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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Recomecei a Ler

Pelo menos uma hora por dia!

13.11.19, Triptofano!

Se eu dissesse que não lia no meu dia-a-dia estaria a mentir com quantos dentes tenho na boca, porque na realidade é uma actividade que eu faço!

Desde os artigos científicos para poder fazer aconselhamentos mais rigorosos e credíveis na farmácia (apesar de 88% das pessoas preferir ser iludida por anúncios televisivos do que fazer escolhas conscientes com base em informação rigorosa), passando pelas gigantescas bulas dos medicamentos (ainda ontem estive que estar a ler com um utente a bula de um antiagregante plaquetário para ele ficar descansado sobre a inexistência de plástico cancerígeno no medicamento) e acabando nos maravilhosos blogs aqui da comunidade, a verdade é que até sou uma pessoa que lê bastante.

Mas sentia que fazia-me falta ler um livro físico, ler uma história que não envolvesse cápsulas de gelatina ou tempos de semi-vida, e apesar de aqui nos blogs encontrarem-se criações literárias maravilhosas ( um exemplo disso é este maravilhoso exercício criativo da Bii Yue ), eu sabia que precisava de algo mais.

O clique para recomeçar a ler, algo que quando era mais novo fazia de uma forma caoticamente compulsiva, não foi espoletado por nenhum acontecimento específico.

Não se deveu à minha mãe ter começado a ler, nem sequer a algum melodrama que tivesse tido com as redes sociais, simplesmente senti que era altura para o fazer.

A minha resolução literária passa por todos os dias ler uma hora, que se vai dividir basicamente em trinta minutos de leitura no comboio e trinta minutos antes de ir dormir (o que até agora tenho conseguido fazer sem ficar a roncar compulsivamente).

O livro que escolhi para começar esta nova aventura literária foi o Danças e Contradanças da Joanne Harris, um livro que descaradamente surripiei de casa de uma amiga, porque além de estar decidido em voltar a ler também quero gastar o mínimo possível com este novo hábito, tanto pela saúde da minha carteira, como pelo facto de hoje em dia cada vez fazer menos sentido este consumismo desenfreado.

Se tenho a possibilidade de pedir emprestado ou requisitar numa biblioteca, porque é que hei-de comprar apenas para acumular numa estante a ganhar pó?

O Danças e Contradanças é um bom livro para começar este novo período literário, porque é constituído por contos com um tamanho ideal, não demasiado longos que possam aborrecer, e não demasiado curtos que impeçam que o leitor estabeleça uma empatia com as personagens!

E vocês, andam a ler ou é uma realidade da qual por agora estão afastados?

Recomecei a Ler com o Danças e Contradanças da Joanne Harris

Desafio de Escrita dos Pássaros #9 - Trevicta

08.11.19, Triptofano!

O céu estava perfeitamente limpo, com a excepção de uma ou outra gaivota que desafiava as leis da física de tão anafada que era.

Uma onda mais rebelde devorou-lhe metade da perna esquerda fazendo-a acordar sobressaltada, com a cabeleira cheia de areia e o corpo totalmente desnudo a escaldar do sol impiedoso.

Olhou em volta numa mescla de surpresa e incredulidade - o que é que estava a fazer naquele areal? como é que tinha ido ali parar? quem era ela?

Atada ao pé, como se fosse um presunto duma loja gourmet, uma etiqueta dourada ostentava um nome em letras cursivas - Jocilene

Seria ela Jocilene? Não se conseguia lembrar do seu nome, mas a conjugação sonora das sílabas trazia-lhe alguma tranquilizante familiaridade.

Sem aviso, uma dor azul lancinante trespassou-lhe a cabeça fazendo-a cerrar furiosamente os olhos.

Ícaro.......Ondansentrons.......Neotigason

A glande do seu clitóris emergiu do prepúcio, e Jocilene percebeu instintivamente que estava em perigo. Olhou em redor e viu, no fundo do areal, umas figuras disformemente humanoides em tons de cinzento a flutuar lentamente na sua direcção.

Foge.....foge......foge......foge!

Correu o mais depressa que pôde em direcção à floresta que ficava a meia dezena de metros de onde estava, transitando da fofura da areia da praia para a aspereza do solo coberto de folhas de palmeira que lhe causou pequenos cortes nas palmas do pés, com a boca inesperadamente inundada de um sabor a chocolate-hortelã e a Gatorade de laranja.

