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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

O que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa Guedes

31.12.19, Triptofano!

O Porto é uma cidade cheia de locais emblemáticos e atracções que merecem ser visitadas, mas caneco, a melhor coisa da Invicta é, sem sombra de dúvida, a sande de pernil com queijo de ovelha da Casa Guedes, situada no número 130 da Praça dos Poveiros.

O que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa Guedes

Esta sande é tão boa, mas tão boa, mas tão boa mesmo, que uma pessoa até pode estar sem fazer sexo há dois anos e meio que quando lhe espeta o dente nem se lembra mais disso porque descobre que o verdadeiro orgasmo é digerir esta pequena maravilha dos deuses.

Enfiadas numa carcaça de mistura que nos obriga a abrir bem a boca, havendo o real risco de tirarmos o maxilar do sítio, estão saborosas fatias que se desfazem literalmente na boca de pernil de porco. Este pernil é cozinhado durante cerca de duas horas, com um tempero especial da tasca (como carinhosamente a Casa Guedes se apelida a ela própria), sendo que num dia normal são servidos 20 pernis! (o que é muito porco, ou como dizem em trás-os-montes, muito reco mesmo)

O que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa Guedes

Envolvendo as fatias de pernil encontra-se uma generosa fatia de queijo de ovelha de Celorico da Beira, que com o calor da carne se funde à mesma causando um momento inesquecível para as papilas gustativas acompanhado de um sonoro Huuuummmmmmmmmmm de quem prova!

O que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa GuedesO que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa Guedes

O que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa Guedes

Mas nem só de quantidades astronómicas de sandes de pernil vive a Casa Guedes. 

Os pratos de batatas fritas caseiras são uma constante nas mesas desta tasca, sendo que a minha pessoa tentou com todas as forças do seu ser resistir a enfiar a cara no meio delas. Felizmente, foi sem sucesso, porque estas batatas são simplesmente fenomenais, independentemente de poderem aumentar em 10 pontos o nosso índice de colesterol, e valem muito mas muito a pena serem devoradas.

O que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa Guedes

O croquete de vitela recheado com queijo de ovelha pode não ser a escolha óbvia devido ao sucesso da sande, mas a verdade é que não desaponta quando se compara com os melhores croquetes do país.

A cremosidade da carne juntamente com o filho da puta do queijo que é bom até dizer chega (com todo o respeito à mãe do queijo) fazem com que este croquete mereça mais destaque do que de momento tem, independentemente de muitos considerarem a junção destes dois ingredientes como uma coisa do demónio! (na minha singela opinião, há espaço para tudo, o importante é que o resultado final seja bom e agrade ao cliente)

O que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa GuedesO que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa Guedes

Assim sendo, se estiverem na capital Invicta, não deixem de visitar a Casa Guedes e deliciarem-se com a sua oferta gastronómica. É verdade que as filas gigantescas de nacionais e turistas podem ser desencorajadoras, mas não se deixem enganar porque o serviço eficiente faz a fila andar depressa, sendo que depois só precisam de esperar no máximo meia dúzia de minutos para terem o vosso pedido nas mãos.

O que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa Guedes

Nesse intervalo podem sempre visitar a casa-de-banho do espaço (e não fosse eu falar dela), uma extravagância de azulejos dos anos 70, da qual só precisam de ter cuidado quando descem o primeiro degrau para não se espatifarem todos pelas escadas em caracol abaixo.

O que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa Guedes

O que comer no Porto: Sande de Pernil com Queijo de Ovelha da Casa Guedes

 

Casa Guedes Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

The Sacrifice: Porto Exit Games

Victum Vestri Vereor Huic Venatus Obsideo

31.12.19, Triptofano!

Já é tradição sempre que venho de visita ao Porto fazer um escape game, e desta vez o escolhido foi o The Sacrifice da Porto Exit Games.

Apesar de eu e da minha maravilhosa equipa, que a partir deste dia será conhecida como Os Bufadores, termos escapado com minuto e meio de sobra, foi um jogo complicado no qual precisámos de mais ajudas daquelas que gostaríamos, e onde a minha pessoa não conseguiu cumprir nenhuma das promessas que tenha feito a si mesmo relativamente a este tipo de jogo.

A primeira foi a de me manter calmo. Eu juro que tento manter a calma, olhar para as coisas com paciência, não gritar com ninguém, não stressar com o tempo....mas não consigo. Basicamente toda a gente está tranquila e focada e eu estou aos guinchos para usarem a porcaria da chave na gaveta porque já só temos 10 minutos e temos de conseguir sair a tempo. Confesso que acredito piamente que são os meus incentivos gritados num comprimento de onda capaz de provocar otites a canídeos que aceleram os meus colegas e nos fazem sair a tempo, mas eles não são da mesma opinião.

A segunda foi de tentar não me matar, que é uma coisa que não é suposto acontecer num escape game mas que eu aparentemente não consigo evitar devido à conjugação do stress com o facto de ser descoordenado de nascença. Desta vez foi no momento da fuga: era eu o último a sair quando lancei-me numa queda artística para o chão quase dando com os dentes numa mesa (mas o que interessa foi que consegui sair a tempo).

Deixem-me partilhar convosco a sinopse do The Sacrifice para perceberem melhor que tipo de escape estamos a falar!

The Sacrifice: Porto Exit Games

"Tu e os teus amigos estão a passear na Praça Guilherme Gomes Fernandes e ouvem uma menina chorar desesperadamente no edifício nr 53.

Quando ouvem gritos decidem subir para a ajudar (porque chamar a polícia já está fora de moda. O que uma pessoa quer é enfiar-se na casa de outra para ainda ser acusada de invasão de propriedade...). A casa está assombrada com o espírito da pequena Emily von Verder. Erica von Verder, sua mãe, montou uma série de armadilhas e magia negra para conseguir reencarnar o espírito da sua Emily num novo corpo. A única forma de conseguirem escapar vivos é sacrificarem um dos vossos amigos para dar vida à pequena Emily (e aqui o que eu aconselho é fazerem equipa com alguém que não gostem para se verem livres dessa pessoa).

