mas ao mesmo tempo algo dentro dela sorria por ter o controlo, por poder brincar aos deuses em vez de ser sempre ela subjugada ao destino. Naquele momento, independentemente de ser ficcional, Lúcia era a Deusa-Toda-Poderosa que decidia se aquela mortal se atirava contra as rochas ou se por outro lado lhe dava uma nova oportunidade de viver.

Depois de muito ponderar decidiu que a deixaria viver, e foi de forma ansiosa que folheou o livro até chegar à página 497.

*Respirou fundo mais uma vez, cerrou os punhos e......deu meia volta.

Apesar de naquele momento odiar a vida, Ana não tinha a coragem suficiente para encontrar a morte. Tal como não tinha tido a coragem para ir procurar o marido e cuspir-lhe na cara, ou de telefonar ao filho e dizer que se ele não a queria ajudar então ela também não tinha obrigação de lhe transferir todos os meses para a conta uma mesada.

Era uma cobarde, e por mais ódio que sentisse dela própria não conseguia por um ponto final naquela história. Lá dentro, em algum lugar recôndito, havia uma esperança de que as coisas poderiam melhorar, de que ainda havia um lado B da vida que ela ainda não tinha encontrado.

Entrou para o carro, trancou a porta e entregou-se a um choro compulsivo, com um torrencial de lágrimas a toldar-lhe a vista. Chorava o passado, o presente e o futuro, e foi essa aceitação da sua fragilidade enquanto ser humano que a impediu de ver a figura negra encapuçada que se encaminhava na direcção da sua viatura.

Quando Ana se deu conta já era tarde demais, e só teve o instinto de proteger a cara dos milhares de pequenos pedaços de vidro que foram projectados após a figura partir com uma pedra o vidro da janela do carro.*

PUM PUM PUM

Lúcia deu um salto do sofá quando ouviu as pancadas na porta de entrada. Primeiro pensou que pudesse ter sido uma partida da sua mente, mas segundos depois a porta voltou a vibrar.

PUM PUM PUM

Quem estava a bater parecia não quer anunciar a sua chegada mas sim quase deitar a porta abaixo para entrar. Lúcia estava pálida e mesmo sem dar conta tinha sustido a respiração.

 

O Leitor Decide - Qual a Decisão de Lúcia:

a) Vai espreitar para descobrir quem bate à porta

ou

b) Silenciosamente fecha-se na casa-de-banho.

Deixem a vossa escolha nos comentários! No próximo domingo a história continua de acordo com a vossa decisão!