Continuou a correr desvairada, assustada, embrenhando-se por completo na vegetação, até bater de frente com uma figura que também ela corria.

Não era um humanoide disformemente cinzento, mas sim um homem cuja principal característica era um Prince Albert, um piercing dourado que lhe fazia sobressair os atributos varonis.

Ícaro?

Não, Emanuel, ou pelo menos é o que a etiqueta diz. - apontando para a identificação do pé, exactamente igual à de Jocilene - Também viste as criaturas?

Os Ondansetrons? Sim, estavam no areal...

Como é que sabes o nome deles? Já os conheces? O que é que estamos aqui a fazer?

Eu não sei...- balbuciou Jocilene -...simplesmente sei.

Ok, não interessa. Vem comigo, há uma cabana a pouca distância daqui. Lá estaremos em segurança.

Emanuel recomeçou a correr pela vegetação e Jocilene seguiu no seu alcance, fitando-lhe o cu redondo saltitante.  Teve de se obrigar a controlar os pensamentos pecaminosos, precisava primeiro de ficar a salvo e perceber a situação em que se encontrava.

A cabana encontrava-se totalmente camuflada de olhares curiosos e no seu interior apenas existia um pequeno frigorífico.

Quando Jocilene passou a porta a dor lancinante voltou a trespassar-lhe a cabeça, como uma bomba atómica lançada na sua cavidade craniana.

Eles estão aqui.....eles estão aqui.....eles estão aqui....

O seu clitóris começou a vibrar descontroladamente. Estava em perigo, estava em perigo, ESTAVA EM PERIGO.

Jocilene, está tudo bem? - Emanuel pousou-lhe uma mão no ombro, mas não era uma mão humana, era um apêndice de três tentáculos com artroses que se lhe colavam à pele. Ele era um deles, ele era o perigo, ele ia matá-la....

Em cima do frigorífico estava um taco de golfe, que Jocilene ia jurar que antes não se encontrava lá, mas era a sua única chance.

Num salto agarrou a arma, e com um movimento digno de um filme de Hollywood, ao mesmo tempo que o clitóris explodia num orgasmo insano, rachou a cabeça do filho da puta do alienígena que a queria matar.

O corpo de Emanuel caiu inerte no chão e nesse preciso instante o crânio de Jocilene quase que implodiu com a estrastosférica dor azul que a invadiu!

***

Enfermeira, desligue o simulador de realidade virtual.

Samuel carimbou furiosamente uma data de papéis rubricando uma mão cheia de outros, que teria de levar de volta para o escritório amorfo onde trabalhava. Aquele escritório que parecia ainda mais deprimente desde que Beatriz lhe tinha dito que não.

Injecto mais uma dose de medicamento e volto a ligar o simulador para ver como a paciente se comporta desta vez Dr.Samuel? - perguntou a raquítica e macilenta enfermeira.

O telemóvel de Samuel vibrou. Uma mensagem.....de Beatriz!

Encontramos-nos numa hora no local do costume.

Samuel agarrou atabalhoadamente os papéis e dirigiu-se para a porta.

O estudo acabou Sra.Enfermeira. O novo medicamento está oficialmente aprovado. Obrigado pelo seu trabalho.

Mas, mas....o medicamento não é eficaz. Você viu que ela voltou a matar!

O nosso trabalho aqui não é saber se o medicamento é ou não eficaz, mas se é ou não seguro. Ele não matou a paciente, se a paciente mata alguém ou não isso já não é connosco. - disse Samuel - Como se a Sra.Enfermeira não soubesse como funciona a indústria farmacêutica. - acrescentou com um riso escarninho enquanto se dirigia para a porta.

Então e o que é que eu faço com ela? - perguntou exaltada a enfermeira.

Queime-lhe os miolos! Depois eu invento qualquer coisa no relatório. - disse Samuel batendo a porta atrás de si, correndo ao encontro de Beatriz.

A enfermeira encolheu os ombros. Ordens eram ordens!

Ajeitou os sensores fotovoltaicos nas têmporas de Jocilene, aumentou para o máximo a potência e preparou-se para carregar no botão.

O que fazer com a correspondência errada?