Conseguirão decidir quem sacrificar ou morrerão todos quando Erica largar toda a sua fúria sobre vocês?"

O The Sacrifice é um jogo mais ritualista, onde vão precisar de ter em atenção as instruções em vez de cada um ir tipo barata tonta fazer experimentações.

O fantástico é que este escape, que precisa no mínimo de 4 pessoas para ser jogado, é mesmo para ser feito em equipa. Isto é, se houver uma pessoa que lhe apetecer ficar na casa-de-banho o jogo todo não vão conseguir chegar ao final. Além da comunicação o The Sacrifice exige cooperação.

Outro ponto positivo são os cadeados, ou aloquetes como são chamados aqui no Porto, que são muito variados, desde com números, letras e até mesmo direcções.

Relativamente ao sacrifício, é mesmo preciso sacrificar alguém, homem ou mulher, que isto hoje em dia os espíritos são muito menos exigentes.

No nosso caso, eu fui o sacrificado, não porque a minha equipa se quisesse ver livre de mim, mas porque havia tão pouco tempo de sobra que em vez de estarmos a discutir quem dava o peito às balas eu resolvi ir em frente.

Não foi fácil porque enquanto os outros fugiam eu fiquei preso, tentando libertar-me das forças malignas e estava a ver que não conseguia. Tive de dizer uma data de palavras em latim e evocar toda a minha energia do terceiro olho para me salvar, mas o importante é que consegui!!!

Se estiverem na zona do Porto e quiserem passar uma hora extremamente divertida, o The Sacrifice é uma aposta ganha. Além de que ainda podem ver-se livres de alguém que não gostam, o que convenhamos, é ouro sobre azul!

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

30.12.19, Triptofano!

Zen House em 10 segundos: Descubra um sushi all you can eat em Matosinhos com peças frescas e cheias de sabor, perca a cabeça com o Gunkan de manga, não deixe de provar o fígado de pato grelhado, mas evite o gelado de chá verde!

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Quando conheço alguém que me diz que fica cheio com 20 peças de sushi fico logo de pé atrás!

Para mim 20 peças é o suficiente somente e apenas para fazer o aquecimento dos maxilares, por isso é que tento sempre encontrar restaurantes de sushi all you can eat de forma a ficar saciado sem ter um rombo gigantesco nas finanças do mês.

Este ano vim celebrar a passagem do ano ao maravilhoso Norte carago, e tenho a sorte de ter uma amiga caridosa a viver em Matosinhos que me dá abrigo, um par de lençóis lavados e água quente vinda directamente do termo-acumulador! (coisa que eu não estou habituado que a gente em Lisboa vive à base do esquentador o que faz com que água demore mais tempo a sair a ferver)

Mas voltemos ao sushi.

Ora eu, o Cara-Metade, a minha amiga e o irmão dela estávamos com vontade de ir jantar sushi, e depois de uma prolongada pesquisa demos de caras com o Zen House, um restaurante com all you can eat cuja pontuação virtual não era a melhor de todas, mas onde as fotos até tinham bom aspecto.

Digo-vos desde já que o Zen House não tem o melhor sushi do mundo com fusões de dar volta à cabeça e fazer perder uma gotinha de xixi com a emoção. Mas comparando com o típico restaurante de sushi de rodízio que encontro em Lisboa, onde o arroz é uma desgraça e uma pessoa fica meia hora para tentar mastigar uma alga, o Zen House ganha aos pontos, tudo porque a comida é muito fresca e com bastante sabor, havendo imensa variedade.

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

O Zen House está ligeiramente escondido por outros restaurantes e uma pessoa fica um bocado confusa de onde raio é a porta. Quando finalmente se encontra a primeira coisa de que nos apercebemos é da simpatia dos empregados. É que são verdadeiramente simpáticos, amáveis e sorridentes, criando logo todo uma outra atmosfera. Claro que existem sempre alguns problemas devido à barreira linguística, mas não é nada que com boa vontade não se ultrapasse.

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Neste restaurante existe uma zona de fumadores que fica inteligentemente situada à volta do Teppanyaki, já que o fumo do tabaco é absorvido pelos exaustores juntamente com o fumo resultante da preparação dos alimentos na chapa quente, não causando incómodo algum a quem está nas zonas de não fumadores. Agora se é boa ideia colocar pessoas a fumar praticamente em cima da zona onde se preparam alimentos isso já é toda uma outra conversa.

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

A minha pessoa ficou sentada numa mesa que estava separada da do lado por uma parede, mas onde havia uma abertura por onde era possível espreitar o que é que as pessoas do lado estavam a comer, e caso elas estivessem distraídas roubar-lhes uma ou outra peça de sushi! Numa era em que os engates cada vez são mais virtuais tenho que dar crédito ao Zen House por inovar e criar uma forma de flirt físico. Afinal o pior que pode acontecer se uma pessoa puser uma mãozinha marota pelo buraco é levar uma garfada furiosa dum namorado ciumento.

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Mas falemos com mais detalhe sobre a comida, que é o que vocês querem saber.

No Zen House é possível optar por o all you can eat, onde basicamente ditamos os números do que queremos provar ao empregado sorridente que aponta tudo sem sequer piscar os olhos.

Confesso que da primeira vez fiquei ligeiramente intimidado, porque estou habituado a ser eu a apontar os números e entregar o papelinho, e ter uma pessoa a escrever o que queremos acaba por nos deixar um bocadinho mais envergonhados e não soltamos o verdadeiro aspirador de sushi que há em nós. Só que o fantástico é que nenhum dos empregados fez cara feia ao receber o pedido, trouxeram sempre exactamente o que queríamos (sem esquecimentos estratégicos pelo meio) e estavam constantemente a perguntar se queríamos mais alguma coisa.

O resultado foi termos repetido três vezes o pedido e não termos ficado com a sensação que havia uma boneca vudu a ser feita com a nossa cara por estarmos a causar prejuízo à casa!

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Como já tinha dito, o sushi não é o melhor que comi na minha vida, mas é surpreendentemente bom e fresco, havendo algumas peças fantásticas pelas quais me apaixonei.

Primeiro os temaki! Bem recheados até ao fundo, com uma quantidade fantástica de peixe e uma alga bem crocante e nada molenga, só eu comi uns 5 destes bichos. Os meus preferidos foram o de atum com queijo creme e o de salmão com manga que era de babar!

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen HouseOnde comer sushi em Matosinhos? : Zen HouseOnde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Por falar em manga, se visitarem o Zen House é obrigatório, e volto a dizer, obrigatório, provarem o Gunkan de salmão com manga. Era tão fresco, tão delicioso e escorregava tão bem pela garganta abaixo que ganhou o prémio de melhor peça da noite.

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Há outras duas coisas que também vos peço encarecidamente que experimentem: o crepe de gambas e o fígado de pato grelhado.

Sabem aqueles fritos cheios de óleo que uma pessoa enfia na boca e sente logo que desenvolveu uma hepatite ali na hora? O crepe de gambas do Zen House não tem nada a ver. É super estaladiço, saboroso e leve - uma verdadeira tentação!

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

O fígado de pato grelhado é completamente diferente do que estamos habituados a comer. A textura é diferente, o sabor é diferente, é um verdadeiro sair da zona de conforto. E porque é que eu vos peço para experimentarem? Pelo simples facto de que não deve haver muitos mais restaurantes em Portugal a terem este prato em versão pedir-até-rebentar, por isso devem mesmo provar nem que seja só um bocadinho (e o resto escondem debaixo do prato caso não gostem).

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Além do que vos descrevi há mais coisas para experimentarem no Zen House. Há Nigiris com abacate, Sashimi que se derrete na boca, sopa Miso quentinha (embora com um bocadinho de sal a mais), salmão braseado com um molho guloso, frango grelhado com molho satay (feito com manteiga de amendoim), Hot Rolls que se devoram num abrir e fechar de olhos e os tradicionais mas impecavelmente feitos Makis.

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen HouseOnde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen HouseOnde comer sushi em Matosinhos? : Zen HouseOnde comer sushi em Matosinhos? : Zen HouseOnde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Quando todos ficámos satisfeitos de enfardar quantidades colossais de arroz, peixe e algas, foi altura de pedir a sobremesa, que para alegria divina está incluída no preço.

O Cara-Metade e a minha amiga atacaram fruta (pediram que viesse apenas manga e o pedido foi aceite com um mega sorriso), eu deliciei-me com um gelado de manga e o irmão da minha amiga aventurou-se no gelado de chá verde.

Se o gelado de manga estava bom (apesar de ligeiramente sobrecongelado), o de chá verde tinha um sabor demasiado intenso a natas. Mas para verem como é que um bom serviço faz a diferença numa experiência, a simpática (e gira) empregada, ofereceu-se para lhe trocar o gelado porque viu que ele estava mesmo desolado!

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen HouseOnde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Mas ó Triptofano, então e não falas da casa-de-banho?

Obviamente que eu tinha que falar da casa-de-banho, e no caso da do Zen House podem esperar por uma falsa luxuosidade dourada, com algumas lascas vermelhas, como naqueles leques todos maravilhosos que começam a descascar depois da primeira semana de uso!

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Se estiverem por Matosinhos e estiverem com vontade de enfardar sushi até não haver amanhã sem ficarem completamente pobres, o Zen House é uma fantástica opção! Não tenham é vergonha de pedir metade do menu logo de uma vez, os empregados já estão habituados e são extremamente rápidos a apontar o vosso pedido! 

Onde comer sushi em Matosinhos? : Zen House

Zen House Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

29.12.19, Triptofano!

Mugasa em 10 segundos: Descubra um dos melhores restaurantes a fazer Leitão Assado à Bairrada, prove as iscas de leitão e guarde um bocadinho de broa para o molho da cabidela de leitão – é de comer e chorar por mais.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Quando se fala em leitão assado há duas grandes regiões em Portugal onde este produto é rei e senhor.

A primeira é Negrais, onde o leitão é “escalado” e posto a assar aberto, pincelado com o já típico molho, feito de banha, sal, alho, pimenta e um toquezinho de vinagre.

A segunda é a Bairrada, onde o leitão é colocado num espeto de barriga aberta para cima, sendo esta abertura utilizada para barrar o interior com o molho que vai evitar que a carne resseque. O leitão vai assim inteiro ao forno sofrendo um choque térmico, já que a temperatura inicial é na ordem dos 350ºC, o que se traduz naquela pele deliciosamente crocante que é sempre alvo de disputa. A temperatura do forno é depois reduzida para cerca de 200ºC de forma a que a carne possa continuar a cozinhar durante duas a três horas.

Como a minha passagem de 2019 para 2020 vai ser no Porto, decidi que a meio caminho da cidade Invicta iria parar para almoçar na Bairrada, mais concretamente no Mugasa, um dos restaurantes mais icónicos da região.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

À frente deste estabelecimento está Ricardo Nogueira, um homem cuja vida muito honestamente não invejo. Acordar às 3 da manhã praticamente todos os dias para preparar os leitões é só para quem realmente tem muito amor pelo que faz. No meu caso o mais provável era conseguir enfiar-me eu mesmo dentro do forno com o sono – o que provavelmente não ia correr muito bem.

Apesar de ter dois pisos, é frequente o Mugasa estar cheio com fila à porta, por isso telefonar a reservar mesa é extremamente recomendado. Isso e dar um saltinho à casa-de-banho do restaurante, mesmo que não tenham vontade de fazer xixi.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Podem estar a franzir o sobrolho a pensar porque raio é que eu estou a falar de uma casa-de-banho em vez da comida, mas a verdade é que eu tenho um fascínio relativamente aos locais onde se pode urinar nos restaurantes.