E que o carteiro teima em não levar?

06.11.19, Triptofano!

O meu prédio não sei se é por eu morar lá, se é por já ter visto o cadáver defunto de uma barata no hall de entrada ou se é por causa dos elevadores que quando uma pessoa quer chegar a casa depressa para não borrar as cuecas e os malditos estão sempre no oitavo andar e uma pessoa mora no sexto e não consegue controlar o esfíncter durante tantos lanços de escadas, mas é um entra e sai de gente que não dá para perceber!

A quantidade de gente que já morou naquele prédio e já deixou de morar é impressionante, e isso traduz-se em todos os dias haver cartas por cima das caixas de correio a implorarem que o senhor carteiro as leve de volta, porque tal pessoa já não vive lá!

Mas e o que fazer com a correspondência errada e que o carteiro teima em não levar?

O preferível é quando os envelopes possuem aquelas opções no verso de desconhecido, nova morada, raptado por aliens, aderiu a um culto, que se coloque a cruzinha na opção correcta e deixe-se para o carteiro levar de volta!

Mas e quando não há opções nem local para colocar a cruzinha?

Claro que podemos por em letras garrafais um Não Mora Cá, ou um Anda Enrolado Com o Vizinho do Prédio da Frente e Já Não Põe Cá os Pés Desde Fevereiro, mas acredito piamente que a melhor opção é ir pelo caminho da erudição!

Trocando por miúdos, fazer um poema na carta todo fofinho para o senhor carteiro! 

O que fazer com a correspondência errada?

Nota: A destinatária desta carta é uma senhora de seu nome Ágata, que já se dava ao trabalho de actualizar o raio da morada!

A Síndrome do Cavalinho de Plástico

05.11.19, Triptofano!

Já falei aqui no blog que tenho uma enorme dificuldade em mandar o que quer que seja fora, o que me coloca na linha da frente para um dia figurar num programa de televisão do tipo Acumuladores, onde as pessoas para visitar a minha casa terão de trepar um Kilimanjaro de recipientes de plástico que um dia poderão vir a ser úteis para separar por IVA e mês de aquisição o Everest de facturas que tenho debaixo da cama.

Além de não conseguir deixar ir sofro dum mal ainda pior, a ansiedade e o pânico doentio de saber que podem deitar-me algo fora!

Basta o Cara-Metade dizer que vai fazer arrumações na zona da casa onde está o meu monte de tralha que fico logo a suar descontroladamente e com palpitações - pode ser um monte de porcaria que nunca mais vou usar e nem me lembro que existe, mas apenas a ideia de que posso chegar a casa e as coisas não estarem lá é suficientemente para me deixar descompensado da cabeça.

Durante anos e anos tentei perceber de onde podia vir este trauma, porque fazia-me sentido que tivesse acontecido algo quando eu era mais pequeno que tivesse espoletado este padrão comportamental, mas por mais que me tentasse lembrar não conseguia descobrir o que poderia ter sido!

Até este último fim-de-semana, onde após uma longa introspecção intercalada com alguns roncos, relembrei-me dum episódio da minha infância que nunca tinha dado importância, mas que talvez esteja na base de todo este meu comportamento recolector.

Não tenho em mente que tenha sido uma criança muito exigente nem sequer egoísta, muito provavelmente porque ter um irmão mais velho não me deu espaço para tal!

Tinha alguns brinquedos que estimava e era com eles que me divertia durante longas horas, mas não sinto que tivesse uma obsessão de os guardar a sete chaves com medo que alguém mos tirasse.

Todos os anos eu, o meu irmão e os meus pais íamos passar as férias de Verão ao Algarve, e numa dessas férias eu tinha um brinquedo favorito, um cavalo de corrida que funcionava apertando-se uma pequena bomba de ar!

Basicamente a pessoa insuflava ar no cavalo e ele dava uns saltinhos como se estivesse a correr - antigamente as crianças não eram tão exigentes como são hoje em dia com as tecnologias e realidades aumentadas e coisas que tais.

Brinquedo Cavalo de Plástico com Bomba de Ar

Ora uma bela noite, estava eu a brincar com o meu cavalito, quando os meus pais recebem em casa um casal, que imagino fossem colegas de profissão do meu pai (ou isso ou iam fazer swing e as gotas para a alergia que me tinham dado para eu cair para o lado ainda não tinham funcionado), que traziam uma criança ainda mais pequenita que eu.