E a casa-de-banho do Mugasa vale a visita, porque é uma espécie de híbrido entre uma pedreira de mármore e um icebergue despovoado (sim, sou completamente apanhado dos neurónios mas a esta altura do campeonato já deveriam saber isso).

Falemos então sobre a comida, a razão principal para a minha visita a este restaurante situado em Fogueira, Sangalhos.

As hostilidades foram abertas com umas saborosas azeitonas e uma cesta de pão, onde se destacou a broa regional que não escaparia a ser submersa na fantástica molhenga que nos foi depois servida.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

A especialidade do Mugasa é o leitão assado à Bairrada, mas existem outros pratos com esta proteína que valem muito a pena descobrir, como é o caso das Iscas de leitão e da Cabidela de Leitão.

As iscas estavam tenras, repletas de sabor e bem temperadas, apesar de no meu gosto pessoal ter preferido sentir um maior sabor a cebola. É verdade que a quantidade de cebola presente no prato era enorme, mas faltou que ela fritasse um pouco mais de forma a libertar todo o seu potencial  aromático.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

A cabidela, feita com pedaços de fígado, coração e outras miudezas, estava simplesmente espectacular, muito devido ao molho com que foi elaborada. Se por um lado estava à espera de um sabor mais avinagrado, característico da cabidela, por outro fiquei completamente rendido ao ligeiro picante do molho que elevava de forma transcendental o prato. Mais tarde vim a perceber que o molho da cabidela é nada menos nada mais do que o molho utilizado para untar o leitão antes de assar.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Ir à Bairrada e não experimentar o leitão assado seria um verdadeiro crime, por isso eu e o Cara-Metade atacámos valentemente dose e meia deste petisco.

Com a pele soberbamente crocante e com a carne tenra e a desfazer-se, este leitão está ao nível do cliente mais exigente, sendo que é acompanhado por batata frita caseira (pode-se escolher entre rodelas ou palitos) e uma clássica salada de alface (que para mim ficaria perfeita se viesse com algumas rodelas de tomate).

E o molho do leitão como era, perguntam vocês?

Antes de tudo, deixem-me dar-vos um pequeno conselho.

Saboreiem a carne do leitão sem molho numa primeira abordagem, de forma a conseguirem perceber todas os sabores que estão a levar à boca, e só depois, se assim quiserem, ataquem com o molho. Neste caso, o leitão já estava tão bem temperado que não fazia sentido adicionar mais molho, que na realidade é o molho que provém da assadura do mesmo. Não fazia sentido mas eu adicionei na mesma para provar e poder-vos contar, e a verdade é que embora o molho seja fantástico, para o meu palato é demasiado picante, devido à quantidade de pimenta que têm!

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Relativamente às bebidas, o Cara-Metade ficou-se pela água com gás e eu sorvi com gosto um príncipe (ou panaché – cerveja com gasosa). Ainda estivemos de olho no espumante, que tão bem acompanha o leitão, mas tendo em conta que o Cara-Metade fica bêbado com meio copo e o meu fígado já não é o que era para conseguir despachar o resto da garrafa, decidimos que ficaria para outra altura em que tivéssemos tempo de dormir uma valente sesta no banco traseiro do carro.

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

Se forem loucos por leitão e sonharem acordados com a pele crocante do mesmo, é indispensável uma visita ao Mugasa. Garanto-vos que não se vão arrepender!

Mugasa: O Santuário do Leitão à Bairrada

O Especial de Natal do Porta dos Fundos é assim tão ofensivo?

23.12.19, Triptofano!

Quando o Especial de Natal do Porta dos Fundos saiu no Netflix dei uma olhadela no trailer mas não me puxou para ver.

Obviamente que alguns dias depois, quando toda a polémica se instalou, com direito a processos em tribunal e pedidos para que todos os cristãos boicotassem o Netflix tive que ir assistir para perceber se ele era assim tão ofensivo como diziam.

Não é minha gente! Nem é tão ofensivo como dizem nem sequer é tão engraçado como outros defendem. Tem algumas piadas é certo mas de resto é uma sátira mastigada, morna e que dá para entreter, mas que nem de perto nem de longe é razão para se começar uma nova Guerra Santa.

Pelo que percebi, o cerne da questão está no facto de Jesus Cristo ter voltado do deserto com a revelação de ser gay. Ou pelo menos há a insinuação que Jesus tinha descoberto que era gay, porque em parte alguma se diz abertamente que ele o é. Mas pronto, temos de compreender que na Bíblia é normal pais matarem filhos, filhos matarem pais, haver gente transformada em sal, chuvas de meteoros que matam cidades inteiras com criancinhas incluídas, só que o verdadeiramente abominável é Jesus Cristo ser gay.

Porque todos sabemos que isto da gayzice é coisa moderna, que no antigamente homem que era homem dava pilada na mulher e mulher que era mulher recebia pilada do homem. Homossexualidade era termo desconhecido e ai de quem sequer pense que o filho de Deus podia estar mais afim de um apóstolo do que da Maria Madalena.

O que também chateou as pessoas, aparentemente, foi a forma como Maria e José foram interpretados, de uma forma mundana e muito pouco divina sem aqueles aros celestiais e coros de anjos a cantar a cada segundo e meio. Uma abominação pensar que seres humanos (e não entidades alienígenas superiores) pudessem ser de carne e osso e terem a sua própria personalidade, defeitos e feitios.

É irritante como é que a Igreja Católica se revolta contra uma série humorística de forma tão agressiva mas depois fala-se da pedofilia dentro da mesma igreja e é como se todos estivessem a tentar varrer lixo para debaixo de um gigantesco tapete.

Tenho pena que todos os revoltados deste mundo só ergam as vozes contra coisas mixurucas em vez de se preocuparem com o verdadeiro sofrimento que há em cada esquina! É mais fácil apontar o dedo a quem faz uma série humorística do que a quem deixa um povo a passar fome e a mendigar na rua.

Na realidade, eu, enquanto homem gay, é que devia estar revoltado com o Especial de Natal do Porta dos Fundos, porque no fim revela-se que Jesus foi tentado no deserto pelo Diabo.

Isto quer dizer que uma pessoa por chupar pila tem Satanás no corpo? É que já vi pessoas a serem exorcizadas e enfiadas em campos de reeducação sexual por menos - mas é por causa disso que me vêem com um cartaz a pedir que o Porta dos Fundos seja cancelado e que arda no Inferno? Até o podia fazer, que se calhar o blog ganhava um bocadinho mais de popularidade, mas tenho coisas mais importantes para me dedicar na minha vida.

Obviamente que quem adorou todo este escândalo foi o canal humorístico, que lançou uma resposta a todos aqueles que criticaram o Especial de Natal e cujo vídeo podem ver a seguir.

Para terminar só quero deixar uma pequena reflexão: se todo este caos aconteceu no período do Natal, onde supostamente as pessoas estão todas mais felizes e contentes e a trautear a canção do All I Want for Christmas is You, imaginem se tivesse sido por exemplo em Fevereiro? É que era o inicio da 3ª Guerra Mundial, sem sombra de dúvidas....

O Leitor Decide - Haldol

22.12.19, Triptofano!

O Leitor Decide - Qual a decisão de Ana:

a) Sai do carro e vai ter com a figura - 5 Votos b) Continua a conduzir até estar em segurança e liga para a polícia - 9 Votos

O Leitor Decide

* Quando conseguiu ficar ligeiramente mais calma olhou pelo espelho retrovisor e viu a figura estendida no chão sem se mexer. Estaria morta?

Ana decidiu que não se ia colocar mais em risco. Tanto podia estar efectivamente morta como podia estar viva e à espera que ela se movesse pela curiosidade de saber quem era a figura para lhe desferir uma facada fatal no pescoço.

Continuou a conduzir até estar a uma distância segura, altura em que estacionou na berma da estrada, tirou o telemóvel do bolso e ligou para o 112.

Quando do outro lado da linha ouviu uma voz despejou entre lágrimas e soluços a sua história, de como alguém desconhecido lhe tinha partido o vidro do carro para depois a tentar estrangular, e como ela na sua ânsia de fugir tinha deixado um corpo atropelado para trás.

O operador pediu-lhe que se acalmasse e que não saísse de onde estava, que iria enviar um carro da polícia ter com ela o mais rapidamente possível.

Ana saiu do carro com todos as moléculas do seu corpo a vibrar descontroladamente. Colocou mais um dos comprimidos para a ansiedade debaixo da língua e respirou fundo. Precisava de se controlar e de ter a cabeça fria para quando os polícias chegassem. É verdade que ela tinha sido atacada mas não era menos verdade que ela tinha atropelado alguém e fugido sem prestar auxílio! Será que poderia ser presa por homicídio?

Nem dez minutos tinham passado quando o carro da polícia chegou. Lá dentro vinham dois homens, um alto, louro, com bigode farfalhudo, e um mais baixo, com umas ripas de cabelo seboso e um perímetro abdominal que faria pesadelos a qualquer nutricionista.

O polícia louro trocou algumas palavras com o colega antes de sair do carro e ir em direcção a Ana, que lhe explicou detalhadamente tudo o que tinha acontecido, esforçando-se ao máximo para não começar a chorar descontroladamente.

Depois de a ouvir atentamente, o polícia pediu-lhe para a acompanhar até ao local onde o suposto ataque tinha acontecido. Ana rangeu os dentes a ouvir o termo "suposto ataque" mas compreendia que aquela era a forma de actuar da polícia. Estava a começar a encaminhar-se para o carro deles quando o polícia louro lhe pediu, caso ela não se importasse, que preferia que fossem os dois no carro dela.

Pelo canto do olho Ana viu que o polícia seboso tinha desapertado o cinto e estava a atacar com vontade um dónut cor-de-rosa - que cliché digno de um filme rasca.

Em poucos minutos ela e o agente estavam no local do ataque, mas não havia qualquer sinal do corpo. 

- Tem a certeza que foi aqui que foi atacada Sra. Ana? - perguntou o polícia com um sorriso escarninho no rosto. - É que não encontro nem sinais de sangue nem de estilhaços de vidro ou qualquer outra coisa que possa indiciar que tenha havido uma tentativa de homicídio. Já agora - continuou ele sem lhe dar tempo para responder - o que é que estava aqui a fazer? Esta altura do ano não é a mais indicada para vir tomar banhos de sol não acha?

Ana sentiu-se a ficar ruborizada e logo depois branca como o cal. Não queria dizer àquele homem que tinha vindo ali na intenção de se suicidar. Iria ele achar que ela estava louca? Ou pensaria que tudo não passava de uma invenção de uma mulher com demasiado tempo livre? A pergunta que ele fez a seguir deu-lhe a certeza de que ele não acreditava em nada do que ela tinha contado.

- Sra. Ana, tomou algum estupefaciente que pudesse, digamos, tê-la feito imaginar coisas?

- Eu não imaginei nada Sr. Agente, tudo o que eu lhe contei é a mais pura das verdades!!! - quase que gritou Ana com os olhos marejados de lágrimas de fúria.

- Ok, ok, não precisa de se exaltar. De qualquer das formas não há mais nada que possamos fazer aqui. Vou levá-la à esquadra para recolher o seu depoimento e depois decidiremos o próximo passo a tomar. Permita-me que eu conduza o carro de forma a você descansar um pouco.

Ana anuiu com a cabeça. Estava completamente de rastos e a última coisa que queria era voltar a pegar no volante.*

O alarme do telemóvel de Lúcia tocou, relembrando-a que em uma hora tinha que se encontrar com Jaime no novo restaurante italiano da cidade.

Jaime era um ex-colega de trabalho que Lúcia tinha reencontrado no Instagram, e com quem tinha saído um par de vezes. Não se orgulhava de ter de usar redes sociais para encontrar homens, mas estava à demasiado tempo solteira e Jaime era um bom partido, tirando a obsessão patológica com as horas. Se Lúcia chegasse atrasada um minuto que fosse ele ficaria furioso, por isso fechou o livro e começou a preparar-se para tomar banho. A história podia ficar para depois.