Os adultos conversam, o meu irmão não faço ideia onde estava que não me lembro dele, e eu brinco entretido com o pirralho que diga-se de passagem era daquelas crianças irritantes que acham que tudo o que existe num raio de um quilómetro é delas!

E do que é que ele foi gostar?  Do meu cavalinho claro!

Depois de umas belas horas na brincadeira os meus pais despedem-se do casal e aí é que todo o drama aconteceu!

O fedelho queria levar o meu cavalinho e eu obviamente disse que não, então foi um berreiro desgraçado!

O miúdo queria o cavalo à força toda e que queria e porque queria e chorava e dava pontapés no ar e eu só me apetecia era dar-lhe duas lamparinas naquela fuça para ver se ele ganhava juízo!

Agora eis o que acho que me traumatizou!

O miúdo saiu de casa com os pais a gritar! Desceu as escadas do prédio a gritar! Foi para a rua para entrar no carro a gritar como se tivesse a ser esventrado por uma horda de centopeias assassinas. E nesse momento a minha mãe que estava a assistir à cena da varanda (e certamente a pensar que era uma pena não ter umas pipocas à mão) vem ter comigo e diz-me:

Vá lá, dá-me o cavalinho que eu mando-o lá para baixo para o menino deixar de chorar!

Ó caralho, mas que merda vem a ser esta? Então o cavalinho era meu e agora a minha mãe queria dá-lo a um puto qualquer birrento só para ele ficar calado? Eu que me portava divinamente e não dava trabalho nenhum era prejudicado em detrimento dum fedelho que nunca tinha visto na vida?

Hoje penso que talvez aquele casal fosse mesmo parceiro de swing dos meus pais e a minha mãe queria manter as boas relações, mas chiça, dar o meu cavalinho é que não!!!!

Vocês podem estar a ler isto e a pensar que eu não bato bem da mona, o que também não deixa de ser verdade, mas parte de mim sente que foi este episódio que me tornou tão agarrado às coisas, com tanto medo que elas desapareçam!

Não porque sou uma pessoa egoísta ou não tenha prazer em dar e partilhar, mas porque de alguma forma tenho um medo infantil de que algo que eu goste possa ser dado a outra pessoa somente porque sim!

Como é que acham que eu posso ultrapassar este bloqueio? Já vos aconteceu alguma coisa similar na vossa vida?

Vamos Ajudar a Bla bla bla?

04.11.19, Triptofano!

Uma das coisas mais maravilhosas de estar aqui neste charco sentado em cima dum periclitante nenúfar que obviamente não foi feito para aguentar o meu peso, é o sentimento de comunidade que reina entre todos!

E é a esse sentimento de comunidade que eu venho aqui muito humildemente apelar para ajudarmos uma das nossas, a fantástica e maravilhosa Bla bla bla!

Vamos Ajudar a Bla bla bla?

Passo a explicar: depois de muito empenho a Bla bla bla conseguiu uma parceria para o seu blog com um grupo editorial, que basicamente oferece-lhe livros para ela dar ao pessoal de forma gratuita, sem ter que pagar um cêntimo, assim uma extravagância como já não existe.

O problema é que os passatempos anteriores não tiveram a adesão esperada, algo que é vital para que a boa relação entre o grupo editorial e a Bla bla bla se mantenha, por isso é que eu vinha aqui apelar à comunidade para dar uma ajudinha!

Catano, se os portugueses conseguiram angariar dois milhões para um medicamento (que acabou por ser pago por nós todos na mesma mas isso é outra conversa) aqui o Sapal também consegue ajudar a Bla bla bla a chegar pelo menos às 100 participações certo?

De momento vai nas 14, por isso são precisas mais 86 minha gente!

Participar é bastante fácil, ora vejam lá as condições:

  1. Fazer um poema sobre o Triptofano que contenha as palavras galinha, tapete de Arraiolos e ginecomastia
  2. Dançar o Pata pata do José Castelo Branco no meio do Centro de Saúde da zona de residência
  3. Ler (ou reler) o meu maravilhoso texto sobre pedaços de papel higiénico perdidos no rabiosque https://triptofano.blogs.sapo.pt/pedacos-de-papel-higienico-105953
  4. Ignorar o próximo tema do Desafio dos Pássaros e escrever a receita duma mousse de chocolate com cheirinho, quer se esteja a participar no desafio ou não
  5. Suprimir o reflexo de vómito e enfiar....