Quando já estava a secar o cabelo, depois de ter lavado e exfoliado e tonificado o corpo todo, o telemóvel voltou a tocar, anunciando que tinha recebido uma mensagem. Provavelmente era Jaime a avisá-la que já estava a caminho e que esperava que ela não chegasse atrasada, mas quando carregou no símbolo do envelope e a mensagem se abriu o que a esperava era algo completamente diferente!

O Leitor Decide

Lúcia demorou alguns segundos a assimilar o conteúdo da mensagem.

Porque é que ela se tinha ido embora e o deixado lá? Lá onde? E quem é que lhe estava a enviar aquela mensagem? Uma ideia maluca passou-lhe pela cabeça mas não, não podia ser.

O telemóvel voltou a tocar, anunciando nova mensagem.

O Leitor Decide

Apoiou-se no lavatório porque uma sensação repentina de mau estar tomou conta dela, e foi por muito pouco que conseguiu controlar um arranque de vómito.

Quem é que lhe estava a mandar aquelas mensagens?

Só podia ser uma brincadeira de mau gosto relacionada com o livro que ela estava a ler, mas quem é que poderia estar a fazer aquilo? Quem é que saberia em que parte do livro estava ela agora? Obviamente que não podia ser a figura que Ana tinha atropelado no história que lhe estava a mandar as mensagens, era surreal, era simplesmente esquizofrénico.

Mas estava ali, no telemóvel dela, escrito preto no branco que ela teria de morrer, porque a outra não tinha morrido. Será que Lúcia devia ter escolhido de forma diferente?

Fechou os olhos com força e respirou o mais calmamente que conseguiu. Tudo aquilo tinha de ser um pesadelo, não era possível que aquilo pudesse estar a acontecer-lhe. Abriu os olhos e as mensagens continuavam lá, a brilhar de forma ameaçadora. Tinha de tomar uma decisão...

 

O Leitor Decide - Qual a Decisão de Lúcia:

a) Pega no livro decidida a queimá-lo

ou

b) Vai ter com Jaime e conta-lhe o sucedido na esperança que ele a ajude

ou 

c) Desmarca o encontro e vai à procura do alfarrabista que lhe vendeu o livro

 

Deixem a vossa escolha nos comentários! No próximo domingo a história continua de acordo com a vossa decisão!

Desafio de Escrita dos Pássaros #15 - Um Conto de Natal

20.12.19, Triptofano!

A Rena Rudolfo inspirou profundamente enquanto colocava mais uma camada de verniz endurecedor nos seus cascos. O stress dos últimos dias tinha tomado conta de si - já não dormia bem, estava sempre sem vontade de comer (o que na verdade até estava a dar jeito para abater aquelas gordurinhas extras) e o pêlo estava com um aspecto baço e muito pouco apelativo.

Tudo por causa do Pai Natal que tinha decido reformar-se.

Ou pelo menos essa era a história oficial que ele contava, que já estava velho e alquebrado e necessitava de descanso, mas Rudolfo era uma rena e não um burro, e sabia muito bem que o balofo de barbas brancas tinha assinado um contrato publicitário com a Coca-Cola e ia receber a maior parte do vencimento pela porta do cavalo, para fugir a IRS e IVA e mais uma data de impostos sanguessugas.

Com a reforma do Pai Natal era preciso encontrar um substituto, mas até aquele momento ainda não tinha aparecido nenhum candidato que preenchesse os requisitos e quisesse o trabalho pelas razões correctas.

Era verdade que já tinham aparecido pessoas de todos os tamanhos e feitios, e até o Presidente Marcelo tinha mandado a sua candidatura para o cargo, mas Rudolfo procurava aquela pessoa especial, aquela pessoa com um brilho natural, aquela pessoa que lhe fizesse dilatar o esfíncter urinário só de olhar para ela.

Mandou entrar o próximo candidato!

Era um homem lindo, careca de olhos castanhos, com um queixo quadradão e um pescoço grosso com veias salientes, que deixou Rudolfo logo sem ar, só que ele era um profissional e e sabia que havia tolerância zero na empresa para relações carnais entre renas e humanos.

Como se chama meu caro? - perguntou a Rena Rudolfo com a voz visivelmente embargada pela emoção.

Georgino Ambrósio Magalhães - respondeu o homem com um sorriso.

Diga-me, porque é que se está a candidatar ao cargo?

Sempre foi o meu sonho distribuir sorrisos e alegria e amor incondicionalmente, e este trabalho como substituto do Pai Natal é perfeito para aquilo que eu acredito ser a minha missão de vida!

E acha que todas as crianças devem receber presentes?

Todas as crianças devem ter algo no Natal, mas as bem-comportadas deverão ter algo lúdico, enquanto as mal-comportadas devem receber uma prenda educativa, de forma a perceberem que só abraçando a educação é que podem pertencer verdadeiramente à sociedade em vez de viverem à margem dela.

Rudolfo fechou os olhos deliciado. Aquilo era música para as suas orelhas. Começou a fantasiar com as cavalgadas que daria com aquele homem fantástico, a puxar o trenó e a espalhar felicidade pelo mundo.

Ainda estava com os olhos fechados quando ouviu um clique e sentiu um metal frio a fechar-se nas suas patas. Ao abrir percebeu que tinha sido algemado - será que Georgino gostava de BDSM?

Rena Rudolfo, o meu nome verdadeiro é Macário Amante, e sou investigador chefe da Polícia Judiciária. Está preso por adulterar a lista de meninos mal-comportados, aumentando-a propositadamente de forma a ficar com o excedente de brinquedos não entregues para de seguida os vender em Janeiro no OLX. Já há muito que andava atrás de si e garanto-lhe que vai passar uma boa temporada na prisão.

Rudolfo ficou sem palavras ao descobrir que as suas fantasias de cavalgar com o novo Pai Natal tinham ido por água abaixo, mas inesperadamente uma sensação de alívio invadiu-o e fê-lo sorrir.

Pelo menos naquele ano não ia ter que puxar a merda do trenó!

 

Qual é a embalagem de perfume mais original que têm?

Davidoff Champion Eau de Toilette

19.12.19, Triptofano!

Quando eu era pequeno lembro-me da minha mãe ter dois ou três frasquinhos pequenos de perfume, com um aspecto muito clássico, que eram somente para exposição, não por serem muito caros e deverem ser preservados para as gerações futuras mas porque ela não consegue suportar fragrâncias mais fortes sem ficar com os olhos a chorar e com falta de ar.

Como os únicos perfumes que haviam em casa eram esses do frasquinho clássico, cresci a pensar que todos eles vinham assim embalados, como se fossem fotocópias do Chanel Nº5 (para compreenderem melhor de que tipo de frasco eu falo).

Foi só muitos anos depois, quando já estava na universidade e guardava o meu perfume dentro do contador da água para não me perfumar dentro de casa, que descobri que o céu é o limite no que toca a embalar fragrâncias.

Existem embalagens em forma de estrela, de corpo humano, de sapato ou mesmo de troféu, mas a que eu considero mais original é a do Davidoff Champion Eau de Toilette, na forma de um haltere.

Não dá jeito nenhum para levar de viagem nem sequer para o ginásio, porque é um trambolho gigante e ocupa imenso espaço, mas visualmente é maravilhosa, sendo que uma pessoa até pode aproveitar para fazer algum exercício com a embalagem ou, caso seja preguiçosa como eu, ficar com peso na consciência (durante 5 segundos) por dever estar a fazer exercício em vez de passar o dia deitado no sofá a ver um reality show qualquer e a comer batatas fritas com sabor a caril.

Davidoff Champion Eau de Toilette

Antes de falar sobre o perfil aromático do Davidoff Champion referir que ele não é um perfume mas sim uma Eau de Toilette (o termo é originário da expressão francesa faire sa toilette), o que significa que possui uma concentração de fragrância entre os 5 e os 15%. 

A durabilidade das Eau de Toilette normalmente ronda as duas ou três horas, mas posso-vos dizer que este Davidoff Champion no meu corpo aguenta perfeitamente seis horas de trabalho árduo, sendo que para mim é uma fragrância mais adequada para usar durante o dia do que a noite.

Relativamente ao cheiro, bem, digamos que é daqueles cheiros que deixam uma pessoa no mood, se é que me entendem. É um daqueles cheiros amadeirados, que se entranham, que dão vontade de lamber o pêlo do peito de uma pessoa e depois ficar a cuspi-lo durante meia hora qual gato engasgado!

Davidoff Champion Eau de Toilette

As notas de topo são bergamota e limão siciliano, e já disse mais que uma vez mas volto a repetir que os apontamentos cítricos são a minha perdição.

As notas de coração são compostas pelo gálbano, uma planta bastante utilizada para fins medicinais no período clássico, e por sálvia, que possui propriedades nootrópicas, ou seja, aumenta a capacidade cognitiva do ser humano.

As notas de fundo são musgo de carvalho e cedro, responsáveis por aquela vibração amadeirada de prazer que sentimos quando passamos por alguém a usar esta Eau de Toilette.

Davidoff Champion Eau de Toilette

E vocês, qual é a embalagem de perfume mais original que têm? Partilhem comigo nos comentários!

O que é uma Eau Fraîche?

Caudalie Fleur de Vigne Eau Fraîche

18.12.19, Triptofano!

A primeira vez que ouvi falar de Eau Fraîche pensei imediatamente na canção da Dina,

"Peguei, trinquei e meti-te na cesta, ris e dás-me a volta à cabeça, Vem cá tenho sede, quero o teu amor d'água fresca!",

mas a verdade é que esta água fresca não é para beber apesar de se poder meter na cesta (desde que se tenha pago primeiro que isto é quase Natal e uma pessoa não quer ir passar as celebrações à cadeia).

Então mas que raio é uma Eau Fraîche? É a mesma coisa que um perfume?

Uma Eau Fraîche é basicamente a prima mais pobre do perfume, isto porque possui uma concentração mais baixa de fragrância, na casa dos 1 a 3%, enquanto que um perfume (e não confundir com Eau de Parfum que é diferente do perfume ou Parfum) possui uma concentração de fragrância entre os 20 a 30%.

Como a concentração de fragrância é menor a durabilidade da Eau Fraîche também vai ser menor, rondando as duas horitas, sendo que idealmente deve ser usada para situações também mais limitadas no tempo (imaginem que vão sair para ir almoçar ou já passaram essa fase e vão com tudo para o ataque - a eau fraîche é uma óptima opção).

No entanto ter menos fragrância acaba por ser vantajoso em dois aspectos.

Primeiro o preço, que é muito mais simpático do que o de um perfume.

Em segundo o facto de ser um produto que possui uma alta concentração de água e uma baixa quantidade de álcool, o que o torna perfeito para aqueles peles mais sensíveis e intolerantes.

Caudalie Fleur de Vigne Eau Fraîche

A Caudalie Fleur de Vigne Eau Fraîche é uma das minhas águas frescas preferidas, por ser extremamente fresca (desculpem-me a redundância mas é verdade), leve, energizante e deliciosamente natural.

As notas de entrada desta Fleu de Vigne são cítricas, graças à associação de tangerina, toranja e bergamota, o que me faz ficar com um sorriso do tamanho do mundo, já que sou um apaixonado por citrinos (se alguém quiser dar-me uma prenda de Natal fica aqui a dica).

Quando as notas de entrada se dissipam o nosso olfacto absorve as notas de coração, que neste caso são constituídas por flor de vinha (que eu nem sabia que existia), uma flor efémera que dura apenas alguns dias em Junho e anuncia, para 110 dias mais tarde, as vindimas.

Por fim aparecem as notas de fundo, que deixam um rasto mais amadeirado, devido ao cedro e ao sândalo.