Estou a brincar pessoal, para participar basta irem a este link e nos comentários escreverem "Eu quero o livro A Maldição do Marquês do Tiago Rebelo oferecido pela Bla e pela Asa/Leya" ! É tão fácil que nem precisam de se dar ao trabalho de decorar a frase, é só fazer copy e depois paste lá na caixa de comentários da moça!

E como eu sei que isto hoje em dia é preciso aqui um argumento extra para motivar o pessoal, eu Triptofano Manel, lanço-vos uma proposta.

Se a Bla chegar às 100 participações eu comprometo-me a fazer e a partilhar nas redes sociais um desafio que a comunidade tenha em consenso decidido que eu era merecedor de realizar!

Que é que acham? Vamos ajudar a Bla? (e quem sabe fazer passar-me por uma vergonha épica?)

Desafio de Escrita dos Pássaros #8 - Uma carta para o Mini Triptofano

01.11.19, Triptofano!

Desafio de Escrita dos Pássaros #8 - Uma carta para o Mini Triptofano

(os leitores mais atentos devem ter reparado que esta foto já foi usada neste post!)

Querido Mini Triptofano:

Minha jóia, minha lindeza, meu pedaço de céu, dá-me a permissão para te revelar alguns segredos dos anos que te esperam de forma a que o teu percurso neste mundo louco e instável seja mais fácil e harmonioso.

Deixa-te de merdas, tu não gostas de mamas nem nunca gostarás!

O facto de por vezes ficares a olhar para elas obcecado deve-se a um centro gravitacional específico do tecido mamário, mas nos teus anos vindouros irás mamar sim, mas de pilas, algumas pequenas, outras grandes, e ocasionalmente irás deparar-te com uma de tamanho colossal. Nada temas, foste abençoado com uma total ausência de reflexo de vómito.

Se estás preocupado em se vais ter jeito ou não na nobre arte de chupar pila, deixa-me dizer-te que só tens que te lembrar em colocar os dentes para dentro, como se sofresses de uma retracção gengival manhosa. Isso e de deixá-la bastante babada, mais ou menos como deixas a flauta nas aulas de música, quando tentas inutilmente conseguir extrair alguma melodia do instrumento e não apenas um apito estridente que faz golfinhos morrerem a quilómetros de distância (sim, também não tens jeito para a música).

Ficas também já a saber outro segredo, sexo oral não é quando duas pessoas dizem coisas porcas ao telefone e há uma linha de valor acrescentado envolvida pelo meio. Assim já não vais precisar de perguntar isso à tua professora de português e evitas que ela quase que tenha um aneurisma no meio da sala. Sim, no teu tempo não vão ainda existir aulas de educação sexual.

Quando chegar a altura de seres penetrado analmente pela primeira vez - vulgo levares no cu - sei que irás ter algumas dúvidas! (e não, não te vou dizer quando isso vai ser para não estragar a surpresa) Um cu vai ser sempre um cú, por isso é normal que não cheire maravilhosamente bem. Não te stresses, desde que não tenhas comido uma feijoada no dia anterior e tenhas feito um cocózito antes de ires por-te de frango assado, não há grande perigo. Mas sejamos honestos, uma pila borrada também nunca matou ninguém.

Agora um conselho profissional, se quiseres encantar alguém, besunta-te com um creme qualquer e no rabiosque esfrega um outro com cheiro diferente. Não precisas de me agradecer, pode ser que consigas engatar um velho rico e agora eu não precise de estar a trabalhar na farmácia a levar com os gafanhotos cheios de vírus da gripe dos utentes.

Antes de me despedir de ti quero-te dizer só mais uma coisa!

A penicilina que te vão injectar no rabo por causa da gonorreia que vais apanhar no acampamento de Verão em Porto Covo vai doer horrores, como se fossem vidros a rasgarem-te os músculos desse cu inexistente.

Eu sei que vais dizer que a culpa foi da casa-de-banho pública, mas ambos sabemos que és uma grande puta!

Com muito carinho

Triptofano.

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