O Caudalie Fleur de Vigne Eau Fraîche não possui corantes artificiais, parabenos, fenoxietanol, ftalatos, óleos minerais e ingredientes de origem animal, além de que o álcool na sua formulação é de origem vegetal!

Caudalie Fleur de Vigne Eau Fraîche

Ah e tal mas Triptofano, esta Eau Fraîche é para mulher, como é que tu usas um produto destes?

Minha gente, um produto ter um marketing direccionado para mulheres não significa que ele seja apenas usado por mulheres certo?

Que eu saiba há mulheres que adoram os "perfumes de homem" e o mundo não colapsou nem houve nenhum iceberg que tivesse começado a derreter mais cedo! Uma fragrância é para ser usada por quem dela goste, independentemente se a quiserem catalogar como masculina ou feminina!

E como eu sou um fofinho e adoro partilhar assim umas dicas jeitosas convosco, sabem qual é a minha forma preferida de usar a Fleur de Vigne?

Quando quero fazer uma surpresa mais sensualona ao Cara-Metade, besunto-me dos pés à cabeça com um creme cheiroso mas depois borrifo na zona da genitália e no rabiosque a Fleur de Vigne. Como tem uma percentagem mais baixa de álcool não me causa irritação e assim consigo-o surpreender com uma fragrância diferente quando ele chega à zona pretendida!

Digam-me de vossa justiça, já alguma vez tinham experimentado esta técnica odorífera? E as Eau Fraîche, há alguma por vossa casa?

O Leitor Decide - Victan

15.12.19, Triptofano!

O Leitor Decide - Qual a Decisão de Lúcia:

a) Vai espreitar para descobrir quem bate à porta - 8 votos b) Silenciosamente fecha-se na casa-de-banho - 1 voto

O Leitor Decide

Quem estava a bater parecia não querer anunciar a sua chegada mas sim quase deitar a porta abaixo para entrar. Lúcia estava pálida e mesmo sem dar conta tinha sustido a respiração.

Durante um momento ponderou a hipótese de se trancar na casa-de-banho e ligar para o 112, mas rapidamente ralhou mentalmente consigo mesmo por estar a ser uma medricas. Aquela zona da cidade onde morava era extremamente segura e ela era uma mulher forte e independente, e não fazia o mínimo sentido ficar assustada porque alguém estava a bater à porta - só podia ser efeito do suspense do livro que lhe estava a afectar o sistema nervoso.

Lúcia levantou-se, convencendo-se de que não havia problema nenhum nem razão para estar com medo, apesar das suas pernas trémulas dizerem o contrário.

Aproximou-se do óculo e espreitou com o coração na boca, ansiosa por ver quem estava do outro lado.

O óculo tinha sido tapado com uma folha de jornal ou assim parecia, impedindo Lúcia de ver o corredor do andar em que morava. As pancadas na porta também tinham cessado e não se ouviam nem passos nem nenhuma respiração, sinais de que poderia haver alguém do outro lado.

Num rasgo de confiança escancarou a porta e deu de caras com o vazio. Da pessoa que lhe tinha batido à porta nem rasto. 

Virou-se na direcção do óculo da porta para retirar o pedaço de papel que o cobria quando percebeu que a folha do jornal afinal era uma página de um livro. Uma ideia mirabolante atravessou-lhe o cérebro, poderia aquela ser uma página do seu livro?

Pegou nela, fechou a porta e correu para o livro abandonado no sofá. Ficou atónita quando percebeu que aquela página era a continuação da que estava a ler, tinha sido arrancada muito habilmente quase não deixando vestígio da sua existência, não fosse o salto de paginação. 

Teria sido o alfarrabista que, não querendo que a sua leitura ficasse afectada, tivesse resolvido entregar-lhe a página? Mas sendo assim como é que ele sabia onde ela morava? Será que a tinha seguido até casa? E que coincidência espantosa ter recebido aquela folha impressa no exacto momento em que iria precisar de a ler.

Mas e se não tivesse sido o alfarrabista?

Lúcia obrigou-se a deixar de ser paranóica e cingir-se às evidências. Algo ou alguém tinha-lhe entregue uma parte do livro que precisava, e esse algo ou alguém tinha desaparecido, por isso a coisa mais óbvia a fazer era continuar a leitura.

*Quando Ana se deu conta já era tarde demais, e só teve o instinto de proteger a cara dos milhares de pequenos pedaços de vidro que foram projectados após a figura partir com uma pedra o vidro da janela do carro.

Viu aterrorizada uma mão aberta a tentar alcançar a sua garganta, e a única coisa que o seu instinto primitivo de sobrevivência lhe gritou aos ouvidos foi FOGE, enquanto mordia violentamente o polegar do seu agressor, para evitar ser estrangulada naquele preciso momento.

Rodou a chave, destravou o carro e carregou no acelerador. Tinha-se esquecido completamente que estava numa descida e tinha deixado o veículo em marcha-atrás, e foi por milímetros que não bateu no muro do estacionamento, mas tinha sido o suficiente para se por momentaneamente a salvo.

Precisa de fugir dali, precisava de fugir, PRECISAVA DE FUGIR!!!!!!

Colocou a primeira e carregou a fundo no acelerador, fazendo o carro dar um verdadeiro salto e bater na figura negra encapuçada, projectando-a pelo ar.

Ana parou uns bons metros à frente, com o peito quase a explodir de adrenalina e com uma dificuldade horrível para respirar. Abriu o porta-luvas e colocou tremulamente um comprimido para a ansiedade debaixo da língua, porque sentia que a qualquer altura o seu corpo podia colapsar e desmaiar.

Quando conseguiu ficar ligeiramente mais calma olhou pelo espelho retrovisor e viu a figura estendida no chão sem se mexer. Estaria morta?*

 

O Leitor Decide: Qual a Decisão de Ana:

a) Sai do carro e vai ter com a figura

ou

b) Continua a conduzir até estar em segurança e liga para a polícia.

 

Deixem a vossa escolha nos comentários! No próximo domingo a história continua de acordo com a vossa decisão!

 

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